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O uso de Imagens na Santa Igreja

“O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é a imagem.”

Sto. Tomás de Aquino

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É comum ainda hoje, em plena era espacial, essa insinuação manjadíssima de nós católicos adorarmos imagens. Francamente, é decepcionante perceber que pessoas com tamanha intelectualidade ainda procurem desfigurar a verdade dos detalhes que a Santa Igreja guarda em seu coração com tanto amor.

Esqueceu-se que a Igreja Católica, herdeira direta da Bíblia, desde 1500 anos antes de Martin Lutero fazer sua aparição no planeta terrestre, da mesma Bíblia herdou também (com moderação cristã) a severidade em condenar e punir a idolatria? Só é ler as histórias dos cristãos que desfaleciam diante dos carrascos.

Imagens a Igreja Católica sempre teve, desde os primeiros tempos. Nas catacumbas (40km de túneis debaixo do solo de Roma, onde os cristãos se refugiaram durante as perseguições) haviam imagens pintadas nas paredes, e que ainda estão lá. Será possível que aqueles cristãos (gente de todas as condições e idade, até crianças) que se deixavam queimar vivos, dar em pastos ás feras, crucificar como Cristo…por amor de Cristo eram tipos de misturar tamanha fé com idolatria?

“…A Sé apostólica, propõe homens e mulheres que sobressaem pelo fugor da caridade e de outras virtudes evangélicas para que sejam venerados e invocados declarando-os Santos e Santas em ato solene de canonização, depois de ter realizado oportunas investigações.” (João Paulo II, Const. Apost. Divinus Perfectionis Magister)

Esses homens e mulheres saíram de uma fé superficial e viveram a intensidade única da verdade, o amor a Cristo até o final de suas consequências, foram “separados” dentre vários que receberam o chamado a serem também santos, e mereceram “a Glória dos Altares”, como é a belíssima expressão que a Santa Igreja refere-se a essas vidas que se eternizaram em seu “seio maternal”.

O Bispo Sto. Ambrósio, falando de quase contemporânea Sta. Inês, menina romana de 13 anos, morta pela fé, lá pelo ano 300, usa palavras vibrantes de poesia e emoção:

“Haveria naquele corpinho lugar para uma ferida? Mas ela que não tinha aonde receber o golpe, teve que vencer a espada. E isso numa idade em que as meninas não suportam ver os rostos carrancudos dos pais e costumavam chorar por uma picada de agulha…” (Do Tratado sobre as Virgens)

Pessoas assim eram os cristãos das catacumbas, e nas catacumbas eles já pintavam imagens. Pessoas que não adoravam imagens muito menos a quem ou o que representavam pessoas que foram além da superficialidade humana e encontraram no mistério da profundidade Divina a alegria de sofrerem por amor a Deus:

“Nós adoramos Cristo qual filho de Deus. Quanto mártires, os amamos quais discípulos e imitadores do Senhor e, o que é justo, por causa de sua incomparável devoção por seu Rei e Mestre. Possamos nós ser companheiros e condiscípulos seus.” (Sto. Policarpo, Mart. 17)

Magistério (Doutrina) e Embasamento Bíblico

No Cristianismo, Veneração (do Latim veneratio, do grego “douleuo” ou “dulia” que significa “honrar”) descreve uma especial devoção aos Santos, que são considerados modelos de vida cristã, que gozam no céu da vida eterna, podendo interceder pelos fiéis, sendo a veneração uma forma de lhe prestar respeito. É externamente pela reverência a ícones de santos e relíquias, pois as imagens são consideradas como “fotografias de nossos parentes, servindo para nos lembrar dos santos do passado. E aquele que se prosta diante do ícone, prosta-se diante da pessoa, a hipóstase, daquele que na figuração é representado.

Exemplos de veneração são demonstrados na Bíblia:

“Abraão levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e prostrou-se por terra.” Gn 18,2

“Moisés saiu ao encontro de seu sogro, prostrou-se e beijou-o. Informaram-se mutuamente sobre sua saúde e entraram na tenda.” Ex 18,7

“Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel, e cobriram de pó suas cabeças.” Josué 7,6

Nas passagens acima, Abraão e Moisés põem-se de joelhos como forma de respeito e veneração por outros homens ou seres espirituais (anjos no caso de Abraão), o ato de súplica não é um ato de adoração, mas de humildade, onde eles reconhecem no outro sua superioridade ou seu poder de atender-lhe um pedido. Porém a passagem mais significativa é a de Josué, em que ele se prostra diante a arca da aliança, sendo um exemplo explícito de veneração de uma imagem ou objeto. Portanto a própria Bíblia difere a adoração (latria) de veneração (dulia).

“O mandamento Divino incluía a proibição de toda representação de Deus por mão do homem. Em Deuteronômio explica: Uma vez que nenhuma forma vistes no dia em que o Senhor vos falou no Horeb, do meio do fogo, não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo…” Dt 4,15-16. Eis aí o Deus absolutamente transcendente que se revelou a Israel.Ele é tudo”, mas ao mesmo tempo, ele está ‘acima de todas as suas obras’. Eclo 43,27-28. Ele é “própria fonte de toda beleza criada”  Sb 13,3.” C.I.C. Pg. 2129

No entanto, desde o Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens que conduziram simbolicamente à salvação por meio do verbo encarnado, como são a serpente de bronze (Nm 21, 4-9; Sb 16, 5-14; Jo 3, 14-15), a Arca da Aliança e os querubins (Ex 25,10-22; 1Rs 6,23-28; 7,23-26).” (C.I.C. Pg. 2130)

“Foi fundamentando-se no mistério do Verbo encarnado que o sétimo Concílio Ecumênico, em Nicéia (em 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e também de todos os santos. Ao se encarnar, o filho de Deus inaugurou uma nova “economia” das imagens.” (C.I.C. Pg. 2131)

O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. De fato, “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original” (S.Basílio), e “quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada” (II Concílio de Nicéia; Concílio de Trento; Concílio Vaticano II). A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só compete a Deus:

O Culto às imagens sagradas está fundamentado no mistério da encarnação do Verbo de Deus e não contraria o primeiro mandamento. Sendo assim a Doutrina e o Magistério da Santa Igreja de modo algum prega ou mesmo ensina tal Idolatria, mas pelo contrário, com amor educa seus filhos no ensinamento herdado por seu Único e verdadeiro Fundador, Jesus Cristo nosso senhor.

Citações:

Catecismo Da Igreja Católica

Bate – Papo com um Crente (Pequeno dicionário Apologético) – Pe. Lino Simonelli – PIME

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