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Infabilidade Papal

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“O Romano Pontífice, quando fala “ex-cathedra”, isto é, quando no exercício de seu oficio de Pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou costumes que deve ser sustentada por toda a Igreja, possui, pela assistência Divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, aquela infabilidade da qual o Divino Redentor quis que gozasse a sua Igreja na definição da doutrina de Fé e costumes. Por isto ditas definições do Romano Pontífice são em si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja, irreformáveis.” (Conc. Vaticano I, 18 de julho de 1870, Pelo Papa Pio IX)

Jesus garantiu a Pedro (Mt 16,18) juntamente com os apóstolos (Mt 18,18), que tudo o que ligassem ou desligassem na terra, Ele confirmaria no céu, pois estando Ele na Igreja pelo Espírito Santo não permitiria que a Igreja ligasse ou desligasse na terra, algo errado, que comprometesse a salvação dos homens, em termos de doutrina apenas. Esta é a primazia da infabilidade.

“Goza desta infabilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos, por força de seu cargo quando, na qualidade de Pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, proclamar, por um ato definitivo, um ponto de Doutrina que concerne à Fé e aos costumes… A infabilidade prometida à Igreja reside também no Corpo Episcopal quando este exerce seu Magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em um Concílio Ecumênico.” (LG 25; Cf. Vaticano I; Ds 3074)

É necessário que não se esqueça que a infabilidade se retringe aos assuntos de fé (doutrina) e de moral (costumes), ou seja, a Igreja não possui a infabilidade nos outros assuntos como: economia, política, matemática, física, etc…

É preciso ter a exata noção que “infabilidade” não quer dizer “impecabilidade”. A Igreja é e será eternamente Santa porque seu fundador é e será eternamente Santo, é Santa porque o Espírito Santo de Deus é sua alma mas, é formada por homens pecadores que podem errar. No entanto, os pecados dos seus filhos não a impedem de ser infalível na sua tarefa de ensinar.
“Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos apóstolos, Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação em sua própria infabilidade, Ele que é a verdade. Pelo “sentido sobrenatural da fé”, o Povo de Deus “se atém indefectivelmente à fé”, sob a guia do Magistério vivo da Igreja.” (C.I.C. 889)
Em meados do século XIX, o célebre Cardeal Newman, defendendo a infabilidade papal (ou “infabilidade da Igreja”) dizia que: “é como uma medida adotada pela misericórdia do Criador para preservar a verdadeira religião no mundo e para refrear aquela liberdade de pensamento que evidentemente, em si mesma, é um dos nossos dons naturais, mas que urge salvar de seus próprios excessos suicidas.”
Exemplos de documentos Papais Infalíveis:

Os Teólogos Católicos concordam que ambas as cartas apostólicas do Papa Pio IX de 1854 que definiu o dogma da Imaculada Conceição de MARIA, e do Papa Pio XII de 1950 que definiu o dogma da Assunção de MARIA são exemplos da infabilidade papal, um fato que foi confirmado pelo Magistério da Igreja.

O Teólogo e Historiador da Igreja Católica Klaus Schatz fez um estudo completo, publicado em 1985 que identificou a seguinte lista de documentos ex-cathedra:
  • Carta do Papa Leão I, de 449, sobre as duas naturezas em Cristo, recebida pelo Concílio de Calcedônia;
  • Carta do Papa Agatão, de 680, sobre a vontade de Cristo, recebida pelo terceiro Concílio de Constantinopla;
  • Benedictus Deus, Papa Bento XII, de 1336, sobre o julgamento final;
  • Cum occasione, Papa Inocêncio X, de 1653, condenando cinco proposições de Cornélio Jansen como heréticas;
  • Auctorem Fidei, Papa Pio VI, de 1794, condenando sete proposições jansenistas do Sínodo de Pistoia como heréticos;
  • Ineffabilis Deus, Papa PIio IX, de 1854, definindo a Imaculada Conceição de Maria;
  • Munificentissimus Deus, Papa Pio XII, de 1950, definindo a assunção de Maria;
A Santa Igreja em mais de dois mil anos, nunca revogou um dos dogmas. A Igreja Católica já realizou 21 concílios Ecumênicos, um por século na média, reunião que o Papa faz com todos os bispos do mundo e nunca, em mais de dois mil anos de história, revogou uma verdade de fé que outro anteriormente tenha solenemente proclamado. Isso mostra que o Espírito Santo assiste o Papa, pessoalmente, na proclamação da verdade de fé, ainda que seja um pecador. O pecado é do homem, a infabilidade é do
Papa, assistido pelo Espírito de Jesus:

“Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito (defensor), para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14,15-17)

Um pouco depois Jesus ainda disse:

“Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo que vos tenha dito.” (Jo 14,25)

E para finalizar Jesus concluiu:
“Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade (…).” (Jo 16,12-13)

Por tudo isso a Igreja Católica em seu múnus de ensinar na unidade indivisível instituída pelo próprio Cristo em sua Igreja, consolidando com isso todas as promessas feitas por Deus e firmando a fé de todos os fiéis:

“Porque é com essa Igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve necessariamente concordar toda a Igreja, isto é, que devem concordar os fiéis procedentes de qualquer parte, ela, na qual sempre, em benefício dos que procedem de toda parte, se conservou a Tradição que vêm dos Apóstolos. (Sto. Irineu, 202; Contra as heresias)

“Santo dia em que fui batizado “no seio maternal” desta Igreja, pois desde esse dia também herdei todas essas verdades.”

Citações:

Catecismo da Igreja Católica (C.I.C.);
Por que Sou Católico/Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino – 14º Ed. – Lorena: Cléofas, 2008.
Bate – Papo com um “Crente” (Pequeno dicionário Apologético) – Pe. Lino Simonelli – PIME

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