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Os achados no cárcere de São Pedro e o triunfo da Igreja II

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Altar de São Pedro e São Paulo após restauro de 2010

Entre os mistérios que ficam a serem esclarecidos, um é a conexão entre o cárcere e a sinistra Scalae Gemoniae. Isto é, a escalinata que saindo do Foro era percorrida pelos condenados a morte. O nome vem do verbo “gemer”.

Naquela escalinata também eram expostos os cadáveres dos ajustiçados e que depois eram jogados no rio Tibre.

O sinistro cárcere está composto por dois andares de desenho vagamente circular, um sobre o outro.

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Prisão de São Pedro após restauro 2010

O superior, ou “Carcere Mamertino” propriamente dito, foi cavado pelo quarto rei de Roma Anco Marcio (640-616 a.C.).

O andar inferior, dito Tullianum, teria sido feito por Servio Tullio, sexto rei de Roma (578-534 a.C.).

Ali se encontra a fonte de São Pedro. Os trabalhos arqueológicos confirmaram se tratar de um verdadeiro manancial que não está ligado a conduto nenhum.

Segundo a Dra. Patrizia Fortini, a “fonte está ativa até hoje e somente com bombas consegue-se impedir que alague todo o ambiente”, acrescentou.

Também no andar inferior foram exumados restos de sacrifícios pagãos dos séculos VI a III a. C., provávelmente oferecidos pelos insignes prisioneiros a seus falsos deuses que não os tiraram da desgraça.

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Afresco recuperado: Cristo apoia sua mão no ombro de São Pedro enquanto abençoa

Esse andar inferior foi cárcere até que no ano 314 o papa São Silvestre I (270-335) o transformou em local de culto com o título de San Pietro in Carcere.

Por sinal, San Silvestre foi o primeiro sucessor de São Pedro a cingir a tiara, símbolo também da realeza do Papa sobre a cidade de Roma e dos Estados Pontifícios.

Entre os afrescos agora desvendados figura o de Cristo apoiando sua mão esquerda sobre o ombro de São Pedro enquanto este com expressão sorridente alza a mão direita para abençoar (foto).

A imagem do Príncipe dos Apóstolos que sorri triunfante sobre a brutalidade pagã jamais tinha sido vista em outros locais.

A pintura também transluz o comprazimento de Cristo transmitindo seus poderes a Pedro e seus sucessores. A barba de São Pedro é representada como espuma branca e suas vestimentas exibem cor ocre por uma degradação da cor azul original.

Também pode se perceber netamente uma coroa, parte de um afresco da coroação de Nossa Senhora. Um grande manto vermelho e uma pequena mão fazem pensar na “Madonna della Misericordia”, testimonio da devoção a Nossa Senhora nos tempos medievais.

Em outras cenas, malgrado o estrago irreparável do tempo, podem se distinguir torres e muralhas da Roma medieval, inclusive da praça do Campidoglio, provavelmente feitas entre os anos 1100 e 1300.

O fragmento mais antigo é do século VIII-IX, está no “Tullianum”, e representa a mão de Deus Pai sobre um retângulo branco.

A mão de Deus que conduziu São Pedro e seus sucessores à vitória sobre a Roma pagã é a mesma mão que guia a marcha invicta da Igreja contra todos seus adversários até a consumação dos séculos.

Fonte: Sentir com a Igreja

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