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Freiras deixam o Brasil para cuidar de crianças órfãs no Quênia

Nove mil e trezentos quilômetros separam essas mulheres de suas famílias. Elas atravessaram o Atlântico e se embrenharam nas savanas da África para cuidar de um orfanato em Kakamega, no oeste do Quênia.

A freira Diamar Broca diz que é a missão da congregação ajudar no orfanato. “É uma disposição que a gente traz dentro, mas eu estou me adaptando ainda”.

“Já sofri muito no começo. Peguei muita malária e tifo. Estive a beira da morte. Fiquei na cama 20 dias. Chamei um padre pra receber a unção”, conta Maria da Penha Zucolotto, freira do Espírito Santo.

E as saudades de casa, dos parentes? “Sinto muitas saudades. Sempre tem e-mail deles pra mim. Eles dizem que precisam muito mais de mim lá do que eles aqui. Mas não é, eles aqui precisam mais da gente”, diz Penha.

“Eu deixei minha mãe, irmão, sobrinhos todos no Brasil. Essa dificuldade a gente supera com o pouco que a gente pode fazer aqui, porque a gente vê que a necessidade daqui é maior”, declara a freira Diamar.

Tem também o problema do idioma, o inglês é uma das línguas oficiais, mas os quenianos falam dezenas de dialetos. “O inglês eu aprendi um pouco e me comunico, mas não sei bem. Das línguas nativas, tentei aprender algumas coisas em Kiswahili, sei algumas palavras apenas”, afirma Penha.

Nem por isso elas desistiram. As irmãs beneditinas chegaram ao Quênia em 1996, sem saber exatamente o que fazer, como ajudar. Mas não demorou pra que elas percebessem que a maior necessidade tava nas ruas. Crianças abandonadas em sarjetas, latas de lixo. Elas pediram então licença pra usar um orfanato do governo federal, que aceitou na hora, mas a partir daí, lavou as mãos. Hoje as freiras tocam o orfanato sem qualquer ajuda do governo.

Diante das dificuldades, a freira Maria da Penha explica como consegue dar conta de todas as crianças e administrar o orfanato. “É força de deus. Só a força divina pra gente estar aqui. A gente vive aqui pela fé”, afirma Penha.

Da horta vêm os vegetais. Do poço, a água. Do galinheiro, a carne, mas não é fácil alimentar tantas bocas. A capacidade do orfanato é para no máximo 50 crianças. Mas hoje, são pelo menos 85 menores. E só não tem mais porque as freiras incentivam a adoção por parte de casais que não podem ter filhos. O problema é que muitos internos são deficientes físicos ou têm doenças crônicas. E esses, infelizmente, ninguém quer adotar.

“A gente tem vontade de adotar todos, mas a gente olha também, é o que a gente pode fazer. O pouco que você pode fazer e bem, pra eles é muito”, afirma Diamar.

“Se tivesse que voltar atrás e começar tudo de novo, não faria diferente. Estou mesmo realizada e me sinto feliz. O que eu não me sinto tão realizada é porque não tem as condições necessárias para ajudar o quanto que essas crianças precisam. Mas com uma vida religiosa, como vocação eu me sinto realizada”, afirma Penha.

O Quênia tem um dos maiores índices de mortalidade infantil do mundo. De cada mil crianças que nascem, 100 morrem antes de completar cinco anos de idade.

Fonte: Globo.com

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