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O Papa: Não há reforma da Igreja sem conversão do coração

bento_16VATICANO, Fev. 11 / 02:45 pm (ACI)

Na Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Bento XVI falou sobre São Roberto Belarmino, quem com sua vida ensina que não pode haver uma reforma verdadeira da Igreja se antes cada pessoa não se converter de coração a Cristo.

Diante de mais de 7.000 pessoas na Sala Paulo VI, o Santo Padre dedicou sua catequese a este Santo que viveu entre os anos de 1542 e 1621, figura destacada de uma época difícil na que “uma grave crise política e religiosa causou a separação de muitas nações da Sé Apostólica”.

São Roberto Belarmino teve uma excelente formação cultural e humana, entrou na Companhia de Jesus (jesuítas) em 1560; estudou em Roma, Pádua e Lovaina (Leuven). Foi nomeado Cardeal e Arcebispo de Capua (Itália), desempenhando depois as mais altas responsabilidades ao serviço do Papa, foi membro de diversas congregações e encabeçou missões diplomáticas da Santa Sé em Veneza e na Inglaterra.

Em seus últimos anos compôs vários livros de espiritualidade nos que condensou o fruto de seus exercícios espirituais anuais. Foi beatificado e canonizado por Pio XI, que o proclamou também Doutor da Igreja em 1931.

O Papa explicou que o livro do Santo, “Controvérsias”, constitui “um ponto de referência ainda válido para a eclesiologia católica” já que “acentua o aspecto institucional da Igreja, devido aos enganos que circulavam então sobre essa questão”.

“Entretanto, o autor esclarece os aspectos invisíveis da Igreja como Corpo Místico e os ilustra com a analogia do corpo e a alma, com o fim de descrever a relação entre as riquezas interiores da Igreja e os aspectos exteriores que a fazem perceptível”.

O Papa indicou que “nessa obra monumental, que pretende sistematizar as diversas controvérsias teológicas da época, evita qualquer estilo polêmico e agressivo frente às idéias da Reforma, mas, utilizando os argumentos da razão e da Tradição da Igreja, ilustra de forma clara e eficaz a doutrina católica”.

“Seu legado estriba na forma em que concebia seu trabalho. As difíceis tarefas de governo não lhe impediram de tender diariamente para a santidade, com a fidelidade às exigências do próprio estado como religioso, sacerdote e bispo. (…) Seu predicação e sua catequese apresentam o caráter essencial que devia à educação inaciana, que concentra as forças da alma no Senhor Jesus intensamente conhecido, amado e imitado”.

Na obra “O gemido da Pomba”, na que a pomba representa à Igreja, Roberto Belarmino ” exorta com força ao clero e a todos os fiéis a uma reforma pessoal e concreta da própria vida seguindo aquilo que ensinam a Sagrada Escritura e os Santos, ” e “ensina com grande clareza e com exemplo da sua vida que não se pode exercer verdadeira reforma da Igreja se antes não há reforma pessoal e a conversão do nosso coração”.

“Se tens sabedoria, compreenda que és cristo para a glória de Deus e para a tua eterna salvação. Esse é o teu fim, esse é o centro da tua alma, esse o tesouro do teu coração. Por isso, avalie como verdadeiro bem o que te conduz ao teu fim e como verdadeiro mal aquilo que te faz te perder. Acontecimentos prósperos ou adversos, riquezas e pobreza, saúde e doença, honras e ultrajes, vida e morte, o sábio não deve buscá-los, nem fugir por si. Mas são bons e desejáveis somente se contribuem à glória de Deus e à tua felicidade eterna, são maus a se evitar se a obstaculizam “, escrevia Roberto Belarmino.

Finalmente o Papa precisou que estas “não são palavras que saíram de moda, mas palavras a serem meditadas ainda hoje por nós, para orientar o nosso caminhos sobre esta terra. Recordam-nos que o fim da nossa vida é o Senhor, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, no qual Ele continua a chamar-nos e a prometer-nos a comunhão com Ele”.

As palavras do santo jesuíta “recordam-nos a importância de confiar no Senhor, de nos gastarmos em uma vida fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar com a fé e com a oração toda a circunstância e toda a ação da nossa vida, sempre nos esforçando para a união com Ele”.

Ao final da Catequese, o Papa dirigiu aos peregrinos de língua portuguesa a seguinte saudação:

Amados peregrinos de língua portuguesa,
a todos saúdo cordialmente, desejando que este nosso encontro dê frutos de renovação interior, que consolidem a concórdia nas famílias e comunidades cristãs, a bem da justiça e da paz no mundo. Como penhor de graça e paz divina, para vós e vossos queridos, de bom grado vos concedo a Bênção Apostólica.

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