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Peter Seewald: O Papa triunfou com a humildade sobre guerra mediática

ppseewaldREDAÇÃO CENTRAL, 29 Set. 11 / 04:35 am (ACI/EWTN Noticias)

Em uma entrevista concedida à agência católica kath.net e oferecida ao grupo ACI para sua publicação, o jornalista católico alemão Peter Seewald, amigo do Papa Bento XVI e autor do livro-entrevista com o Pontífice “A Luz do Mundo”, assinalou que a recente viagem a Alemanha foi uma vitória da humildade e a mensagem do Papa sobre a guerra mediática.

Na entrevista, Seewald descreve a visita do Papa como “um pequeno milagre”, porque “pouco antes houve uma muito agressiva falange mediática de tipo anticlerical, muitas condenações adiantadas e um verdadeiro terrorismo de opinião. Tudo faz recordar a obra de George Orwell ‘1984’ na que se constrói um inimigo imaginário, um pesadelo, para incitar as pessoas”.

“E entretanto”, continua Seewald “apesar de toda este incrível trabalho mediático uma inumerável quantidade de gente, que não se deixou enganar ficou de pé”.

“Dizia-se que os alemães lhe dariam (ao Papa) as costas e todas essas tolices. Nada parece mais ofensivo em nossos tempos que permanecer católicos. Como escrevia a revista ‘Stern’ ‘a breve euforia dos inícios seguiu para a maioria de alemães um irreparável distanciamento de seu compatriota’. É como se alguém dissesse que o mundo estaria muito bem e em ordem, se o Vaticano deixasse de existir”.

Entretanto, diz o jornalista, cuja conversão ao catolicismo se deveu a um encontro com o então Cardeal Ratzinger, “todos fomos testemunhas de algo muito melhor. Onde ficaram as massas de críticos e dos que protestariam? Nunca apareceram. Por outro lado mais de 350 mil pessoas suportaram grandes sacrifícios com tal de poder escutar pessoalmente ao Papa e participar com ele na Missa”.

“Milhões o seguiram pela televisão. Os livros do Papa são solicitados como nunca antes. O programa ‘A palavra do domingo’ esta vez dirigida pelo Papa, converteu-se pela primeira vez na história em um verdadeiro êxito de rating. E com certeza poucas vezes antes se escutou na Alemanha tantas coisas inteligentes, sábias e verdadeiras, tanto do fundamental”.

Segundo Seewald hoje em dia “já não é possível passar por cima estas palavras. São a medida, a pedra de toque para os subseqüentes debates e para a renovação da Igreja católica na Alemanha”. Interrogado sobre as “sombras” da viagem do Papa a Alemanha o jornalista insistiu na maciça campanha dos meios contra ele.

“Não poucas vezes se recordou o povo de Nazaré, que não desejava escutar o Profeta de sua própria terra. ‘É que não faz nenhum milagre’, foi o lamento de muitos meios. Eles trabalham como loucos em uma indisposição anímica contra o Papa, pregam uma nova fé sem valores, e ao mesmo tempo vêm com queixas o fato de que as pessoas estão dando as costas à Igreja Católica. Quando na realidade acontece que são percentualmente bastante menos os que se separam dela, se o compararmos com os partidos, indústrias, associações. Ou inclusive com a Igreja protestante”.

Foi impressionante,por outro lado, segundo Seewald, ver Bento XVI “atravessar a brava matilha mediática, sem perder nem mesmo por um segundo a compostura”.

“Sim resulta penoso”, acrescenta, “que tenham sido muitos os que não aproveitaram esta oportunidade para nem uma só vez mostrar uma autêntica fraternidade cristã. Uma parte do protestantismo segue ainda entendendo-se a si mesmo sobre tudo como uma partido anti-papal”.

“Antes se considerava o homem de Roma o anti-Cristo, hoje se considera o anti-moderno. Entretanto muito mais significativo é isto: que depois do encontro com o Papa se mostraram extremamente contentes nos só os representantes ortodoxos, judeus e muçulmanos, mas também o presidente da Igreja evangélica na Alemanha, quem logo depois do encontro com Bento XVI, afirmou textualmente: ‘Estou satisfeito’”.

O entrevistador de kath.net pergunta ao jornalista a quem se referia o Papa Bento quando na vigília com os jovens dizia que “o dano à Igreja não vem de seus oponentes, mas dos cristãos medíocres”.

Seewald responde “provavelmente a você e a mim. O Papa é um alentador e um construtor de pontes, mas também uma pessoa que adverte. Todo cristão necessita sempre novos impulsos para não deter-se em seu desenvolvimento, em seu caminho, seu testemunho, sua conduta cristã”.

Seewald diz mais adiante na entrevista que o Papa chegou à Alemanha para evidenciar os problemas, porque “ele não deseja uma paz fictícia mas uma que seja verdadeira. Assim ele é tudo menos alguém que adorne a situação com palavras bonitas e pretenda maquiar a seriedade da situação com eventos massivos, como o teólogo (Hans) Küng e seus companheiros afirmam”.

O jornalista lamentou também que, como preâmbulo do encontro juvenil de Friburgo, os organizadores locais deram oportunidade para que os jovens votassem sobre diversas perguntas tais como o sacerdócio feminino e homossexualidade, eliminando qualquer atividade de preparação espiritual.

“Quem faz algo assim”, diz Seewald, “não entendeu como são as coisas hoje em dia. Tampouco percebeu a seriedade da situação. Com estas coisas uma pessoa se converte em aliado dos líderes de opinião que com temas de segunda ou terceira categoria vêm há decênios conduzindo à Igreja a seu desejo tendo ocasionado com isso basicamente um estancamento espiritual. Hoje as coisas estão de tal modo, que são muitas as pessoas que não conhecem absolutamente sua fé. Não conhecem o Evangelho, nem os Sacramentos”.

Entretanto, considera Seewald, “o Papa deu as pautas apropriadas. A sorte da fé e da Igreja, disse claramente, decide-se no contexto da liturgia e da Eucaristia. A verdadeira mudança só é possível mediante a transformação do coração”.

“Para dizê-lo de maneira simples: o Sucessor de Pedro quer conduzir às fontes. E estas não são as suas próprias ou as do Vaticano,mas aquelas nas que emana a ‘água viva’. E que exista uma Igreja que protege e cuida estas fontes deve nos fazer sentir felizes e seguros”.

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