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Re-encarnação ou Ressurreição ?

Introdução

Damos início a este trabalho com algumas palavras endereçadas a nós leigos (Klo91): Note-se que o termo Espiritismo aqui empregado não se refere a uma determinada concepção espírita e sim, de maneira genérica, abarca todas as doutrinas que professam a Reencarnação.

Dom Boaventura Kloppenburg equaciona muito nitidamente o problema com o qual estamos nos defrontando. O alicerce da Salvação proposta pelo Cristianismo é a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto que o Espiritismo (seja ele de que designação for: Kardecista, Umbandista, …) tem por alicerce a teoria da Reencarnação. Ninguém pode aceitar ambas as concepções – Ressurreição e Reencarnação – sem perder a coerência, pois uma entra em choque com a outra. Dentro da própria Igreja Católica encontramos imensas fileiras de “fiéis” que de muitas maneiras deixam escapar suas crenças na Reencarnação, quando não a professam abertamente.

O silêncio e a atitude de tolerância, por vezes, se constitui num pecado de omissão e as conseqüências são, por vezes, incomensuráveis.

Neste trabalho procuraremos esclarecer o que vem a ser a Doutrina da Reencarnação e a Doutrina da Ressurreição, além de apresentar os resultados dos estudos nos campos da Psicologia e da Parapsicologia, que nos fornecem o embasamento racional para a compreensão de alguns fenômenos ligados ao comportamento e à produção da mente humana.

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Doutrina da Reencarnação

Proposições Básicas:

1) Caridade.

2) Pluralidade das Existências:

Livro dos Médiuns – A.K. – segunda parte, capítulo XXVIIi, item 301, pergunta 8ª, pág. 402 diz: “De todas as contradições que se notam nas comunicações dos espíritos, uma das mais frisantes é a que diz respeito à reencarnação. Se a reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como se explica que nem todos os espíritos a ensinem?”

3) Progresso Contínuo para a Perfeição (Negação da possibilidade do Inferno ou condenação eterna):
Livro Cristianismo e Espiritismo – Léon Denis – Capítulo VII, pág. 88 diz: “(…..) Admitir Satanás e o Inferno eterno é insultar a Divindade (…..)”

4) Conquista da Meta final por méritos próprios (cada qual reparará os pecados cometidos por expiações pessoais):

Livro Cristianismo e Espiritismo – Léon Denis – Capítulo VII, pág. 85 diz: “Não, a missão do Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. Nada de exterior a nós poderia fazê-lo. É o que os espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo.”

5) Definitiva independência do Corpo:

Livro A Gênese – A.K. – Capítulo XI, item 28, pág. 219 diz: “(…..) Chegados ao ponto culminante do progresso gozam da suprema felicidade.

Admitidos nos conselhos do Onipotente, conhecem-lhe o pensamento e se tornam seus mensageiros, seus ministros diretos no governo dos mundos, tendo sob suas ordens os espíritos de todos os graus de adiantamento.(…..)”

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Doutrina da Ressurreição

Proposições Básicas:

1) Caridade.

2) Uma única Vida Terrestre:

Lc 16, 19-31: “Havia um homem rico (…..). havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, (…..). Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico… Até os cães iam lamber-lhe as chagas. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. Gritou então: Pai Abraão compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. Abraão, porém, replicou: ‘filho, (…..) há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. O rico disse: ‘Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. Abraão respondeu: ‘eles lá tem Moisés e os profetas; ouçam-nos!’ O rico replicou: ‘Não, pai Abraão, mas, se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão.’ Abraão respondeu-lhe: ‘se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos’”;

Hebreus 9, 27: “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo” ;

Sabedoria 2, 5: “A passagem de uma sombra: eis a nossa vida, e nenhum reinício é possível uma vez chegado o fim; porque o selo lhe é aposto e ninguém volta.”;

3) Após a Nossa vida teremos vida (Salvação) Eterna ou Condenação Eterna (Inferno):

Mateus 25, 31-32.41.46: “Quando o filho do homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele, e ele separará uns dos outros (…..) e lhes dirá: ‘Retirai-vos de mim malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao Demônio e aos seus anjos.’ (…..) ‘E estes irão para o castigo eterno, e os justos para a vida eterna’”;

João 5, 28-29: “Porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de sua voz: e os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal, ressuscitarão para serem condenados.”;

Apocalipse 20, 15: “Todo o que não foi encontrado inscrito no livro da vida foi lançado ao fogo.”;

Apocalipse 21, 8: “Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos, terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte.”

4) Jesus é o nosso Salvador; ele é a expiação pelos nossos pecados; Temos esperança pela fé que Jesus se compadecerá de nossos pecados e nos salvará, mas não será pelos nossos méritos:

I João 2, 1-2: “(…..) Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”;

Efésios 2, 8-9: “Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie.”;

Efésios 1, 7: “Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados, segunda as riquezas de sua graça.”

5) Ressurreição do Corpo, com o qual passaremos a Eternidade:

Lc 24, 36-43: “enquanto ainda falavam destas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: ‘A Paz seja convosco!’ Perturbados e espantados, pensavam estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse: ‘Por que estais perturbados, e por que estas dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e pés, sou eu mesmo; Apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos como vedes que tenho.’ E dizendo isto mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: ‘Tendes aqui alguma coisa para comer?’ Então lhe ofereceram um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu à vista deles.”;

I Coríntios 15, 12.42-44: “Ora, se se prega que Jesus ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns de vós que não há ressurreição dos mortos? (…..) Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual (…..)”;

Filipenses 3, 20-21: “Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.”

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2 – Reencarnação:

2.1 – A Teoria da Reencarnação:

A palavra “Reencarnação” é composta do prefixo re (designativo de repetição) e do verbo encarnar (tomar corpo), significando etimologicamente: tornar a tomar corpo, retornar a carne. Dom Estevão Bettencourt nos esclarece (Bet93): “Reencarnação significa a volta de um espírito ou elemento psíquico à carne ou ao corpo. supõe que determinado espírito tenha animado um corpo em vida anterior; ter-se-á desencarnado e, após certo intervalo, haverá retornado à terra assumindo outro corpo. As reencarnações são regidas pela lei do KARMA, que, conforme seus defensores, obriga todo indivíduo a pagar (expiar) em encarnação posterior as falhas cometidas na vida presente; seria uma lei cega. Deixaria de se exercer desde que a pessoa não tivesse mais pecado a expiar; isto lhe permitiria desencarnar-se definitivamente. Segundo os povos de tradição hinduísta, a reencarnação pode ocorrer em corpo de animal irracional (daí o respeito de muitos pelos animais infra-humanos). Os ocidentais, porém, acreditam que as transmigrações das almas se dão apenas de um corpo humano para outro”.

Temos os seguintes termos, sinônimos ou quase sinônimos, relacionados com a reencarnação: · Metempsicose – transmigração das almas;

· Metensomatose – mudança de corpo;
· Palingenesia – repetido nascimento;
· Pluralidade de existências.

2.2 – Que Correntes/Seitas pregam a Reencarnação?

Além das correntes religiosas derivadas da Índia, várias escolas filosófico-religiosas ocidentais adotam a crença da reencarnação. A seguir temos uma breve relação de algumas correntes/seitas que seguem o reencarnacionismo:

· Espiritismo;
· Umbanda;
· Racionalismo Cristão;
· Sociedades esotéricas;
· Rosa-Cruz;
· Essencialismo;
· Antroposofia;
· Teosofia;
· Cientologia;
· Cidade dos 7 planetas, Ordem dos 49 ou Ação Mental Interplanetária;
· Universo em Desencanto;
· Profecias de Trigueirinho;
· Vale do Amanhecer;
· Seicho-No-Iê;
· LBV (Legião da Boa Vontade);
· Nova Era (Reencarnação é o assunto-chave do movimento Nova Era);
· Hinduísmo, com as suas diversas formas: Yoga, Hare-Krishna, Meditação Transcendental, Budismo, etc…

2.3 – As Quatro Proposições da Reencarnação:

A doutrina sobre a reencarnação pode ser compendiada nas quatro proposições abaixo, apresentadas por Dom Boaventura Kloppenburg (Klo90):

1a) Pluralidade das Existências: a nossa vida atual não é a primeira nem será a última existência corporal; já vivemos e ainda teremos que viver inúmeras vezes em corpos materiais sempre novos.

2a) Progresso contínuo para a perfeição: a lei do progresso impele a alma para sempre novas vidas e não permite não só nenhum regresso, mas nem mesmo um estacionamento definitivo de condenação sem fim (inferno): mais século, menos século, todos chegarão à perfeição final de espírito puro.

3a) Conquista da meta final por méritos próprios: em cada nova existência, a alma avança e progride na proporção dos seus esforços; todo o mal cometido será reparado com expiações pessoais, sofridas pelo próprio espírito em novas e difíceis encarnações (lei do Karma).

4a) Definitiva independência do corpo: na proporção em que avança na incessante conquista para a perfeição final, a alma, em suas novas encarnações, assumirá um corpo sempre menos material, até chegar ao estado definitivo, em que viverá, para sempre, livre do corpo e independente da matéria.

Sem esses quatro princípios, não há reencarnação. Há que se citar aqui, o ensinamento da Caridade porém, por ser este ensinamento comum a todos os povos, credos e religiões, e por ser a caridade igualmente pregada e enfatizada como primeiro e maior mandamento, tanto por cristãos, como por espíritas, tanto pela doutrina da ressurreição, como pela doutrina da reencarnação, não o citaremos, nem o analisaremos, pois não há que se questionar este princípio de vida a todo o ser humano. Portanto, quem proclama a Reencarnação também afirma a pluralidade das existências terrestres, sustenta o progresso contínuo para a perfeição, garante a conquista da meta final por méritos próprios e defende uma vida definitiva independente da matéria.

Por conseguinte, para sabermos se Jesus foi Reencarnacionista, teremos o seguinte critério: basta verificar se aceitou ou não aqueles pontos. Passagens citadas:

 

2.3.1 – Pluralidade de Existências?
No evangelho segundo Lucas, na parábola do pobre Lázaro e do rico Epulão, em Lc 16, 19-31, não encontramos nenhuma perspectiva para novas encarnações, nem para Lázaro, nem para o rico Epulão:
Ver. 19 – “Também havia um homem rico, que se vestia com púrpura e linho finíssimo e se banqueteava cada dia.
Ver. 20 – e um pobre, chamado lázaro, ficava jogado junto ao seu portão, todo coberto de feridas.
Ver. 21 – Ele bem que gostaria de matar a fome com o que caía da mesa do rico! Além disso os próprios cães iam lamber as suas feridas.
Ver. 22 – Mas o pobre morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. O rico também morreu, sendo sepultado.
Ver. 23 – E das torturas do abismo, percebeu Abraão de longe e Lázaro no seu seio.
Ver. 24 – Então ele falou: ‘pai Abraão, tem pena de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água para refrescar a minha língua, porque sofro horrores nestas chamas’.
Ver. 25 – Abraão respondeu: ‘meu filho, lembra-te que recebeste os teus bens durante a vida e Lázaro recebeu os seus males. Agora ele encontra consolo aqui, enquanto tu padeces.
Ver. 26 – E além disso, entre nós está cavado um grande abismo. Os que quisessem passar daqui para onde estás não poderiam, e daí também não se pode atravessar até aqui’.
Ver. 27 – O rico continuou: ‘Pai, eu te peço, então, que o mandes a minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos;
Ver. 28 – que ele lhes faça uma advertência, para que também eles não venham parar neste lugar de tortura’.
Ver. 29 – Mas Abraão lhe respondeu: ‘Eles tem Moisés e os Profetas. Que os ouçam então!’v Ver. 30 – Mas o rico ainda lhe disse: ‘não, Pai Abraão. mas se alguém dentre os mortos for à sua procura, eles certamente se converterão’.
Ver. 31 – Mas Abraão concluiu: ‘se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, ainda que alguém ressuscitasse dos mortos, eles não ficariam convencidos’”.

Dom Boaventura comenta a passagem bíblica do “Bom Ladrão” (Klo90):

“Ao ladrão arrependido, crucificado ao lado de Jesus, o Divino Salvador prometeu: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc 23, 39-43). Naquele mesmo dia! Nada de purificar-se em sucessivas existências e de andar pela erraticidade. Desde que o homem se arrependa sinceramente dos pecados cometidos, por maiores que tenham sido, e receba o perdão divino, entra no gozo do seu Senhor:”

Ver. 39 – Um dos malfeitores crucificados o insultava: “Não és tu o Cristo? salva-te, então, a ti mesmo, e a nós também!”
Ver. 40 – Mas o outro o repreendia: “Tu que sofres a mesma pena, não temes a Deus?
Ver. 41 – (…..)
Ver. 42 – e continuou: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino!”
Ver. 43 – Jesus lhe respondeu: “Eu te asseguro: hoje mesmo estarás comigo no paraíso!”

Em oposição à postura reencarnacionista, temos o seguinte trecho da carta de São Paulo aos Hebreus – Hb 9, 23-28, Cristo sela com seu sangue a nova aliança:

Ver. 23 – Se, portanto, para os símbolos das realidades celestes se exigia a purificação deste modo, essas mesmas realidades celestes deviam ser purificadas por sacrifícios bem melhores.
Ver. 24 – na verdade, Cristo não entrou num santuário construído por mãos humanas, mera cópia do verdadeiro. ele entrou no próprio céu, onde se apresenta agora diante de Deus, intercedendo por nós.
Ver. 25 – Não o fez para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como faz o sumo sacerdote, que entra no santuário cada ano com sangue alheio. Ver. 26 – Pois assim ele deveria sofrer muitas vezes, desde a origem do mundo. Mas, pelo contrário, apareceu uma só vez, na plenitude dos tempos, para suprimir o pecado mediante o sacrifício de si mesmo.
Ver. 27 – E como todo homem está destinado a morrer uma só vez – depois do que haverá o julgamento –
Ver. 28 – Assim também Cristo se ofereceu uma só vez para tirar os pecados de muitos homens. Ele aparecerá uma segunda vez, sem relação alguma com o pecado, aos que o esperam, para lhes dar a Salvação.

E assevera Dom Boaventura (Klo90):

“Morra uma só vez! não mais vezes, não muitas vezes, não um número indefinido de vezes: uma só vez! É a afirmação explícita da unicidade da vida terrestre contra o princípio reencarnacionista da pluralidade das existências. É, em outras palavras, a condenação explícita da teoria da Reencarnação”.

2.3.2 – Progresso Contínuo? A negação da condenação eterna (Inferno).

Em nível conceitual, aqui temos de fazer distinção entre duas concepções de Reencarnação: · Uma, pessimista, que é a oriental, segundo a qual, se reencarna para expiar suas culpas e tende ansiosamente a esquecer este mundo e mergulhar no Nirvana, onde não haveria nem “eu”, nem “tu”, nem “ele”;

· A outra, ocidental, menos pessimista, pois enfatiza mais o progresso espiritual: as reencarnações serviriam para aperfeiçoar o indivíduo na sua própria personalidade e levá-lo a algo que se poderia comparar ao reino de Deus ou ao reino do bem. Esta outra concepção terá sido inspirada pela noção cristã de história, que vê a sucessão dos séculos com olhar otimista ou como encaminhamento para a plenitude da vida (Reino de Deus). Na verdade, uma e outra concepção julgam que voltar à carne supõe imperfeição ou pecado, e serve para purificar de suas culpas o indivíduo Reencarnado. A diferença entre uma e outra tese não é tão grande. A teoria da reencarnação tem sempre uma forte nota de pessimismo em relação à matéria, ao mundo e à história. O progresso contínuo, irreprimível e universal das almas para a perfeição é incompatível com a possibilidade de condenação ao inferno.  Os Reencarnacionistas são unânimes em negar a Doutrina Cristã sobre o Inferno, ensinada por Jesus.

Vejamos o que Jesus diz a respeito:

No juízo final, em Mt 25, 31-34.41.46, temos a sentença definitiva sobre os maus no versículo
Ver. 31 – “Quando o filho do homem vier gloriosamente, acompanhado por todos os seus anjos, sentará no seu trono glorioso.
Ver. 32 – Diante dele estarão reunidas todas as nações, e ele separará os homens uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
Ver. 33 – Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à esquerda.
Ver. 34 – Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo’.
(…..)
Ver. 41 – Em seguida, Ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o Diabo e seus anjos!’ (…..) Ver. 46 – Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna”. Também na parábola do pobre Lázaro e do rico Epulão – Lc 16, 19-31 -, Já vista anteriormente, “O contraste é inculcado com a máxima veemência: na vida póstuma, poderão inverter-se os papéis que atualmente cabem aos indivíduos” (Bet93).

Adicionando-se a este, Dom Estevão ainda dá outros esclarecimentos sobre o Inferno (Bet93):

“O Inferno nada tem a ver com imagens populares de tanque de enxofre fumegante, nem é algo criado por Deus. Vem a ser a frustração total ou a separação de Deus resultante de livre opção da criatura na terra. Com outras palavras: todo ser humano foi feito para o bem… E para o bem que não se acabe ou o bem infinito – Deus. Este, explícita ou implicitamente, exerce atração sobre todo homem, à semelhança do norte que atrai a agulha da bússola. Se alguém, usando da sua livre vontade, diz sim a esse norte (= Deus), encontra repouso e plenitude (a bem-aventurança celeste)… Se, porém, voluntariamente, lhe diz não e na hora da morte é encontrado pelo Senhor, nessa atitude de repulsa consciente e voluntária, terá o definitivo distanciamento de Deus; o Senhor respeitará a sua opção negativa e não o forçará a voltar para Deus. É este estado que se chama Inferno; a própria criatura a ela se condena, sem que o senhor Deus necessite de proferir alguma sentença. Além dessa dolorosa frustração, há no Inferno o que a Sagrada Escritura chama de fogo, … Fogo, porém, que não é o da terra. Tal estado é definitivo e sem fim, porque a alma humana é, por si mesma, imortal”.

2.3.3 – Redimir-se a si mesmo?

Ensinou Jesus a necessidade de conquistar a perfeição final por esforços e méritos pessoais?

Pe. Schönborg traça o seguinte quadro (Sch90):

“O que leva muitos de nossos contemporâneos a crer na reencarnação, é a impressão de que uma única existência terrestre é breve demais para poder ter o peso de uma decisão de alcance definitivo. É também a impressão de que nossos atos humanos, fortemente condicionados por múltiplas circunstâncias, não podem ter o caráter absoluto e definitivo que a tradição bíblica lhes atribui. Daí a tentativa de imaginar existências sucessivas, que permitirão corrigir o que tiver faltado no decorrer da vida presente. Este modo de ver, inicialmente, parece mais indulgente para com as fraquezas humanas, mas na realidade é de uma dureza desumana. Com efeito: deixa recair sobre o homem todo o peso de uma libertação, que na verdade ele só pode receber de Deus. Sim, na perspectiva da Reencarnação, é o homem, a sós, que deve obter o êxito de sua existência. Quem pode garantir que ele conseguirá melhores resultados na próxima reencarnação? Não será ele sujeito a fraquezas, como ele o é na vida presente ? … Mas talvez, o que ninguém quer, é sair do ciclo da sua própria vida! Não se pode, portanto, evitar a questão cruciante: a crença na Reencarnação não estará escondendo uma recusa profunda de ser salvo ? O que decide a nossa sorte definitiva não é a quantidade de nossos esforços, a soma de nossos atos, a qualidade de nossos êxitos, mas unicamente isto: Estamos abrindo a porta àquele que bate e que quer entrar para nos dar a vida eterna ? Mas, para ouvir aquele que bate à nossa porta (cf. Ap 3, 20), é preciso querer ser salvo.

Pouco importa que uma vida seja longa ou breve; o que é decisivo para a nossa salvação eterna, não depende do número de nossos atos, mas unicamente do fato de que acolhemos o amor salvífico de Cristo. Este não quer outra coisa senão salvar todos aqueles que desejam ser salvos, mesmo que seja um desejo dos últimos instantes de sua vida: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu reino!’ (Lc 23, 42)”.

E Frei Boaventura Kloppenburg complementa (Klo90):

“A nossa redenção por Cristo é a medula da vida neotestamentária. Está em todas as páginas. É a mensagem que os Profetas predisseram e os anjos anunciaram na primeira noite de Natal; é a mensagem de João às margens do Jordão e na qual o próprio Jesus insistiu; é sobretudo a mensagem que os apóstolos foram depois levar a todos os povos do mundo; é a mensagem mais cara que a Igreja nos conservou através dos séculos e que se tornou o símbolo do Brasil religioso e cristão: Cristo Redentor no alto do corcovado. ‘Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados. E não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo’ (I Jo 2, 2). ‘Vivo pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim’ (Gl 2, 20).

Tal como a entendem os cristãos, a salvação não consiste apenas no perdão dos pecados, mas, e principalmente, na comunicação da vida divina ou, como dizia São Pedro, na participação da natureza divina (I Pd 1, 4). Em virtude da redenção, nos é oferecida a possibilidade de sermos filhos de Deus, e se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, conclui São Paulo (Rm 8, 17). Daí este ensinamento do Concílio Vaticano II que se recolhe no decreto Ad Gentes (no. 8): ‘Ninguém por si só e com as próprias forças se liberta do pecado e se eleva acima de si próprio. Ninguém se desprende em definitivo de sua fraqueza, solidão ou servidão. Mas todos necessitam de Cristo exemplar, mestre, libertador, salvador, vivificador’. É a soteriologia cristã. A ela se opõe frontalmente a soteriologia reencarnacionista. Mas por isso mesmo deixa de ser cristã.

O Reencarnacionismo é visceralmente anti-cristão”.

2.3.4 – Independência do Corpo?

Ensinou Jesus uma vida definitiva independente da matéria ?

Dom Boaventura Kloppenburg assim nos responde (Klo90):

“Seria a negação da doutrina cristã sobre a ressurreição dos mortos. ‘Creio na ressurreição da carne’: é a profissão de fé desde os tempos apostólicos. São outra vez unânimes os reencarnacionistas em negar a Ressurreição. Neste ponto, a doutrina de Jesus também é clara e enfática:

‘Vem a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão a voz do Filho do homem e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma Ressurreição de vida, os que tiverem feito o mal, para uma Ressurreição de condenação’ (Jo 5, 28-29). E mais adiante declara: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia’ (Jo 6, 54)”.

2.4 – Problema Matemático que inviabiliza a Reencarnação:

Ralph Rath (Rat94 às paginas 51-53) nos dá explicações detalhadas:

“A reencarnação… liquida com a finalidade da morte e com o julgamento do Deus justo. Afirma que continuamos a renascer repetidamente, num ciclo quase interminável, tentando expiar a dívida de Karma que acumulamos. Por fim, se estamos desencarnados, expiaremos nosso Karma e nos alçaremos a um plano mais alto de existência acima do ciclo de Reencarnações. Há também o problema matemático para a reencarnação. A população mundial cresce rapidamente, mas os reencarnacionistas falam de pessoas atuais que viveram muitas vidas anteriormente. Isto simplesmente não funciona matematicamente. Em 1650, de acordo com o the World Almanac (o almanaque mundial), havia 550 milhões de pessoas na terra. este número subiu para 1,6 bilhões, em 1900 e a 2,56 bilhões, em 1950. Em 1987, a população mundial ultrapassava a marca dos 5 bilhões e continua crescendo. Simplesmente não haviam pessoas em quantidade suficiente nas gerações anteriores para se confirmar que as 5 bilhões de pessoas vivas hoje, tenham vivido anteriormente múltiplas vidas.

Expresso graficamente, assim teríamos o crescimento populacional mundial:” prossegue Ralph Rath: “De fato, a reencarnação parece desencorajar uma pessoa a ajudar outra necessitada. O pobre, o doente e o desamparado estão simplesmente pagando suas dívidas de Karma: vamos, portanto, deixá-los em paz. É porventura alguma surpresa saber que no Oriente a previdência e os serviços sociais são raramente vistos, exceto nos locais onde os cristãos missionários puseram as mãos (que saram) perguntou Bob Larson. ‘Ser um bom Samaritano de acordo com a reencarnação, apenas interferiria na ordem divina de punição kármica’. ‘A Índia tem problemas econômicos e sociais enormes’, observam Norman l. Geisler e J. Yutaka Amano. A questão do relacionamento entre a doutrina indiana do karma, o renascimento e os problemas sócio-econômicos daquele país pode ser vista como que relegada de mão em mão”. A Reencarnação tem sido também usada pelos adeptos da nova era para justificar o aborto.

A Reencarnação justifica, assim, uma protelação da “expiação de culpas” para reencarnações futuras, abrindo espaço para uma moral individual e social “mais frouxa”, onde a permissividade pode ganhar espaço.

2.5 – Razões de ordem bíblica:

Passemos ao exame de textos geralmente citados pelos Rencarnacionistas. 2.5.1 – João Batista e Elias, em Mt 17, 10-13 temos o diálogo sobre a vinda de Elias:

Ver. 10 – Os discípulos lhe perguntaram: “por que dizem os escribas que Elias deve vir antes?”
Ver. 11 – Respondeu-lhes: “Elias há de vir para restabelecer todas as coisas.
Ver. 12 – Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo, também o filho do homem está para sofrer da parte deles”.
Ver. 13 – Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista.

Comentário: os Judeus achavam que Elias não morrera (II Rs 2, 11.17), mas que fora arrebatado aos céus e que voltaria para revelar (apontar) o messias (Ml 3, 1.23-24). Quando João Batista começa a pregar e a batizar (Batismo de Remissão dos pecados => Jo 1, 25-26a) acham que ele é o Messias, o Cristo, mas como ele nega ser o Cristo (Jo 1, 19c-20), acham então, que ele é o Elias prometido (Ml 3, 23-24). Pois bem, com este pensamento perguntam a Jesus: “Por que dizem os escribas que Elias deve vir antes? (Mt 17, 10) e Jesus responde que: “Elias há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram…” (Mt 17, 11-12). Quando Jesus fala isto ele se refere ao profeta, aquele mensageiro corajoso e audacioso (que no A.T. era representado por Elias), prometido por Deus para preparar o seu caminho(Ml 3, 1), ou seja, João Batista (Jo 1, 22-23), aquele que, como Elias, estaria cheio do Espírito Santo (I Rs 17, 24 e Lc 1, 13-17). Como Eliseu foi o sucessor de Elias no A.T. (II Rs 2, 15b e I Rs 19, 15-16), João Batista seria o seu sucessor no N.T.: “Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista”(Mt 17, 13) e o que revelaria (apontaria) o Messias (Jo 1, 29-30.34-36). Para melhor nos esclarecer se João Batista era a “reencarnação” de Elias, nada melhor do que a própria palavra de Deus (II Tm 3, 14-17) e ninguém melhor do que o próprio João Batista que diz: “Pois então, quem és, perguntaram-lhe eles: ‘és tu Elias?’ disse ele: ‘não o sou…’ (Jo 1, 21).

2.5.2 – Jesus e Nicodemos: em Jo 3, 1-12 temos no diálogo com Nicodemos o tema do renascimento no espírito:

Ver. 1 – Havia entre os fariseus um, chamado Nicodemos, dos mais importantes entre os judeus.
Ver. 2 – Ele foi encontrar-se com Jesus à noite e lhe disse: “Rabi, bem sabemos que és um mestre enviado por Deus, pois ninguém seria capaz de fazer os sinais que tu fazes, se Deus não estivesse com ele”.
Ver. 3 – Jesus respondeu: “eu te afirmo e esta é a verdade: se alguém não nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus”. Ver 4. – Nicodemos perguntou: “como é que pode o homem nascer, quando já é velho? Porventura poderá entrar de novo no seio de sua mãe e nascer?”
Ver. 5 – Jesus respondeu; “Eu vos afirmo e esta é a verdade: se alguém não nascer da água e do espírito, não poderá entrar no reino de Deus. Ver. 6 – O que nasce da carne é carne; o que nasce do espírito é espírito.
Ver. 7 – Não te admires do que eu disse: é necessário para vós nascer do alto.
Ver. 8 – O vento sopra para onde quer e ouves sua voz, mas não sabes donde vem, nem aonde vai. Assim é quem nasceu do espírito”. Ver. 9 –

Nicodemos perguntou: “Como pode acontecer isso?”

Ver. 10 – Jesus disse: “És Mestre em Israel e não sabes estas coisas?
Ver. 11 – Eu te afirmo e esta é a verdade: nós falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas não recebeis nosso testemunho.
Ver. 12 – Se não acreditardes quando vos falo das coisas terrestres, como acreditareis quando eu vos falar das coisas celestes?”

Comentário: Em Jo 3, 3 o advérbio grego Ánothen, que por vezes é traduzido por “de novo”, reaparece em Mt 27, 51, para significar que, por ocasião da morte de Jesus, o véu do templo se cindiu Ánothen, isto é, de cima a baixo (e não “de novo”). Nicodemos não entendeu as palavras de Jesus, mantendo-se fiel aos ensinamentos judaicos que não admitiam a reencarnação. Jesus desfez a dúvida, explicando que não se tratava de um renascer no sentido biológico, mas sim de um nascer de outro modo: pela água e pelo espírito. Jesus tinha em vista o Batismo, que torna o homem filho de Deus (cf. Bet93).

Por isso o Sacramento do Batismo, instituído por Jesus Cristo (cf. Mt 28, 19; Mc 16, 16), mas negado pelos reencarnacionistas, foi sempre chamado de “Sacramento da Regeneração” (Klo90).

2.5.3 – Jesus e o cego de nascença – A desigualdade de sortes: Em Jo 9, 1-11 temos a cura do cego de nascença

Ver. 1 – Quando ele ia passando, viu um homem que era cego de nascença.
Ver. 2 – Os discípulos perguntaram: “Mestre, quem pecou, para este homem nascer cego, foi ele ou seus pais?”
Ver. 3 – Jesus respondeu: “nem ele nem seus pais, mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele.
Ver. 4 – É preciso que realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto durar o dia. porque vem a noite e então ninguém poderá trabalhar. Ver. 5 – Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
Ver. 6 – Tendo falado isto, cuspiu no chão, fez um pouco de lama com a saliva e untou os olhos do cego com ela, ordenando-lhe:
Ver. 7 – “Vai te lavar na piscina de Siloé” (palavra que significa enviado). Foi, lavou-se e voltou enxergando.
Ver. 8 – Os vizinhos e os que antes o conheciam como mendigo, diziam: “não é ele que vivia sentado a mendigar?”
Ver. 9 – uns diziam: “É ele mesmo”. Mas outros afirmavam: “Não é ele, não, e sim alguém parecido com ele”. E ele próprio afirmava:”Sou eu mesmo”.
Ver. 10 – Perguntavam-lhe então: “Como foi que teus olhos se abriram?”
Ver. 11 – Respondeu: “aquele homem chamado Jesus fez um pouco de lama, untou-me os olhos com ela e me disse: ‘Vai a siloé e lava-te. fui, lavei-me e comecei a enxergar’”.

Dom Estevão bettencourt explica (bet93):

“Os judeus julgavam que todo mal é conseqüência de um pecado. Por conseguinte, no caso de um cego de nascença, pensariam num pecado dos pais (que segundo a mentalidade do clã, seria punido sobre os filhos), ou no pecado do próprio cego: esta última hipótese deveria parecer-lhes absurda, pois sabiam que as crianças nascem sem ter cometido previamente nem bem, nem mal (cf. Rm 9, 11). Assim perplexos, lançaram suas interrogações a Jesus, sem se dar o trabalho de procurar terceira solução para o caso. Ora, Jesus respondeu sem abordar o aspecto especulativo da questão, elucidando diretamente a situação concreta que lhe apresentavam: nem uma hipótese nem outra, mas um desígnio superior de Deus (… para se manifestarem nele, cego, as obras de Deus)”. de resto, a escritura é diretamente contrária à reencarnação.

2.6 – A Proibição Divina da Evocação:

Dom Boaventura Kloppenburg (Klo90) assim explica: “A evocação ou a manifestação provocada das almas dos falecidos, que são os ‘espíritos’ do espiritismo, especifica, caracteriza e define o movimento suscitado por Allan Kardec. Sem evocação não há espiritismo. A evocação é a base da doutrina codificada por Allan Kardec. Entretanto, a evocação não foi inventada por Allan Kardec. A sua prática já era conhecida nos tempos do antigo testamento. As gentes no meio das quais vivia o povo judeu a conheciam e praticavam abundantemente. Mas o próprio Deus proibiu então severamente a evocação”. Assim, vejamos alguns textos bíblicos do A.T.:

Levítico 20, 2-3.6-8:

Ver. 2 – “Todo o que dentre os filhos de Israel, ou dentre os estrangeiros admitidos como hóspedes em Israel, der a Moloc um de seus descendentes será condenado à morte: o povo do país o apedrejará.
Ver. 3 – E eu me voltarei contra tal homem e o eliminarei do meio de seu povo, porque entregou um de seus descendentes a Moloc, contaminando meu santuário e profanando meu santo nome.
Ver. 6 – Se alguém se dirigir àqueles que evocam os espíritos e aos adivinhos para se prostituir com eles, eu me voltarei contra essa pessoa e a eliminarei do meio de seu povo.
Ver. 7 – Vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou Javé, vosso Deus.
Ver. 8 – Observareis minhas leis e as praticareis, pois eu sou Javé que vos santifica.

Levítico 20, 23.26-27:

Ver. 23 -Não seguireis os costumes das nações que eu vou expulsar de diante de vós; porque elas fizeram todas estas coisas e eu lhes tenho horror.
Ver. 26 -Sereis santos para mim, porque eu, Javé, sou santo, e eu vos tenho separado dos povos, a fim de que sejais meus.
Ver. 27 – Todo homem ou mulher que evocar os espíritos ou se der à adivinhação será condenado à morte: seu sangue recairá sobre eles.

Deuteronômio 18, 9-14:

Ver. 9 – Quando entrares no país que Javé, teu Deus, te der, não aprenderás a cometer as abominações daquelas nações.
Ver. 10 – Não se achará, entre ti, quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, quem se entregue à adivinhação, à astrologia, às feitiçarias e à magia
Ver. 11 – Quem recorra aos encantamentos, interrogue espectros e os espíritos e quem invoque os mortos.
Ver. 12 – Porque todo homem que pratica estas coisas é abominável para Javé, e é por causa dessas abominações que Javé, teu Deus, vai expulsar essas nações da tua presença.
Ver. 13 – Serás perfeito para com Javé, teu Deus.
Ver. 14 – Porque as nações que vais expulsar escutam astrólogos e adivinhos; mas Javé, teu Deus, não te permite isso.

Isaías 8, 19-20: Ver. 19 – Se vos disserem: ‘Consultai os espíritos do além e os adivinhos que cochicham e resmungam; um povo não deve acaso consultar seus Deuses e, para os vivos, consultar os mortos

Ver. 20 – para receber uma revelação e um testemunho?’ certamente é assim que se falará, porque não há aurora para ele.

Continua Dom boaventura Kloppenburg (klo90):

“A proibição Divina é clara, repetida, enérgica e severíssima. (…) Mas a Igreja por seu magistério oficial, nunca se pronunciou nem sobre a verdade histórica ou autenticidade, nem sobre a natureza, nem sobre a causa dos fenômenos mediúnicos ou próprios do Espiritismo. Por isso:

A. Nenhuma das várias interpretações propostas sobre a natureza ou a causa dos fenômenos mediúnicos – nem mesmo a interpretação espírita – foi censurada, rejeitada ou condenada pela Igreja;

B. Não corresponde à verdade dizer que a Igreja endossa oficialmente a interpretação que vê nos fenômenos mediúnicos uma intervenção preternatural do Diabo;

C. Jamais a Igreja proibiu o estudo ou a investigação científica dos fenômenos mediúnicos. O católico não está absolutamente proibido de estudar a metapsíquica ou a parapsicologia.

O que a Igreja faz, fez e continuará a fazer, por ser esta a sua missão específica, é recordar o mandamento divino que proibe evocar os falecidos ou outros espíritos quaisquer. Esta proibição vem de Deus, não da Igreja, que não tem nem autoridade nem competência para modificar ou revogar uma lei, determinação ou proibição divina”.

3 – Ressurreição:

Definição: é a recomposição do ser humano, separado pela morte, em corpo e alma, por Deus.

No antigo testamento já haviam referências à Ressurreição, como vemos em: Daniel 12, 2: Ver. 2 – Muitos dos que dormem no país do pó acordarão; uns para a vida eterna, e outros para o opróbrio, para o horror eterno.

II Macabeus 7, 9:

Ver. 9 – Estando prestes a dar o último suspiro, disse: ‘tu, execrável como és, nos tiras a vida presente, mas o rei do universo nos ressuscitará para a vida eterna, pois morreremos por fidelidade às suas leis’.

II Macabeus 7, 14:

Ver. 7 – Quase a expirar, disse: ‘Felizes os que morrem pela mão dos homens, conservando em Deus a esperança de ser ressuscitados por ele. Quanto a ti, não terás a ressurreição para a vida’. outras passagens citadas: Jo 4, 24; 2Mc 12, 43-46.

Donde se vê que já no século II A.C. a crença no Cheol (região subterrânea, em que os mortos se encontrariam inconscientes depois da morte) tinha cedido à crença na ressurreição dos mortos.

Dom Estevão bettencourt nos ensina a respeito do pensamento judaico pré-cristão (Bet92 à pág. 124):

“Ora, este não admitia a reencarnação das almas. Sendo esta doutrina professada por filósofos gregos, os judeus se fecharam a ela, pois eram infensos a qualquer tipo de sincretismo religioso. Foi nesse ambiente que Jesus pregou o seu evangelho”.

No N.T., todo o capítulo 15 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios é sobre a Ressurreição de Cristo e a nossa; são 58 versículos nos quais Paulo detalha as questões e dá respostas às dúvidas concernentes ao tema:

I Cor 15, 1-58:

1. Irmãos, chamo a vossa atenção para o Evangelho que vos anunciei, que recebestes, e no qual estais firmes.
2. Por ele também sereis salvos, se o guardardes como o anunciei a vós. Doutro modo, crestes inutilmente.
3. Eu vos transmiti principalmente o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as escrituras;
4. que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras;
5. que apareceu a Cefas, depois aos doze.
6. Em seguida apareceu, de uma só vez, a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maior parte vive ainda hoje, embora alguns tenham morrido. 7. Depois apareceu a Tiago, depois a todos os apóstolos.
8. E por último apareceu também a mim como a um filho abortivo,
9. Porque eu sou o menor dos apóstolos; nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus.
10. Mas pela graça de Deus sou o que sou e a sua graça para comigo não foi estéril, e trabalhei mais do que todos os outros – não eu, e sim a graça de Deus comigo.
11. Esta é a nossa pregação, tanto minha, quanto deles. E esta é a fé que recebestes.
12. Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de vós podem afirmar que não há ressurreição dos mortos? 13. Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou,
14. logo a nossa pregação é inútil e a vossa fé também é inútil.
15. E acontece até que somos falsas testemunhas de Deus, porque testemunhamos contra Deus, que ele ressuscitou a Cristo, quando de fato, ele não o ressuscitou, no caso de ser verdade que os mortos não ressuscitam.
16. Porque se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou.
17. E se Cristo não ressuscitou, vossa fé é sem valor e ainda estais em vossos pecados.
18. E assim os que morreram em Cristo também se perderam.
19. Somos os mais miseráveis dos homens se é somente para esta vida que esperamos em Cristo!
20. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.
21. Porque a morte veio por um homem e a ressurreição dos mortos veio por um homem também.
22. Como todos morreram em Adão, assim reviverão todos em Cristo.
23. Mas cada um na sua ordem: como primícias, Cristo, depois os que são de Cristo, na sua vinda.
24. Em seguida será o fim, quando ele entregar o reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo principado, toda dominação e todo poder.
25. Porque é preciso que ele reine até que tenha posto todos os inimigos debaixo de seus pés.
26. O último inimigo a destruir é a morte;
27. porque tudo pôs debaixo de seus pés. Mas quando ele disser: “Tudo lhe está submetido”, é evidente que será com exceção daquele que lhe submeteu todas as coisas.
28. E quando todas as coisas lhe estiverem submetidas, então também o filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.
29. Se não fosse assim, que pretendem alguns quando se fazem batizar pelos que já morreram? Se os mortos nunca ressuscitam, por que então se fazem batizar por eles?
30. E nós ? Por que é que vamos nos expor a toda hora ao perigo ?
31. Diariamente estou exposto à morte, irmãos, pela vossa glória, que eu possuo em Cristo Jesus nosso Senhor.
32. Se foi por motivos humanos que combati contra feras em Éfeso, de que me serve isto ? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos. porque amanhã morreremos.
33. Não vos enganeis: as más companhias corrompem os bons costumes.
34. Voltai à sobriedade, como é conveniente, e não pequeis, pois há alguns que não tem o conhecimento de Deus. Digo isto para vossa vergonha.
35. Mas, dirá alguém, como é que os mortos vão ressuscitar ? Com que corpo virão?
36. Louco! O que semeias não reviverá, se não morrer antes.
37. E o que semeias não é corpo a se formar, mas grão nu, de trigo, por exemplo, ou de qualquer outra planta.
38. E Deus lhe dá um corpo que bem entende, e a cada semente, o seu corpo apropriado.
39. Toda a carne não é a mesma carne, mas uma é a carne dos homens, outra a carne das feras, outra, a carne das aves, outra, a dos peixes.
40. Há corpos celestes e corpos terrestres; mas um é o esplendor dos corpos celestes, e outro o dos terrestres.
41. Um é o brilho do sol e outro o brilho das estrelas. E uma estrela brilha diferente de outra estrela.
42. Assim é também na ressurreição dos mortos: semeado na podridão, o corpo ressuscita incorruptível.
43. Semeado na humilhação, ele ressuscita glorioso. Semeado frágil, ressuscita forte.
44. E semeando um corpo animal, ressuscita um corpo espiritual. Como há um corpo animal, há também um corpo espiritual.
45. Do mesmo modo também está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito uma alma vivente: o Adão definitivo se tornou um Espírito que dá a vida.
46. Mas a ordem é esta: não vem em primeiro lugar o espiritual, mas sim o animal, e, depois, o espiritual.
47. O primeiro homem, vindo da terra, é terrestre; o segundo homem vem do céu.
48. Assim como foi o terrestre, assim vão ser também os terrestres. Como é o celeste, assim vão ser também os celestes.
49. E como trouxemos a imagem do terrestre, traremos também a imagem do celeste.
50. Irmãos, garanto o seguinte: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é destrutível herdar a indestrutibilidade.
51. E eu vos revelo um mistério: não morreremos todos, mas todos seremos transformados,
52. num instante, de repente, quando tocar a trombeta final; porque ela soará, e os mortos ressuscitarão indestrutíveis, e nós seremos transformados.
53. Portanto, é preciso que este corpo destrutível receba a indestrutibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade.
54. Quando este ser destrutível tiver assumido a indestrutibilidade e este ser mortal tiver assumido a imortalidade, então se cumprirá a palavra da escritura: a morte foi tragada na vitória.
55. Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está teu aguilhão?
56. O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.
57. Mas sejam dadas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.
58. Por isso, meus irmãos amados, sede firmes, constantes, progredi sempre na obra do Senhor, sabendo que o vosso esforço não é inútil no Senhor.

3.1 – O Ensinamento de Cristo é a Ressurreição:

Por vezes Jesus predisse a sua ressurreição, como por exemplo em :

Jo 2, 18-22

18. por isso os juDeus lhe pediram explicações: “que sinal nos apresentas para agir assim?”
19. Jesus respondeu: “destruí este templo e em três dias eu o construirei de novo”.
20. os juDeus replicaram: “levaram quarenta e seis anos para edificar este templo e tu serias capaz de reerguê-lo em três dias?”
21. porém ele dizia isto a respeito do templo de seu corpo.
22. quando ressuscitou dos mortos, os discípulos se lembraram do que ele falou e acreditaram na escritura e na palavra que Jesus tinha dito.

No Evangelho segundo João, Capítulo 11, versículos de 1 a 44, Jesus ressuscita lázaro em seu próprio corpo, para mostrar a importância da fé para Marta e para que os que o rodeavam acreditassem que Jesus é o enviado do Pai:

1. Aconteceu que estava doente um homem chamado Lázaro, de Betânia, o povoado de Maria e de Marta, sua irmã.
2. Maria era aquela que tinha ungido o senhor com bálsamo e enxugado os seus pés com os cabelos. Seu irmão, Lázaro, é que estava doente.
3. Então, as irmãs mandaram avisar Jesus. “Senhor, vê: aquele a quem amas está doente”.
4. Jesus ouviu, mas disse: “Esta doença não é para a morte mas para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja glorificado por ela”.
(…..)
17. Quando Jesus chegou, encontrou-o já sepultado havia quatro dias.
18. Betânia não fica a mais de três quilômetros de Jerusalém.
19. E muitos judeus, tinham ido para consolar Marta e Maria pela morte do irmão.
20. Marta, apenas ouviu que Jesus havia chegado, saiu a seu encontro. Maria continuava sentada, dentro de casa.
21. Marta disse a Jesus: “Senhor! se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido.
22. Mas, ainda agora, sei que Deus te concederá tudo quanto lhe pedires”.
23. Jesus lhe afirmou: “Teu irmão ressuscitará”.
24. Marta respondeu: “Sei que ele ressuscitará na Ressurreição que vai haver no último dia”.
25. Jesus lhe disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Todo aquele que crê em mim, mesmo se morrer, viverá;
26. e todo o que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Crês nisso?”
27. Ela respondeu: “Sim, Senhor, creio que és o messias, o filho de Deus que devia vir ao mundo”.
(…..) 32. Chegando Maria onde estava Jesus, logo que o viu caiu-lhe aos pés e disse: “Senhor! se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!”
33. Vendo que ela soluçava e também soluçavam os judeus que a acompanhavam, Jesus se comoveu profundamente, perturbando-se.
34. E perguntou: “Onde o puseste?” Responderam-lhe: “Senhor, vem e vê”. 35. Jesus começou a chorar.
36. Os judeus comentavam: “Vede como o amava”.
37. Mas alguns murmuravam: “Ele que abriu os olhos ao cego, não podia fazer com que este não morresse?”
38. Jesus ficou novamente muito comovido e foi até a sepultura. Era uma gruta com uma pedra por cima.
39. Jesus ordenou: “Tirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, lhe disse: “Senhor, já cheira mal, pois faz quatro dias que foi sepultado”.
40. Jesus lhe respondeu: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?”
41. Tiraram então a pedra. E Jesus levantando os olhos para o céu, disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste.
42. Bem sabia que sempre me ouves, mas digo isto por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste”.
43. Tendo dito isto, gritou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!”
44. O morto saiu: tinha as mãos e os pés enfaixados e o sudário amarrado em volta do rosto. Jesus disse então: “Tirai as faixas e deixai-o andar”.

3.1.1 – De que maneira? em Lc 24, 36-43.46, na aparição de Jesus a todos os discípulos, temos que Cristo ressuscitou com seu próprio corpo:

36. Estavam ainda falando, quando Jesus em pessoa apareceu no meio deles e lhes disse: “A Paz esteja convosco!”
37. Assustados e atemorizados, eles pensavam estar vendo um fantasma.
38. Mas ele lhes disse: “por que vos assustais e se levantam dúvidas em vossos corações?
39. Olhai para minhas mãos e meus pés: um fantasma não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho!”
40. Dizendo isto, mostrou-lhes mãos e pés.
41. Mas como hesitassem em acreditar, por causa da muita alegria, e continuavam espantados, Jesus lhes disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?”
42. Deram-lhe um pedaço de peixe grelhado.
43. ele o tomou e comeu na presença deles. (…..)
46 “Estava escrito que o Cristo iria sofrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, (…..)

Da mesma forma, nele, todos ressuscitarão com o seu próprio corpo de glória. Em Fl 3, 20-21 temos referência à nossa ressurreição:

20. A nossa cidadania está registrada nos céus, de onde esperamos ardentemente o senhor Jesus Cristo, como salvador,
21. ele transformará nosso corpo tão miserável, tornando-o conforme ao seu corpo glorioso, pelo poder que também o torna capaz de submeter a si todas as coisas.

3.1.2 – Quando?

A Ressurreição dos mortos está intimamente ligada à parusia do senhor Jesus Cristo (a sua segunda vinda) vejamos 1 Ts 4, 16: Ver. 16 – Isto porque o mesmo Senhor descerá do céu, quando for dado um sinal, o grito do Arcanjo, o toque da trombeta divina, e os mortos ressuscitarão primeiro pelo poder de Cristo.

Vejamos agora Jo 6, 39-40:

Ver. 39 – E é esta a vontade de quem me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que me deu, mas os ressuscite no último dia. Ver. 40 – Porque esta é a vontade de meu pai: que quem vê o filho e nele crê, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. A nossa Ressurreição será um acontecimento Eclesial em conexão com a parusia do Senhor, quando se completar o número dos irmãos (cf. Ap 6, 9-11) (cit94):
Ver. 9 – E quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido imolados por causa da palavra de Deus e do testemunho que haviam dado.
Ver. 10 – E eles gritavam em alta voz: “Senhor Santo e verdadeiro, para quando deixarás o juízo dos habitantes da terra e a vingança de nosso sangue?”
Ver. 11 – E foi dada uma veste branca a cada um deles e lhes disseram que repousassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros e irmãos que estavam para ser mortos como eles.

Entretanto, há imediatamente depois da morte, uma comunhão dos bem-aventurados com Cristo ressuscitado, a qual pressupõe uma purificação escatológica caso seja necessária (Purgatório), leiamos Rm 6, 23a ; Tg 1, 13b ; Ap 21, 27. Vejamos agora as seguintes passagens:

II Mac 12, 39-46:

Ver. 39 – No dia seguinte, os homens de Judas vieram, como o tempo o exigia, recolher os corpos dos que tinham caído, para os sepultar com seus parentes nos túmulos de seus antepassados.
Ver. 40 – Debaixo das túnicas de cada um dos mortos encontraram objetos consagrados aos ídolos do templo de Jâmia e que a lei proíbe aos Judeus. Tornou-se evidente a todos que fora aquela a causa de sua morte.
Ver. 41 – Bendisseram todos a ação do Senhor, o justo juiz que torna manifestas as coisas ocultas,
Ver. 42 – E puseram-se em oração, suplicando fosse inteiramente perdoado o pecado cometido. O valoroso Judas exortou o povo a conservar-se isento de pecado, pois tinha diante dos olhos o exemplo dos que morreram por terem cometido aquela falta.
Ver. 43 – Fez uma coleta entre os soldados e mandou a Jerusalém cerca de duas mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício expiatório. Ação muito justa e nobre, inspirada na crença da ressurreição!
Ver. 44 – Pois se não esperasse que os soldados caídos ressuscitassem, teria sido supérfluo e insensato orar pelos mortos.
Ver. 45 – Considerando, porém, que belíssima recompensa está reservada aos que morrem piedosamente, seu pensamento foi santo e piedoso.
Ver. 46 – Eis porque mandou oferecer aquele sacrifício pelos mortos, para que ficassem livres do pecado.

I Cor 3, 10-15:

Ver. 10 – Como um bom arquiteto, coloquei o alicerce, conforme a graça de Deus que me foi dada. E um outro constrói sobre ele.
Ver. 11 – Ninguém pode fazer outro alicerce além do que foi colocado, que é Jesus Cristo.
Ver. 12 – Se alguém constrói sobre este fundamento com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,
Ver. 13 – a obra de cada um vai se tornar manifesta. O dia a fará conhecer, porque virá com fogo, e o fogo provará a qualidade da obra de cada um.
Ver. 14 – Se a obra que alguém construiu sobre este alicerce resistir, ele receberá uma recompensa.
Ver. 15 – Se a sua obra se consumir, sofrerá a sua perda. Ele, contudo, será salvo, mas como que através do fogo.

À esta afirmação, contrapõe-se a teoria da “Ressurreição na Morte”. Na sua forma mais difundida, é explicada de um modo que acarreta grave detrimento ao realismo da ressurreição, ao afirmar uma ressurreição sem relação ao corpo que viveu e agora está morto. Os teólogos que propõem a ressurreição na morte querem suprimir a existência pós-mortal de uma “alma separada” que consideram como que um resquício do platonismo. É compreensível o temor que move os teólogos favoráveis à ressurreição na morte: o platonismo seria um desvio gravíssimo da fé cristã (…..) Por outro lado, no N.T., a parusia é acontecimento concreto conclusivo da história. Forçam-se os textos quando se pretende explicar a parusia como algo que aconteceria permanentemente, e não seria mais que o encontro do indivíduo, na sua própria morte, com o Senhor (Cit94).

3.2 – A Ressurreição de Jesus Cristo é um fato real e não de ficção:

Todo assunto aqui tratado é de ordem bíblica para a Ressurreição de Cristo, a qual podemos afirmar que é a vitória do Senhor sobre a morte e o pecado. Este fato é a pedra de toque da mensagem de Cristo, conforme diz São Paulo. No entanto há vozes racionalistas que negam a realidade da ressurreição de Jesus, considerando-a como fruto da imaginação das mentes dos apóstolos. Consideraremos cinco pontos importantes sobre o caso:

3.2.1 – Primeiro ponto: os apóstolos não estavam predispostos a imaginar tal fato:

Para afirmar que a ressurreição de Jesus Cristo é um fato real e não de ficção, que é histórico e não um produto da imaginação dos apóstolos, podemos afirmar com certeza que os apóstolos não estavam predispostos a imaginar tal fato. É que para eles, o Deus salvador jamais poderia padecer numa cruz, não lhes passando essa idéia por suas cabeças. Era considerado um escândalo, conforme I Cor 1, 18.22-23.25, o Deus feito homem ser morto dessa maneira, já que ele era Deus:

18. De fato, a palavra da cruz é uma loucura para os que se perdem. Mas ela é o poder de Deus para os que se salvam. (…..)
20. Mas os judeus exigem milagres e os gregos buscam a sabedoria.
21. Nós, pelo contrário, anunciamos um Cristo crucificado, que é um escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. (…..)
25 Pois a loucura de Deus é mais sábia que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.
Consideravam o patamar mais elevado o de Deus, como ser superior, divino e não mortal.

E na aparição aos dois discípulos na viagem a Emaús, em Lc 24, 13-35:

13. no mesmo dia, dois deles viajavam para um povoado chamado Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém;
14. falavam sobre o que tinha acontecido.
15. Enquanto conversavam e discutiam, Jesus em pessoa aproximou-se deles, começando a acompanhá-los;
16. Mas os olhos deles estavam como que vendados, de sorte que não conseguiam reconhecê-lo.
17. Então lhes perguntou: “Que assunto estais discutindo enquanto caminhais?” eles pararam tristes.
18. Um deles chamado Cléofas, respondeu: “Por acaso és o único visitante em Jerusalém a ignorar o que se passou nesses dias?”
19. Ele perguntou: “Que foi?” e eles continuaram: “O que aconteceu com Jesus de Nazaré, que era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo povo.
20. Como os sacerdotes-chefes e os nossos dirigentes o entregaram para ser condenado a morte e o crucificaram.
21. Esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel; mas, além disto este é o terceiro dia desde que isso tudo aconteceu!
22. É verdade que algumas mulheres, das que estavam conosco, nos espantaram,
23. elas foram de madrugada ao sepulcro e não acharam o corpo. Voltaram dizendo que tinham aparecido anjos, assegurando que está vivo!
24. Muitos de nossos amigos foram ao sepulcro e acharam as coisas como as mulheres disseram: mas não o viram”.
25. Ele então lhes disse: “ó homens sem inteligência, como é lento o vosso coração para crer no que os profetas anunciaram!
26. Não era preciso que Cristo sofresse estas coisas para entrar na glória?”
27. E partindo de Moisés, começou a percorrer todos os profetas, explicando em todas as escrituras, o que dizia respeito a ele mesmo.
28. Quando se aproximaram do povoado aonde se dirigiam, Jesus fez como quem ia para mais longe.
29. Mas eles o forçaram a parar, dizendo: “Fica conosco, porque se faz tarde e o dia vai declinando”. Então, entrou no povoado para ficar com eles.
30. À mesa, ele tomou o pão e, recitando a fórmula da benção, o partiu e distribuiu entre eles.
31. Então é que os seus olhos se abriram e eles o reconheceram… Mas ele desapareceu da sua vista.
32. Disseram um ao outro: “não é verdade que o nosso coração ardia, quando nos falava pelo caminho e nos explicava as escrituras?”
33. Voltaram, naquela mesma hora, para Jerusalém. Acharam ali reunidos os onze e seus companheiros,
34. que lhes asseguraram: “É verdade! o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!”
35. Eles também contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como o reconheceram no partir o pão.

Transcrevemos a seguir parte do discurso do Papa João Paulo II proferido a 28 de abril de 1996 (JP296):

“O primeiro fato que os evangelhos registram é o sepulcro vazio. (…..) Todas as narrações evangélicas insistem sobre esta notícia da primeira hora, historicamente sólida. Se fosse desprovida de fundamento, não teria sido difícil contradizê-la. Contudo, foram as aparições de Cristo a experiência determinante. Uma experiência, sem dúvida, muito singular, mas completamente crível, considerando a confiança que merecem quantos nela foram envolvidos. Entre eles encontravam-se não só Pedro e os outros apóstolos, mas também um grande número de discípulos, homens e mulheres encontrados pelo ressuscitado em situações e circunstâncias diferentes, como testemunha também Paulo (cf. I Cor 15, 4-8). É suficiente pensar na santidade da sua vida, que para muitos se concluiu com o martírio, para excluir qualquer engano possível. Além disso, nada leva a pensar que fossem vítimas de exaltação mística ou de alucinação coletiva. Alguns deles, pescadores da Galiléia, estavam habituados à concretude, de modo que reagiram às primeiras notícias da ressurreição com compreensível ceticismo: é emblemático o caso do apóstolo Tomé. De resto, como se poderia supor um entusiasmo fácil em homens desiludidos e prostrados devido ao triste fim do seu mestre? Só a evidência de Cristo ressuscitado – por eles sensivelmente experimentado – explica de modo adequado como se tenham podido empenhar num anúncio tão provocatório, destinado a suscitar a violenta reação dos inimigos. Com efeito, ela não tarda a manifestar-se obrigando-os a subscrever com o sangue o seu fiel testemunho”.

3.2.2 – Segundo ponto: os apóstolos não podiam mentir:

Fato é que os apóstolos não podiam mentir porque eles eram severamente controlados pelos judeus. Se isto acontecesse, eles seriam condenados e mortos e sua pregação seria vã. Para ilustrar, podemos dar o exemplo da intervenção de Gamaliel para a libertação dos apóstolos que haviam sido presos, narrado no livro dos atos dos apóstolos, em At 5, 38-40:
38 “Por isso, agora vos digo: não façais nada contra estes homens. deixai-os em paz. porque, se este plano ou esta obra vem dos homens, fracassará na certa.
39 Mas, se vem de Deus, então nunca podereis destruí-la. Pois neste caso, estareis lutando contra Deus!” todos concordaram com ele. 40 Em seguida chamaram novamente os apóstolos e depois de surrá-los, ordenaram que nunca mais falassem em nome de Jesus. Por fim os soltaram.

Também em Jo 20, 19-23 na aparição aos dez discípulos, temos a expressão do medo dos apóstolos frente a perseguição dos judeus:

18. Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro depois do sábado, os discípulos estavam reunidos de portas fechadas, por medo dos judeus. Então Jesus entrou, ficou no meio deles, e disse: “A Paz esteja convosco!”
19. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Quando os discípulos viram o senhor, ficaram cheios de alegria.
20. Então Jesus lhes disse de novo: “A Paz esteja convosco! como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”.
21. Depois destas palavras, soprou sobre eles e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo.
22. Àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; àqueles a quem retiverdes, serão retidos”.

3.2.3 – Terceiro ponto: o sepulcro vazio:

A nota da bíblia Teb referente à perícope do sepulcro vazio, em Mc 16, 1-8, assim se apresenta (Leb89):
“É a constatação do sepulcro vazio unanimemente afirmada por todos os evangelhos! Jesus não está mais ali: ressuscitou! note-se a graduação crescente dos acontecimentos que vão criando impactos nas primeiras testemunhas da ressurreição do Senhor. a presença misteriosa de um personagem de branco é, biblicamente falando, uma presença divina ao acontecimento. – Não vos assusteis: ninguém fica inerte diante de alguma figura extraordinária. note-se a identidade perfeita da mesma pessoa: Jesus de Nazaré, o crucificado, é o mesmo que ressuscitou! também aqui a simplicidade narrativa do estupendo acontecimento é de insólita majestade. O sepulcro vazio: duas das mulheres foram ao enterro de Jesus, voltaram com outras ao mesmo local; mas o sepulcro estava vazio (…..)

O sepulcro vazio é a face oculta do evento da ressurreição de Jesus. Ressuscitou! É a afirmação lapidar de todos os evangelistas e de toda a pregação apostólica. A ressurreição de Jesus é o centro intencional do evangelho. Não foi o sepulcro vazio que provocou a fé (embora tenha ajudado), mas Cristo vivo, ressuscitado”.

O evangelho segundo João nos diz que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, que o colocou, junto com Nicodemos, numa sepultura nova, após a morte de cruz. Quando chegou o terceiro dia, o sepulcro foi encontrado vazio pelas mulheres que informaram os apóstolos. Pedro, tomando conhecimento deste fato, saiu a caminho do túmulo para verificar tal veracidade. Chegando lá, entrou, viu as ligaduras e voltou para casa. Em Lc 24, 1-12 temos:

1. No primeiro dia da semana bem de manhã, foram ao sepulcro com os aromas que tinham preparado.
2. Encontraram a pedra rolada para o lado da abertura do sepulcro.
3. Entraram e não acharam ali o corpo do senhor Jesus.
4. Não sabiam ainda o que pensar, quando apareceram dois homens com vestes brilhantes.
5. Cheias de medo, inclinaram o rosto para o chão. Eles disseram: “Por que procurais entre os mortos quem está vivo?
6. Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos do que vos dizia quando ainda estava na Galiléia:
7. É preciso que o filho do homem seja entregue às mãos dos pecadores, e crucificado, mas que ressuscite no terceiro dia!”
8. Aí, então, lembraram-se das palavras de Jesus.
9. Voltando do sepulcro, contaram estas coisas aos onze e a todos os outros.
10. Elas eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. As outras mulheres que estavam com elas também contaram as mesmas coisas aos apóstolos.
11. Mas eles achavam que essas palavras eram delírio e não acreditaram.
12. No entanto, Pedro se levantou e correu para o sepulcro. Mas, abaixando-se, só viu os panos de linho. Voltou para casa, admirado com o que tinha acontecido.
Também encontramos semelhante narração em Mt 28, 1-10 e em Jo 20, 1-10.

Em Mt 28, 11-15 temos a narração do suborno dos guardas pelos sacerdotes-chefes, para que eles dissessem que o corpo havia sido roubado enquanto dormiam:
10. Elas estavam a caminho, quando alguns dos guardas foram à cidade relatar aos sacerdotes-chefes tudo o que tinha acontecido.
11. Eles se reuniram com os anciãos e decidiram dar aos soldados uma boa quantia de dinheiro,
12. Com esta recomendação: “Dizei: os seus discípulos foram de noite roubar o corpo, enquanto estávamos dormindo!
13. E se por acaso isso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos que foi assim mesmo e tudo faremos para não serdes inquietados”.
14. Os soldados pegaram o dinheiro e agiram conforme as instruções recebidas. mas esse boato se espalhou entre os judeus e perdura até o dia de hoje.

3.2.4 – Quarto ponto: as aparições de Jesus Cristo ressuscitado:

A Irmã Maria Laura Gorgulho tece um comentário precioso (Gor95): “O que realmente levantou a ambigüidade do sepulcro vazio e deu origem a exclamação de fé dos apóstolos – ele ressuscitou verdadeiramente! – foram as aparições. as fórmulas mais antigas em I Cor 15, 3b-5 e em At 2 – 5 deixam entrever claramente, por sua formulação rígida e sem qualquer “Pathos” (paixão), que essas aparições não são visões subjetivas, produto da fé da comunidade primitiva, mas realmente aparições trans-subjetivas, testemunho de um impacto que se lhes impôs de fora. Nisso concordam todos os exegetas hoje, protestantes e católicos , mesmo os mais radicais”. Já vimos no Evangelho segundo São Lucas, em Lc 24, 36-43, a aparição a todos os discípulos, quando Jesus pede um peixe para comer, mostrando que possui corpo. Também já vimos a aparição de Jesus aos dois discípulos na viagem a Emaús, em Lc 24, 13-35, que também está descrita de maneira resumida em Mc 16, 12-13.

Em Jo 20, 11-18 temos a aparição de Jesus a Maria Madalena:

11 Maria contudo, ficou fora chorando, perto do sepulcro. enquanto soluçava, inclinou-se para o túmulo,
12 E viu dois anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira, outro aos pés do lugar onde o corpo de Jesus tinha sido depositado.
1. Perguntaram-lhe: “Mulher, por que choras?” ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”.
2. Dizendo isso, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, mas não percebeu que era ele.
3. Jesus disse: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Ela o confundiu com o jardineiro e lhe pediu: ” Senhor, se fostes tu que o levaste, disse-me onde o puseste para que eu vá buscá-lo!”
4. Jesus lhe disse: “Maria!” ela, voltando-se, falou-lhe em hebraico: “Rabbuni”, que significa “mestre”.
5. Jesus disse: “Não me segures mais, pois já não estou glorificado face ao pai? Vai, porém, procura meus irmãos para lhes dizer: “Subo para meu pai e vosso pai, meu Deus e vosso Deus”.
6. Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Vi o senhor!” e contou o que Jesus tinha dito.

Em Jo 20, 19-23, já vimos a aparição de Jesus aos dez discípulos. E é também no evangelho segundo João que encontramos a aparição de Jesus ressuscitado a alguém que não tem fé na ressurreição do senhor, Tomé, em Jo 20, 24-29:
18. Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando Jesus veio.
19. Os outros discípulos lhe disseram: “Vimos o Senhor”, mas ele respondeu: “Se não vir nas suas mãos as feridas dos pregos, se não puser nelas meu dedo e não colocar minha mão no seu lado, não acreditarei!”.
20. Oito dias depois, os discípulos se achavam de novo na casa, e Tomé com eles. Jesus entrou, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e os cumprimentou: “A paz esteja convosco!”.
21. Depois, disse a Tomé: “Mete aqui o teu dedo e olha minhas mãos; levanta tua mão, mete-a no meu lado e crê, e não sejas incrédulo.” 22. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”
23. Jesus lhe disse: “porque me viste, Tomé, acreditaste. Bem-aventurados os que acreditam sem ter visto!”

Pe. Ignace de la Potterie, do Pontifício Instituto Bíblico, de Roma, analisa Jo 20 (Pot96):

“No capítulo 20 do Evangelho segundo João, o das aparições de Jesus saído do sepulcro, percebe-se mesmo a nível lexical que a fé no ressuscitado nasce do ver, do constatar com os olhos sinais tangíveis da sua ressurreição como fato histórico. O verbo ver, nos seus vários significados expresso pelas várias formas gregas, aparece 13 vezes em apenas 25 versículos”.

E também aqui em Jo 20, 29 encontramos uma lição e também um prêmio: “Bem-aventurados os que acreditam sem ter visto!”.

3.2.5 – Quinto ponto: a ressurreição do Senhor Jesus Cristo é um fato histórico:

A 21 de abril de 1996, Papa João Paulo II proferiu o seguinte discurso (JP296):

“Quem havia condenado Jesus, tinha ilusão de que sufocara a sua causa, sob uma gélida pedra sepulcral. Os próprios discípulos abandonaram-se à sensação de um fracasso irreparável. Compreende-se, pois, a sua surpresa, e até mesmo a sua desconfiança, diante da notícia do sepulcro vazio. Mas o ressuscitado não tardou em fazer-se ver, e eles renderam-se a realidade. Viram e acreditaram! (…..) a ressurreição de Cristo é a força e o segredo do cristianismo. Não se trata de mitologia ou mero simbolismo, mas de um evento concreto. Confirmam-no provas certas e convincentes. O acolhimento desta verdade, embora seja fruto da graça do Espírito Santo, apóia-se ao mesmo tempo sobre uma sólida base histórica. (…..)”

Dom Estevão Bettencourt (Bet94) nos apresenta com clareza esta questão:

“Há aqueles que, embora aceitem o que acaba de ser exposto, afirmam que a ressurreição de Jesus não foi um fato histórico. E por que? · Porque ninguém a viu ou a presenciou.

· Respondemos que, na verdade, ninguém viu Jesus ressuscitar na manhã do domingo de Páscoa; os apóstolos encontraram o sepulcro vazio. Todavia não se vê porque restringir o conceito de histórico aos fatos atestados por testemunhas oculares e auriculares. Mais exato é definir como histórico todo evento que ocorre no tempo e no espaço. Ora a ressurreição de Jesus aconteceu no tempo e no espaço; por isto deve ser tida como fato histórico. (Imaginemos o caso de alguém que morre a sós durante a noite, sem a presença de um acompanhante, ou de um suicida que se esconde para pôr fim à sua vida ….. Pode-se dizer que não são fatos históricos? Parece absurdo afirmar tal coisa, visto que são fatos ocorridos no tempo e no espaço). A Ressurreição de Cristo, embora se tenha dado sem testemunhas e no plano dos acontecimentos milagrosos, deixou na história os seus sinais ou os seus rastros a partir dos quais se cria a certeza moral, a certeza própria da historiografia – de que Jesus ressuscitou”.

E a Irmã Maria Laura Gorgulho acrescenta (Gor95): “Estudos sérios dos exegetas nos permitem afirmar que as aparições na Galiléia são historicamente seguras. Quanto ao modo destas aparições, os evangelhos transmitem-nos os seguintes dados: são descritas como uma presença real e carnal de Jesus. Ele come, caminha com os seus, deixa-se tocar, ouvir e dialoga com eles. Sua presença é tão real que pôde ser confundido com um viandante, com um jardineiro e com um pescador. Ao lado disso, há fenômenos estranhos: aparece e desaparece. atravessa paredes (…..) De tudo isso, algo resulta claro: a Ressurreição não é nenhuma criação teológica de alguns entusiastas pela pessoa do nazareno. A fé na ressurreição é fruto de um impacto sofrido pelos apóstolos com as aparições do Senhor vivo. Eles foram surpreendidos e dominados por tal impacto que estava fora de suas possibilidades de representação. Sem isso, jamais teriam pregado o crucificado como sendo o Senhor. Sem ‘essa alguma coisa’ que aconteceu em Jesus, jamais teria havido Igreja, culto e louvor ao nome desse profeta de Nazaré e muito menos o testemunho máximo por esta verdade, dado pelo martírio de muitos da Igreja primitiva.”

– Testemunhos dados no Novo Testamento:

· No sermão de Pedro em Pentecostes, em At 2, 14.32:
14 Então Pedro, de pé e cercado pelos onze, em voz bem alta lhes falou: “Homens da Judéia e vós todos, habitantes de Jerusalém! Ficai sabendo bem o que se passa e prestai atenção às minhas palavras. (…..)
32. Foi a este Jesus que Deus ressuscitou. E disso todos nós somos testemunhas”.

· Na pregação de Pedro na “Colunata de Salomão”, em At 3, 14-15:

14 Vós porém rejeitastes o Santo e o justo, pedindo em troca a libertação de um assassino.
15 Sim, matastes o autor da vida, mas Deus o fez ressurgir dentre os mortos. Disso nós somos testemunhas.
· No sermão de Pedro na casa de Cornélio, em At 10, 37-42:
37 Vós mesmos já sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, desde a Galiléia, depois do batismo anunciado por João.
38 Sabeis como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder dos milagres a Jesus de Nazaré, que andou por todo lugar, fazendo o bem e curando todos os que o Diabo tinha escravizado; é que Deus estava com ele.
39 Nós mesmos somos testemunhas de tudo quanto fez na terra dos judeus, principalmente em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. 40 Mas ao terceiro dia, Deus o ressuscitou e fez com que se manifestasse,
41. não a todo o povo, mas somente a testemunhas já antes escolhidas por ele, isto é, a nós que com Jesus comemos e bebemos depois que ele ressuscitou dos mortos.
42. foi ele que nos mandou pregar ao povo e dar testemunho de que ele foi constituído por Deus como juiz dos vivos e dos mortos.

“Como se vê, a ressurreição ao terceiro dia é inserida entre os fatos históricos de que os apóstolos e seus ouvintes são testemunhas. É verdade que a certeza moral – a certeza da historiografia – ainda não é a certeza da fé. A fé pertence a outro plano; tem sua origem e sua motivação decisiva na atração interior que Deus exerce sobre a pessoa que ele chama a fé. Todavia a certeza moral fornece à razão do homem, fazendo que a adesão à fé na ressurreição seja um ato razoável, inteligente, digno, e não cego ou infantil, imaturo.” (bet94)

· Jesus se revela a Saulo e aos homens que o acompanhavam na viagem a damasco, em At 9, 3-7:

3 Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, de repente uma luz do céu o envolveu em seu clarão.
4 Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”
5 Ele perguntou: “Quem és tu, Senhor?” Este respondeu: “Eu sou Jesus, a quem persegues.
6 mas levanta-te e entra na cidade. Ali te será dito o que deves fazer”.
7 Os homens que viajavam com ele pararam mudos de espanto; ouviam a voz, mas não viam a ninguém.

E justamente neste momento se dá a conversão de Saulo.

Um caso singular: o testemunho de Flávio Josefo, historiador judeu Flávio Josefo, historiador Judeu do tempo dos apóstolos, relata em sua obra Antiguidades XVIII, 63-64 (Jos86):

“Nesta época viveu Jesus, um homem excepcional, pois realizava coisas prodigiosas. Mestre de pessoas que se mostravam totalmente dispostas a dar boa acolhida às doutrinas qualificadas, conquistou para si muita gente entre os judeus e até mesmo entre os helenos. Quando, denunciado pelos nossos chefes religiosos, Pilatos o condenou à cruz, aqueles que a ele se haviam afeiçoado desde o princípio não deixaram de amá-lo, porque lhes aparecera ao terceiro dia, novamente vivo, como os divinos profetas o haviam declarado, acrescentando ainda mil outras maravilhas a seu respeito.”

Esta é a narração de um historiador judeu, portanto de um não cristão, a respeito das aparições do senhor Jesus ressuscitado, aos apóstolos, ao terceiro dia. Ela é importantíssima, visto que provêm de um historiador, atestando assim a ressurreição do Senhor Jesus Cristo como um fato histórico, também para os não cristãos.

4 – Fenômenos mediúnicos à luz da Psicologia e da Parapsicologia

4.1 – O que é um fenômeno?

Significa simplesmente aquilo que aparece, que se mostra, que se revela. Os filósofos gregos originários entenderam por fenômeno o manifestar-se do ser das coisas.

Para Aristóteles, fenômeno é a manifestação do que é real, isto é, o ser que aparece. Logo, podemos dizer que os fenômenos realmente ocorridos são fatos.

 

4.2 – Como o fenômeno pode ser classificado?

Constatamos que a nossa realidade não é a única que nos cerca, isto é, a realidade dita natural, mas que existe uma realidade que nos ultrapassa a razão, ao mesmo tempo em que nos questiona: é a realidade sobrenatural. Os fenômenos podem ser classificados da seguinte maneira:

· Físicos => quanto à origem natural, as leis da natureza explicam e regem seus fenômenos: maremotos, terremotos, erupções vulcânicas, ciclones, tempestades, “el niño”, “la niña”, etc.

· Psíquicos => quanto à origem psíquica, o fenômeno resulta das faculdades humanas (Inteligência, Vontade, Memória). A Parapsicologia é a ciência que tem por objetivo a constatação e análise dos fenômenos que, a primeira vista são ditos inexplicáveis.

· Metafísicos => quanto à origem sobrenatural, é dito sobrenatural tudo aquilo que a ciência não possui condições de explicar cabalmente, mas também não pode negar o fato. Ex.: O milagre comprovado cientificamente como tal.

4.3 – Qual o benefício da ciência Parapsicológica?

Buscar e proporcionar a verdade sobre a pessoa humana, libertando-a de superstições e medos, desalienando-a para o compromisso sócio-político e ajudando-a a criar uma postura de soberania de si, isto é, de autodomínio.

4.4 – Como podem ser “explicados” os fenômenos?

A explicação nem sempre é o que ocorre, mas poderíamos dizer a forma de serem encarados por um homem ou um grupo, que se posiciona diante do fenômeno. Sendo assim, podem ser encarados da seguinte maneira: Pelo mito; pela religião; pela filosofia; pela ciência.

O Mito:

“A primeira característica do mito é a de este se apresentar como narrativa, fala, história – o termo Mýthos, em grego, significa palavra, discurso, ação de recitar, mensagem, anúncio. Relata grandes eventos, grandes feitos dos antepassados, dos Deuses, dos heróis. E, quando o mito é contado merece a adesão por parte daqueles que o ouvem; é verdadeiro e deve ser aceito como tal. Distingue-se da lenda, considerada uma narrativa não verídica.”

Então, na Grécia Antiga, o mito é a forma mais comum de manifestar o mistério, o desconhecido. Busca responder dando explicações para a origem do homem e da natureza, originando as várias cosmogonias. contudo, a mitologia não resolve o problema do homem. O que ele faz é justificar as paixões dos homens, atribuindo-as aos Deuses, pois neles estão as mesmas contradições dos homens: vida e morte; vitória e derrota; ascensão e queda. A vida dos homens é um reflexo-repetição da vida dos Deuses, que influenciam na vida e no destino dos mortais.

A Religião:

Desde a antiguidade, por Religião, entende-se a relação do homem com Deus, com o divino ou com aquilo que ele não consegue entender e denomina mistério. O homem, em relação a Deus na religião, toma a atitude de quem se sente desafiado, de quem experimenta um apelo, um chamado que exige uma sua resposta. Já do ponto de vista humano, a religião, é a tentativa do homem de alcançar, no além de si, as respostas para as suas inquietações, através do culto com seus ritos e sacrifícios, a fim de aplacar a ira dos “Deuses” e deles obter os seus favores.

A Religião então realiza-se na existência humana, visto que o homem é religioso por natureza, pois carrega dentro de si “um sinal” que não deu a si mesmo, mas que por ele é percebido como um chamado a uma relação, onde o apelo de Deus e a resposta humana verificam-se na existência do dia a dia.

Todo verdadeiro filósofo praticava a religião como virtude, visto que reconhecia o absoluto como o princípio e o fim de todas as coisas, por isso nele tem origem os direitos e deveres do homem. Por isso, a Religião é o dar devido culto (matéria) a Deus (finalidade do culto).

A Filosofia:

A busca do saber, por suas causas últimas através do uso da razão, permite a Filosofia possuir elementos essenciais que a caracterizam e a diferenciam da mitologia. Estes elementos são três, a saber:

A. Conteúdo (que quer?): a filosofia busca o Arché, isto é, o princípio de todas as coisas. Assim, o conteúdo da filosofia é global e a tudo abarca, divergindo do mito que possui um conteúdo parcial da realidade.

B. Método (como quer?): o método da filosofia é a reflexão racional rigorosa, enquanto que o método do mito é a narração “fantasiosa”: Por ex.: O destino dos homens está escrito nos astros.

C. Finalidade (para que quer?): este elemento é duplo:

1o) Teorética: é o contemplar a verdade, independente dos interesses particulares, como ocorre no mito.
2o) Prática: é a transformação da vida segundo a verdade contemplada, isto é, a configuração a ela.

4.5 – Qual a postura a assumir diante de um Fenômeno?

· Existem aqueles que vão logo duvidando: são os céticos;

· Existem aqueles que logo vão afirmando: são os acríticos;

· Existem aqueles que vão logo negando: são os negativistas;

· Existem aqueles, porém, que se dispõem a estudar e a pesquisar: são os cientistas;

· Mas existem também aqueles que se aproveitam da fé do povo para explorá-lo: são os Charlatões: magos, bruxas, feiticeiros, maus pastores etc.

4.6 – A Preocupação com a Psiqué humana:

O nosso século está marcado pelas pesquisas nos campos Psicológico e Psiquiátrico. Há, sem dúvida, grandes avanços nesta área e que muito tem contribuído para um conhecimento aprofundado sobre o ser humano e suas capacidades psíquicas.

Basta enumerar as diversas escolas que surgiram:

Behaviorismo (Skinner; Estímulo-resposta: Comportamento);

Geltaltismo (Bretano e outros; Teoria da Forma: além do comportamento é necessário perceber os estímulos);

Psicanálise (Freud; Hipnose, Análise, Aparelho psíquico: Id, Ego e Superego; mais tarde falará da divisão do aparelho psíquico em inconsciente, subconsciente e consciente).

Carl Gustav Jung descobriu que existe dentro do nosso sistema psíquico um núcleo de onde emana a Ação Reguladora, que ele chamou de Self: totalidade absoluta da Psiché, diferenciando-a do ego, que é apenas uma parte do nosso aparelho psíquico.

A mente humana se divide em: Inconsciente(“Id”), Subconsciente e Consciente. O Iconsciente, por sua vez se divide em Ego e Superego

O Ego é o centro da zona consciente da Psiqué. Pode ocorrer que no ser humano surja uma figura interior emergente, provocada por ações fortes do inconsciente. Esta figura emerge como uma personificação feminina do inconsciente do homem: denominada Anima; ou como uma personificação masculina do inconsciente da mulher: denominada Animus.

Faz-se necessário uma clarificação: Instinto x Arquétipo

Instinto: impulsos fisiológicos percebidos pelos sentidos;

Arquétipos: os instintos podem manifestar-se como fantasias, reveladas através de imagens simbólicas, que podem se repetir em qualquer época e em qualquer lugar do mundo.

Exemplo mais comum: “Dr. Fritz”, na Alemanha, no Brasil, na China etc.

4.7 – Classificação de alguns fenômenos parapsicológicos que descartam a possibilidade da Reencarnação:

4.7.1 – Fenômeno da Letargia (suspensão da ação):

Questão: Recordação de existências passadas, mudança da voz e da personalidade. Em sono hipnótico, o inconsciente aflora revelando a gama de dados que nele estão armazenados, pois dos conhecimentos adquiridos desde a infância, correspondente, por assim dizer, a 8/8, somente 1/8 está no consciente

No curso de Escatologia de Dom Estevão (Bet96) temos às págs. 29-30: “Há pessoas que, em sono hipnótico ou em transe, recebem a ordem de narrar sua vida pregressa e, de fato, relatam episódios ou mesmo enredos de vida que bem parecem corresponder a uma encarnação anterior…. Por efeito de um choque psicológico forte, as noções latentes podem aflorar à mente e combinar-se de muitas maneiras, dando ocasião a que o indivíduo fale e proceda como se houvesse mudado de personalidade. É o que se verifica, por exemplo, quando alguém é colocado em estado de transe: um hipnotizador que possua domínio sobre o seu paciente, pode sugerir-lhe que experimente as situações mais estranhas e ridículas… E, se o hipnotizador insistir, conseguirá que o paciente ‘ultrapasse o limiar da vida presente’, contando episódios de uma vida anterior à atual, episódios que, uma vez analisados, se evidenciam como fatos ocorridos ao hipnotizado na existência atual, mas diversamente associados entre si pela fantasia… Da mesma forma, o operador poderá fazer que o paciente antecipe o futuro ou a velhice, tomando a voz rouca e trêmula de um ancião… Em geral as pessoas que dizem recordar-se de suas existências passadas, apresentam-se como personagens importantes. O observador Douglas Home declarava que já tivera a honra de encontrar ao menos doze Maria Antonieta, Rainha da França, seis ou sete Maria Stuart, Rainha da Inglaterra, multidão de São Luís e outros reis, uns vinte Alexandres e Césares, nunca, porém, se defrontara com personagens insignificantes… Ora quem entra numa clínica de doentes mentais tem fácil oportunidade de conversar com muitos ‘vultos eminentes’ da história passada. As pretensas afirmações de reencarnação não serão, pois, em vários casos, expressões requintadas da megalomania de indivíduos psicopatas ?”

4.7.2 – Fenômeno da Paramnésia (o que está ao lado – Para – da memória – Anámnesis)

É um conhecimento latente que pode aflorar a qualquer momento que despertado.

Questão: já estive aqui antes; conheço este lugar.

A. presente gravado no inconsciente;
B. presente em fotografias;
C. semelhanças de objetos, pessoas e lugares;
D. hiperestesia; o nosso inconsciente pode ler o inconsciente de outrem. por isso alguém pode: reconhecer pessoas, objetos, lugares.

“um eu percebe inconscientemente o que outro vira conscientemente e trazia latente no seu inconsciente”

4.7.3 – Fenômeno da Hiperestesia:

Pode ser Direta ou Indireta.

Direta: transmigração dos sentidos para outras partes do corpo. O cérebro responde causando a (sensação) alucinação a modo de sensação em outras partes do corpo. ex.: ver com os ouvidos ou com as pontas dos dedos; cheirar com o queixo. Esta alucinação, no fundo, é força psíquica.

Indireta: é a capacidade de captar sinais sensíveis que um sujeito libera e que outra pessoa sensível é capaz de captar, geralmente, de modo inconsciente. Isto é possível porque, por experiência, está se chegando à constatação de que: todo ato psíquico produz um reflexo físico, que se irradia pelo corpo e suas partes. A pessoa sensível poderá dizer as idéias e os sentimentos que o sujeito concebeu.

4.7.4 – O Transe e a Psiqué humana na Umbanda: o fenômeno da incorporação:

Na umbanda é dito mediunidade a capacidade de receber os Orixás e demais Entidades, que não são almas, mas forças da natureza.
O que ocorre durante um transe ou incorporação é produzido pela própria alma, através do seu psiquismo subconsciente ou inconsciente, gerado, consciente ou inconscientemente, por uma educação, rituais de iniciação, ou sugestão oriunda da participação nos rituais espíritas, que impressionam àqueles que deles tomam parte, ou ainda pelo simples fato disto já ocorrer na cultura do nosso povo que é supersticioso por natureza, graças a sua desinformação sobre este e outros assuntos.

Quanto à possessão diabólica, é a posse das capacidades ou faculdades humanas, usadas sem liberdade do sujeito, a serviço do demônio.

5 – Conclusão:

Nas palavras de Dom Estevão Bettencourt (bet93):

“Na base destas considerações, pode-se afirmar que a doutrina da Reencarnação, apesar dos seus aspectos místicos, não se sustenta nem aos olhos da razão nem diante da psicologia e da experiência humanas.”

Diálogo Ecumênico com o Espiritismo?

O Concílio Vaticano II nos explica que por “Movimento Ecumênico” se entendem iniciativas e atividades que visam à união dos cristãos (Unitatis Redintegratio, n. 4b). um verdadeiro movimento ou diálogo ecumênico só é possível com aquelas Igrejas ou comunidades cristãs separadas da comunhão católica que efetivamente dão esperanças positivas de chegar outra vez à comunhão plena. Mas o espiritismo não é uma Igreja separada, nem mesmo pretende ser Igreja. Não somente não há nenhuma esperança de conseguir algum dia “comunhão plena” com os reencarnacionistas, mas semelhante comunhão não é nem sequer pensável (…..) O reencarnacionismo não é cristão e seus postulados fundamentais se opõem total e absolutamente à soteriologia cristã. E mesmo que se proclamassem cristãos, seria necessário dizer-lhes que em verdade não o são.

Em sua Declaração Oficial de 2 de janeiro de 1978, a Federação Espírita Brasileira, que é Kardecista, fez saber que “É imprópria, ilegítima e abusiva a designação de espíritas adotada por pessoas, tendas, núcleos, terreiros, centros, grupos, associações e outras entidades que, mesmo quando legalmente autorizados a usar o título, não praticam a doutrina espírita”, isto é, “O conjunto de princípios básicos codificados por Allan Kardec”. Pela mesma lógica se pode afirmar também que é imprópria, ilegítima e abusiva a designação de cristãos adotada por pessoas, centros, terreiros ou outras entidades que, mesmo quando legalmente autorizados a usar o título, não praticam a doutrina cristã.

Dom Boaventura Kloppenburg equaciona muito nitidamente o problema com o qual estamos nos defrontando. O alicerce da salvação proposta pelo cristianismo é a ressurreição de nosso senhor Jesus Cristo, enquanto que o Espiritismo (seja ele de que designação for: Kardecista, Umbandista) tem por alicerce a teoria da reencarnação. Ninguém pode aceitar ambas as concepções – ressurreição e “reencarnação” – sem perder a coerência, pois uma entra em choque com a outra. Dentro da própria Igreja católica encontramos imensas fileiras de “fiéis” que de muitas maneiras deixam “escapar” suas crenças na “reencarnação”, quando não a professam abertamente. Devemos, portanto, esclarecer os fiéis católicos que, por confusão, ignorância e/ou por desorientação terminaram por aceitar doutrinas reencarnacionistas. E Dom Boaventura nos chama a atenção para o fato de que: “O Silêncio e a atitude de tolerância, por vezes, pode ser um pecado de omissão e ter como conseqüência uma grei desatendida e dispersa.”

Várias foram as advertências conciliares acerca dos erros que permeiam as diversas doutrinas espalhadas pelo mundo. O Concílio Vaticano II exorta os leigos a “difundir e defender a fé” (Lumen Gentium – 11a.):
“Grassando na nossa época gravíssimos erros que ameaçam inverter profundamente a religião, este concílio exorta de coração todos os leigos que assumam mais conscientemente suas responsabilidades na defesa dos princípios cristãos” (Decreto Apostolicam Actuositatem – 6d.)”

É inevitável que tomemos uma atitude de defesa da fé, professada pela Igreja Católica Apostólica Romana, sem deixarmos de apresentar os resultados dos estudos nos campos da psicologia e parapsicologia, que nos fornecem o embasamento racional para a compreensão de alguns fenômenos ligados ao comportamento e à produção da mente humana.

Concluindo tomamos trechos do artigo de Pe. Ignace de La Potterie sobre a ressurreição do Senhor Jesus (Pot96): “Que o mistério tenha escolhido esta estrada para revelar-se, é o que mais provoca escândalo e cria objeção ao anúncio cristão mesmo dentro da Igreja hoje. Em 1970, realizou-se em Roma um grande simpósio internacional sobre o tema da Ressurreição, do qual tive a honra de participar. Paulo VI, no seu discurso durante a audiência aos congressistas, a um certo ponto abandonou o discurso preparado e, falando espontaneamente disse: “É importantíssimo, senhores, evidenciar o fato empírico e sensível das aparições pascais. Se não fazemos isso, nós cristãos corremos o grande risco de transformar o cristianismo em uma gnose”. Este é o grito de alerta daquele que foi o sucessor de Pedro na Igreja.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”(Jo 8,32)

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