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Leitor agradece Apostolado por tirar dúvidas sobre os ícones

“Estou admirado pela atenção, rapidez, profundidade e alinhamento da resposta com os ensinamentos da Santa Igreja. Não fazem idéia de como essas dúvidas vinham me atormentando. Mesmo lendo algumas passagens do Catecismo e já ter um tempo estudando a Doutrina, não conseguia entender alguns desses temas. Precisava que alguém me explicasse mesmo. Eis aí a força da WEB na Evangelização. Eis aí a força de um bom site católico. Eis aí uma boa idéia para nossas pastorais. Quem sabe uma idéia de curso de Catecismo para adultos “permanente” com o mesmo enfoque do trabalho de vocês. Recomendarei a quem puder o site de vocês (que descobri acidentalmente” mesmo pesquisando a Doutrina ha 3 anos…).  Fiquem com Deus.”

RESPOSTA

1) Estou entendendo que na ”Igreja do oriente” o ícone é um sacramental e acredita na presença pessoal do ”santo” nela representada? É isso mesmo? Essa igreja do oriente é a Ortodoxa? Antes do parágrafo que marquei de verde há até a afirmação de que o homem presta-lhe adoração! É isso mesmo que estou entendendo?!

Você fala a respeito desta parte do texto: “Para o Oriente, o ícone é um dos sacramentais, mais precisamente da presença pessoal[…]

Meu caro, isto não quer dizer que o santo esta presente dentro da imagem.  Uma relíquia, imagem, é um memória física, ou um objeto que tenha alguma relação com um(a) Santo(a), aos quais nós cristãos prestamos veneração ou reverência. Na Igreja sempre teve um valor muito grande, porque nos transporta a um momento histórico concreto como um resto, uma presença, uma passagem histórica. Portanto, não visa em nenhum momento afirmar que o santo esteja presente dentro da imagem, e sim que somos transportados a um momento histórico concreto, que nos remonta precisamente a vida real e presente que o santo teve nesta terra. O ícone nos apresenta um santo, testemunha a sua presença e exprime seu mistério de intercessão e de comunhão conosco e com toda a Igreja.

Vejamos o que diz a outra parte do artigo: “Certamente o ícone não tem realidade própria; em si, ele é somente uma prancha de madeira; é justamente porque ele tira todo seu valor teofânico de sua participação na Trindade, no «todo outro» por meio da semelhança, que ele não pode encerrar nada nele mesmo, mas irradia como que por irradiação esta presença. A ausência de volume exclui toda materialização, o ícone traduz uma presença que não pode ser localizada nem guardada(que não esta dentro da imagem), mas que irradia ao redor de seu ponto de condensação.”

Quando se diz prestar adoração – não é a imagem; Devemos sempre lembrarmo-nos que, por meio dos Santos, adoramos a Deus. Veja o que diz o resto do artigo:” O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. De fato, «a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original» (S.Basílio), e «quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada» (Conc. de Nicéia; Trento; Vaticano II). A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não adoração, que só compete a Deus. (CIC 2132)”

2) Pelo Catecismo não há presença real do santo na imagem, apenas sua representação são nela representadas para o qual lhe prestamos culto de veneração não é mesmo?

Isto mesmo, porém, como demonstrado anteriormente – em nenhum momento o artigo visa afirmar que a imagem é possuída pelo Santo.

3) Também diz que o Concílio Trento (aquele após a Reforma protestante) rejeitou o Dogma Iconográfico em função da própria Reforma Protestante (que era essencialmente iconoclasta, heresia já do 1º milênio D.C…). Então a Igreja já negou Dogma proclamado antes?!!! (Como fica a infalibilidade e a Assistência perene do Espírito Santo a sua Santa Igreja? O catecismo que temos hoje advém de uma mudança ocorrida no Concílio de Trento (impulsionada pela Reforma) sobre os ícones sagrados?! Antes desse Concílio e da Reforma, a Santa Igreja acreditava na presença das pessoas veneradas nos ícones? Está certo tudo isso?!

Quando, no século XVI, a arte entra em decadência, recoloca-se o problema das imagens no tempo da Reforma. O Concílio de Trento rejeita o ataque de idolatria, tentando disciplinar o movimento artístico cristão. O caminho, no Oriente, foi diferente, com duras lutas. O Concílio de Trento foi o concílio ecumênico mais longo da História da Igreja Católica. Foi também o concílio que “emitiu o maior número de decretos dogmáticos e reformas, e produziu os resultados mais benéficos”, duradouros e profundos “sobre a fé e a disciplina da Igreja”. Para opôr-se ao protestantismo, o concílio emitiu numerosos decretos disciplinares e especificou claramente as doutrinas católicas quanto à salvação, os sete sacramentos (como por exemplo, confirmou a presença de Cristo na Eucaristia), o cânone bíblico (reafirmou como autêntica a Vulgata) e a Tradição, a doutrina da graça e do pecado original, a justificação, a liturgia e o valor e importância da Missa, o celibato clerical, a hierarquia católica, o culto dos santos, das relíquias e das imagens, as indulgências e a natureza da Igreja. Regulou ainda as obrigações dos bispos.

Que eu saiba o Concilio Ecumênico de Trento (1562) diz que “deve-se ter e guardar notadamente nas igrejas as imagens de Cristo, da Virgem (…) e dos santos”. Para que se evitasse um retorno à idolatria, as autoridades cristãs fizeram questão de ressaltar a diferença entre a veneração de uma imagem, que remete a fé do cristão ao protótipo que ela representa, e adoração, que é um culto prestado unicamente a Deus.

A Igreja sempre venerou os ícones e os santos. Já os hebreus conservavam religiosamente as relíquias: Moisés levou do Egito o corpo de José (Ex. 13, 19); os cristãos imitaram-lhe o exemplo. Santo Inácio de Antioquia foi lançado no anfiteatro de Roma às feras, que lhe não deixaram senão ossos; os seus discípulos procuraram-nos de noite e levaram-nos para Antioquia (no ano 107). O mesmo se fez a S. Policarpo, bispo de Esmirna (166), queimado vivo; os seus restos foram considerados jóias preciosas. Os túmulos dos mártires foram, desde a mais alta antigüidade, os sítios onde se construíram Igrejas e altares para aí celebrar o Santo Sacrifício. Muitas relíquias se guardam em relicários de prata, como a Cruz de Cristo (“lignum crucis”) e o presépio de Belém.

4) Essa minha dúvida é nova e certamente devo estar misturando ”ícones sagrados” com ”teologia da presença”, mas negá-la não vai tirá-la, por isso te pergunto. Essa dúvida também me fez lembrar de outra: Por que benze-se imagens de Santos, Crucifixos, terços, se as imagens são ”simplesmente imagens”?

E não somente Deus manda separar estes objetos, mas exige que sejam “consagrados, bentos ou ungidos” com uma unção especial. Ele mesmo manda fazer o azeite da santa unção e diz: “E com ele ungirás a tenda da reunião e a arca do testamento, e a mesa com todos os seus vasos, o altar do incenso e a pia com a sua base” (Ex 30, 26-30) Eis a origem da benção dos objetos e das pessoas consagradas a Deus. E na categoria de objetos entram as imagens, as estátuas, que são objetos de culto, enquanto nos lembram as virtudes dos santos que representam.

5) No Catecismo nº 1671 diz que a Igreja também abençoa objetos (como documentos/chave do carro/carteira/fotos, etc) e também já li que maldição também pega em objetos. Mas qual seria o racional disso tudo se são apenas objetos? No caso do ”terço abençoado” não criaria uma dependência dele quando de seu uso (do objeto propriamente dito) e havendo o risco de cair-se em usá-lo como amuleto?

Nosso Senhor Jesus Cristo não só instituiu os sete sacramentos, como muitas vezes abençoava as pessoas. Por isso a Igreja, instituiu os chamados sacramentais, como as bênçãos de pessoas ou objetos que usamos na vida diária.

O uso de objetos benzidos ou consagrados purifica-nos dos pecados veniais — nunca dos mortais, que só podem ser perdoados pela confissão — e nos preserva das tentações e males corporais que poderiam prejudicar nossas almas. Os sacramentais nos são úteis sobretudo se estamos sem pecado mortal em nossas almas, e quando os usamos com confiança.

O incenso era utilizado como ritual desde o Antigo Testamento. Os capítulos 25 a 31 do Êxodo são a enumeração de todos os objetos que Deus manda fazer e reservar para o seu culto.

E não somente Deus manda separar estes objetos, mas exige que sejam “consagrados, bentos ou ungidos” com uma unção especial. Ele mesmo manda fazer o azeite da santa unção e diz: “E com ele ungirás a tenda da reunião e a arca do testamento, e a mesa com todos os seus vasos, o altar do incenso e a pia com a sua base” (Ex 30, 26-30) Eis a origem da benção dos objetos e das pessoas consagradas a Deus. E na categoria de objetos entram as imagens, as estátuas, que são objetos de culto, enquanto nos lembram as virtudes dos santos que representam.

Obs.: Quanto à questão de maldição em objetos espero que nos passe onde leu o artigo, para podermos analisar de forma devida e correta.

6) A mesma dúvida serve para as ”relíquias dos Santos”. Sei da passagem da mulher com hemorragia que encostou na roupa de Jesus e ficou curada, mas a dúvida persiste. Neste caso também não criaria-se uma utilização/dependência do usuário como se fosse um “amuleto”? Como fica finalmente, a questão de tratar-se tão somente de representação?

Relíquia é aquilo que resta dos corpos dos santos, ou os objetos que estiveram em contato com Cristo ou com os santos. As relíquias são veneráveis porque os corpos dos santos foram templos e instrumentos do Espírito Santo e ressuscitarão um dia na glória (Conc. de Tr. 25).

A palavra relíquia tem origem no latim reliquiae, resto. Uma relíquia é um memória física, fragmento de osso ou um objeto que tenha alguma relação com um(a) Santo(a), aos quais nós cristãos prestamos veneração ou reverência. Na Igreja sempre teve um valor muito grande, porque nos transporta a um momento histórico concreto como um resto, uma presença, uma passagem histórica. Outro valor que tem a relíquia é a relação física que o Santo teve com a Eucaristia, com o Senhor Deus, uma relação também sagrada. O valor do corpo de um baptizado, pela união da graça, é um corpo-templo do Espírito Santo. Mas o corpo de um Santo é ainda mais comunhão de graça com Deus, porque viveu na sua carne esta santidade, e o seu corpo foi habitado pela mesma Graça em maneira solene. A relíquia permite manter-nos quase em contacto com este corpo. Na história, as relíquias tiveram também um papel importante no combate contra o espírito do mal, porque a relíquia não é amada pelo diabo, pois é a realidade física que teve uma relação especial com a graça.

Sempre devemos manter a Hierarquia. O primeiro lugar ocupa a Eucaristia; depois temos a Palavra de Deus e finalmente as relíquias, incluindo as imagens sagradas, recordando que, as imagens são finalizadas para a oração.

É importantíssimo reconduzir à justa devoção pela relíquia, porém é fácil cair na superstição. A relíquia não é um amuleto. Então: vou à Igreja, primeiro ajoelho-me diante da Eucaristia, depois vou venerar o Santo, porque sinto a sua proteção. O Santo intercede por nós e nós podemos pedir ao Santo, por sua vez, que interceda junto do Senhor, fim último da nossa oração. Quando beijo a relíquia de um Santo é como se beijasse a misericórdia de Deus que se realizou naquele Santo. Quando oro diante do corpo de um Santo, agradeço a Deus que conduziu esta pessoa no caminho rumo à Santidade.

Já os hebreus conservavam religiosamente as relíquias: Moisés levou do Egito o corpo de José (Ex. 13, 19); os cristãos imitaram-lhe o exemplo. Santo Inácio de Antioquia foi lançado no anfiteatro de Roma às feras, que lhe não deixaram senão ossos; os seus discípulos procuraram-nos de noite e levaram-nos para Antioquia (no ano 107). O mesmo se fez a S. Policarpo, bispo de Esmirna (166), queimado vivo; os seus restos foram considerados jóias preciosas. Os túmulos dos mártires foram, desde a mais alta antigüidade, os sítios onde se construíram Igrejas e altares para aí celebrar o Santo Sacrifício. Muitas relíquias se guardam em relicários de prata, como a Cruz de Cristo (“lignum crucis“) e o presépio de Belém.

Santo Agostinho conta uma multidão de curas e a ressurreição de duas crianças obtidas na África do Norte pelas relíquias de S. Estevão. Já no Antigo Testamento vemos um morto ressuscitar ao contato dos ossos do profeta Eliseu (4 Reis, 13, 21).

Nada de estranho há nisso, pois ao simples tocar da veste do Messias, quantos não foram curados (Mt 9, 22)? A simples passagem da sombra de S. Pedro curava doentes (At 5, 15), ou os lenços e aventais de S. Paulo (At 19, 12). É evidente que o milagre não é produzido materialmente pelas relíquias, mas pela vontade de Deus. Não há, pois, superstição alguma nas peregrinações do povo cristãos a certos lugares em que Deus obra milagres pelas relíquias ou imagens dos santos (S. Agostinho).

Lembremo-nos que o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: Veneração das relíquias e religiosidade popular: §1674 A RELIGIOSIDADE POPULAR: Além da liturgia sacramental e dos sacramentais, a catequese tem de levar em conta as formas da piedade dos fiéis e da religiosidade popular.

O senso religioso do povo cristão encontrou, em todas as épocas, sua expressão em formas diversas de piedade que circundam a vida sacramental da Igreja, como a veneração de relíquias,  visitas a santuários, peregrinações, procissões, via-sacra, danças religiosas, o rosário, as medalhas etc.

Fiquem com Deus.

In corde Iesu et Mariae,
Mendes Silva – Apostolado Spiritus Paraclitus

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