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Leitor pergunta o que é blasfêmia contra o Espirito Santo?

Enviado por J. C. de Paula
Email : juli(xxxx)@hotmail.com
Religião: Católica Apostólica Romana
Estado: MG – Minas Gerais


Corpo da mensagem:

O que é a blasfêmia contra o Espirito Santo? Por favor eu peço mais orientações sobre isto. Realmente é o único pecado que não tem perdão? Como posso saber se blasfemei contra o Espirito Santo e que não obterei perdão? Desde já agradeço.

 

REPOSTA

“Desde o início até a consumação do tempo, quando Deus envia seu Filho, envia sempre seu Espírito: a missão dos dois é conjunta e inseparável.” – Catecismo da Igreja Católica, §743

Júlio ficamos muito felizes com a confiança depositada no apostolado, desde já pedimos que juntamente possamos vir a proclamar as Verdades da Fé Católica e, para isso, pretendemos ajudá-lo com sua dúvida e assim estimulá-lo a também ser um multiplicador de nossa fé.

1 A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Na primeira frase acima, do Catecismo, vemos a unidade que está consumada desde todo o tempo na Santíssima Trindade, não há a possibilidade então de separar um do outro e assim sendo na há possibilidade de negar um sem negar o outro. No diálogo que encontramos no Santo Evangelho de São Mateus vemos o que o próprio Cristo nos diz a respeito:

“Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o ESPÍRITO SANTO não será perdoada. Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem (JESUS CRISTO) lhe será perdoado, porém se disser contra o ESPÍRITO SANTO, não lhe será perdoado, nem neste mundo e nem no futuro”. (Mt 12, 31-32)

Neste diálogo levam um endemoninhado até Jesus e os fariseus o acusam de expulsar os demônios em nome do próprio Satanás. Na explicação que se segue posteriormente há todo o sentido do que significa esta correlação entre o conhecimento adquirido – em relação ao pecado contra o Espírito Santo – com a renúncia do mesmo, Jesus explica e ensina o que antes os fariseus não entendiam e/ou também não conheciam. Claro que Ele poderia ter feito isso em relação à Ele mesmo, sendo totalmente homem e totalmente Deus, porém isso traria um entendimento, por assim dizer, limitado acerca do que realmente significa a Santíssima Trindade na Pessoa do Espírito Santo, então Jesus diferencia as palavras contra o Filho do Homem (sendo homem, e por assim dizer, “limitado”) das palavras contra o Filho do Homem no Espírito Santo, pois nisso haveria consequências desastrosas acerca da fé: “O que está em Deus, ninguém o conhece senão o Espírito de Deus” (Cor 2,11). Nisto vemos as consequências acerca do conhecimento de Deus e todas suas Verdades, vamos então as explicações detalhadas a respeito e aquilo que os Doutores da Igreja e a Mãe Igreja nos ensina.

Como vimos acima naquilo que Jesus explica aos fariseus, o conhecimento do que se faz e de como se faz é a diferença entre o perdoável e o não perdoável quando refere-se ao Espírito Santo de Nosso Senhor, vejamos então o que é esse conhecimento e o porque de sua importância:

SANTO AGOSTINHO E O LIVRE ARBÍTRIO

Santo Agostinho nos ensina a importância da Boa Vontade para o alcance do conhecimento que é a sabedoria:

Portanto, penso que agora já vês: depende de nossa vontade gozarmos ou sermos privados de tão grande e verdadeiro bem. Com efeito, haveria alguma coisa (p.56) que dependa mais de nossa vontade do que a própria vontade? 28 Ora, quem quer que seja que tenha esta boa vontade, possui certamente um tesouro bem mais preferível do que os reinos da terra e todos os prazeres do corpo. E ao contrário, a quem não a possui, falta-lhe, sem dúvida, algo que ultrapassa em excelência todos os bens que escapam a nosso poder. Bens esses que, se escapam a nosso poder, ela, a vontade sozinha, traria por si mesma. Por certo, um homem não se considerará muito infeliz se vier a perder sua boa reputação, riquezas consideráveis ou bens corporais de toda espécie? Mas não o julgarás, antes, muito mais infeliz, caso tendo em abundância todos esses bens, venha ele a se apegar demasiadamente a tudo isso, coisas essas que podem ser perdidas bem facilmente e que não são conquistadas quando se quer? Ao passo que, sendo privado da boa vontade – bem incomparavelmente superior -, para reaver tão grande bem, a única exigência é que o queira! – Santo Agostinho, Livre Arbítrio, Livro I §26

Essa Boa Vontade a que se refere Santo Agostinho é a mesma que faltava aos fariseus naquele diálogo, pois estavam mais interessados em acusar Cristo, em cima disso então Jesus os ensina para que essa Boa Vontade possa ser liberada em seus corações, posto que ainda não a conheciam de fato. Muitos dos que conhecemos hoje ainda encontram-se como aqueles fariseus e por isso continuam a blasfemar contra o Espírito Santo. Esta Boa vontade e por conseguinte o conhecimento da Sabedoria nos dá o real entendimento acerca do que conhecemos como Livre-Arbítrio que nos concede a possibilidade (e não o Direito) de escolhermos entre fazer o bem e fazer o mal, entre a aceitação ou a renúncia, premissa essa que provém do próprio Deus, como continua a nos ensinar Santo Agostinho:

Assim, quando Deus castiga o pecador, o que te parece que ele diz senão estas palavras: “Eu te castigo porque não usaste de tua vontade livre para aquilo a que eu a concedi a ti”? Isto é, para agires com retidão. Por outro lado, se o homem carecesse do livre-arbítrio da vontade, como poderia existir esse bem, que consiste em manifestar a justiça, condenando os pecados e premiando as boas ações? Visto que a conduta desse homem não seria pecado nem boa ação, caso não fosse voluntária. Igualmente o castigo, como a recompensa, seria injusto, se o homem não fosse dotado de vontade livre. Ora, era preciso que a justiça estivesse presente no castigo e na recompensa, porque aí está um dos bens cuja fonte é Deus. Conclusão, era necessário que Deus desse ao homem vontade livre. – Santo Agostinho – Livre Arbítrio, Livro II §3

Com essa vontade Livre e com o conhecimento adquirido pela explicação recebida de Nosso Senhor os fariseus agora poderiam de fato serem julgados por seus atos e palavras contra o Espírito Santo. Por isso Jesus somente no final coloca a consequência acaso isso viesse a se tornar realidade no coração daqueles homens.

Vemos nisso então que a gravidade resume-se no seguinte: Seremos julgados por aquilo que conhecemos!

Santo Tomás de Aquino também nos fala a respeito da Boa Vontade e sua inclinação ao mal, veja:

a) Às vezes por defeito da razão, como aquele que peca por “ignorância”;

b) Às vezes por impulso do apetite sensitivo, como aquele que peca por “paixão”;

Porém, há de fazermos aqui algumas considerações. A Igreja nos ensina que as transgressões chamadas de Pecados contra o ESPÍRITO SANTO, são aquelas cometidas por “pura malícia”, que ofende e repugna a bondade Divina que se atribui ao ESPÍRITO DO SENHOR. Portanto nenhum destes dois casos significa pecar por “pura malícia”. Alguém só peca por “pura malícia” quando a própria vontade, consciente e com pleno raciocínio se volta para o mal. Então, conforme define o Catecismo da Igreja Católica, os Pecados contra o ESPÍRITO SANTO “são aqueles cometidos por Pura Malícia”, não simplesmente por “ignorância” e “paixão”. Vamos a uma explicação um pouco melhor acerca disto.

Quem peca por ignorância ignora, embora culposamente, ser mal aquilo que faz. Quem peca por paixão, sabe perfeitamente que aquilo que está fazendo é mau, mas não se apercebe momentaneamente da malícia do pecado, ofuscada pelo ímpeto culposo da paixão. Quem peca por opção ou malícia, nem ignora nem deixa de ter consciência de que é mau aquilo que está fazendo. Peca por cálculo, com premeditação e pleno conhecimento de causa, perseguindo o prazer do pecado, não por ter sido vencido pela tentação, mas porque o escolheu. A esta malícia a que nos referimos São Tomás escreveu em latim “certa malitia” que o Catecismo Oficial traduziu por “pura malícia”. O sentido da palavra “certa” indica aquilo que está perfeitamente decidido,  resolvido e determinado no espírito de uma pessoa. Assim sendo, o Pecado cometido com “certa malitia” não é um pecado cometido por fraqueza, ignorância ou paixão, mas é um pecado cometido com plena e total adesão da vontade da pessoa, que lucidamente se inclina para o mal.

Após esta explicação podemos entrar agora nos pecados específicos ao Espírito Santo de Deus.

O pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição da graça de Deus; é a recusa da salvação. Implica numa rejeição completa à ação, ao convite e à advertência do Espírito Santo.

1º – Desesperar da salvação: quando a pessoa perde as esperanças na salvação, achando que sua vida já está perdida e que ela se encontra condenada antes mesmo do Juízo. Julga que a misericórdia divina é pequena. Não crê no poder e na justiça de Deus.

2º – Presunção de salvação, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma idéia de perfeição que implica num sentimento de

orgulho. Ela se considera salva, pelo que já fez. Somente Deus sabe se aquilo que fizemos merece o prêmio da salvação ou não. A nossa salvação pode ser perdida, até o último momento da nossa vida, e Deus é o nosso Juiz Eterno. Devemos crer na misericórdia divina, mas não podemos usurpar o atributo divino inalienável do Juízo. O simples fato de já se considerar eleito é uma atitude que indica a debilidade da virtude da humildade diante de Deus. Devemos ter a convicção moral de que estamos certos em nossas ações, mas não podemos dizer que aos olhos de Deus já estamos definitivamente salvos.

Os calvinistas, por exemplo, afirmam a eleição definitiva do fiel, por decreto eterno e imutável de Deus.

A Igreja Católica ensina que, normalmente, os homens nada sabem sobre o seu destino, exceto se houver uma revelação privada, aceita pelo sagrado magistério. Por essa razão, os homens não podem se considerar salvos antes do Juízo.

3º – Negar a verdade conhecida como tal pelo magistério da Santa Igreja, ou seja , quando a pessoa não aceita as verdades de fé (dogmas de fé), mesmo após exaustiva explicação doutrinária. É o caso dos hereges.

Considera o seu entendimento pessoal superior ao da Igreja e ao ensinamento do Espírito Santo que auxilia o sagrado magistério.

4º – Inveja da graça que Deus dá aos outros. A inveja é um sentimento que consiste em irritar-se porque o outro conseguiu algo de bom. Mesmo que você possua aquilo ou possa ganhar um dia. É o ato de não querer o bem do semelhante. Se eu invejo a graça que Deus dá a alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o juiz do mundo. Estou me voltando contra a vontade divina imposta no governo do mundo. Estou me voltando contra a Lei do Amor ao próximo. Não devemos invejar um bem conquistado por alguém. Se este bem é fruto de trabalho honrado e perseverante, é vontade de Deus que a pessoa desfrute daquela graça.

5º – A obstinação no pecado é a vontade firme de permanecer no erro mesmo após a ação de convencimento do Espírito Santo. É não aceitar a ética cristã. Você cria o seu critério de julgamento ético. Ou simplesmente não adota ética nenhuma e assim se aparta da vontade de Deus e rejeita a Salvação.

6º – A Impenitência final é o resultado de toda uma vida de rejeição a Deus: o indivíduo persiste no erro até o final, recusando arrepender-se e penitenciar-se, recusa a salvação até o fim. Consagra-se ao Adversário de Cristo. Nem mesmo na hora da morte tenta se aproximar do Pai, manifestando humildade e compaixão. Não se abre ao convite do Espírito Santo definitivamente.

E para finalizar o Catecismo da Igreja Católica no §688 ainda nos exorta:

“A igreja, comunhão viva na fé dos apóstolos, que ela transmite, é o lugar de nosso conhecimento do Espírito Santo (portanto, negar o Espírito Santo é negá-lo):

– nas Escrituras que Ele inspirou;
– na Tradição, da qual os Padres da Igreja são as testemunhas sempre atuais;
– na Liturgia Sacramental, por meio de suas palavras e de seus símbolos, na qual o Espírito Santo nos coloca em Comunhão com Cristo;
– na oração, na qual Ele intercede por nós;
– nos carismas e nos ministérios, pelos quais a Igreja é edificada;
– nos sinais de vida apostólica e missionária;
– no testemunho dos santos, no qual ele manifesta sua santidade e contínua obra de salvação;

Vê-se então todos os pressupostos para O PECADO IMPERDOÁVEL contra o Espíritos Santo, com esta elucidação basta então a sugestão para que você possa fazer uma profunda reflexão em cima de tudo que aqui foi exposto e possa com isso colocar em prática o que Santo Tomás de Aquino nos ensinará a seguir:

“Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer.”

Agora você sabe no que deve crer, o que deve desejar e também o que deve fazer.

Que a Paz de Nosso Senhor sempre vos acompanhe e que a Santíssima Virgem Maria sempre encontre espaço em vosso coração!

In corde Iesu et Mariae,
Ivanildo Oliveira Maciel Junior – Apostolado Spiritus Paraclitus

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