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Leitor pergunta sobre os Batistas e Igrejas Evangélicas

LEITOR

Nome: A. O. Bastos
Enviada em: 30 de abril de 2011
Bahia – BA , Brasil

PERGUNTA

Já fui seguidor da Igreja Católica. Hoje tento dia a dia, seguir apenas a Cristo… Gostaria de saber a opinião deste site sobre a doutrina da Igreja Batista. O que nela é incoerente com as Escrituras? Todas as igrejas evangélicas são iguais? Obrigado.

RESPOSTA

Meu caro amigo agradecemos pelo contato e pedimos desculpas pela demora, o apostolado tem recebido vários contatos e com enorme alegria temos respondido a cada um deles, desde os mais simples até os mais complexos.

Estudamos e analisamos o seu caso com calma para posteriormente poder responder à altura de seu educado e respeitoso questionamento. Partindo disso, foram elaborados alguns tópicos para melhor elucidarem nosso diálogo perante o que será abordado. Mas gostaria antes de deixar um pensamento que em sua reflexão o ajudará a experimentar tudo o que aqui será exposto:

“’A Igreja é a finalidade de todas as coisas’. (Haer. 1,1,5) ‘Há um caminho real’, que  é a Igreja católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros.” (Santo Epifânio (†403),  batalhador contra as heresias)

 

1. “Igreja” Batista

1.1 Origem

Para mostrar o realce de tantas diferenças doutrinais e proliferações mediante esta vertente é necessário voltar no tempo e mostrar de onde ela nasceu.

Os Batistas foram o terceiro grupo proveniente do anglicanismo depois dos Presbiterianos e Congregacionalistas. O Anglicanismo data do reinado de Henrique VIII (1509-1547), que cortou relações com o Papa, por este ter-lhe recusado a anulação do casamento com Catarina Aragão. Homem com apurada inteligência e dotado de uma rica oratória, tinha seu lado sombrio extrapolado. Casou-se sucessivamente com seis mulheres, mandando decapitar duas delas: Ana Bolena e Catarina Howard.

Ostentava o título de “Defensor da Fé” – antes de seu desligamento de Roma – por combater os Luteranos, mas depois além deles passou também a detestar os católicos até a morte. Os interesses pessoais e políticos motivaram Henrique VIII a romper relações com a Igreja Católica.

Desse meio surgiram John Smyth (1570-1612) considerado por muitos historiadores como o fundador da igreja batista, foi ordenado ministro da igreja anglicana em 1594, junto de Thomas Helwys, um advogado inglês que é considerado co-fundador da igreja batista, foi ele que levou de volta a congregação para a Inglaterra em 1611.

John Smyth atravessou o mar, rumo a América do Norte onde, em 1638 Roger Wiliams (“teólogo” protestante) organizou o grupo americano. É a denominação mais forte daquele país, que ainda dividiu-se em mais umas trinta ramificações diferentes, que travaram lutas ferozes entre si até o século XIX quando finalmente conseguiram uma convivência pacífica.

1.2 Doutrina

Em meio a tantas ramificações e formas de pensar ficou complicada uma linha de raciocínio, a falta de uma unidade doutrinal evidencia a fraqueza e pobreza de um embasamento sólido e verdadeiro em sua totalidade.

Ainda existem outras duas teorias sobre a origem desta vertente, mas que são rejeitadas pela historiografia oficial. São elas a teoria de Sucessão Apostólica ou JJJ (João-Jordão-Jerusalém) e a teoria anabatista. Ambas têm suas preferências doutrinais que se diferenciam na medida em que o local (espaço geográfico) e o momento (tempo histórico) mais se tornam convenientes. Para os de influência anabatista, Cristo trouxe a salvação para todos os homens; na opinião dos influenciados pelos Calvinistas, a salvação é reservada a um grupo de “eleitos”.

Ambas são rejeitadas pelos historiadores batistas Henry C. Vedder e Robert G. Torbet.

Ambas possuem algumas similaridades:

  • Crença no batismo adulto e voluntário;
  • Visão do batismo e da ceia do Senhor como ordenanças;
  • Separação da Igreja e do Estado;

 

Existem também algumas diferenças entre os batistas e os anabatistas modernos (por exemplo os menonitas):

  • Os anabatistas normalmente realizam o batismo adulto por aspersão e não por imersão como os batistas;
  • Os anabatistas são pacifistas extremos e se recusam a jurar;
  • Os anabatistas crêem em uma doutrina semi-nestoriana sobre a natureza de Cristo, que não recebeu nenhuma parte humana de Maria;
  • Os anabatistas enfatizam a vida comunal enquanto os batistas a liberdade individual;
  • Os anabatistas se recusam a participar do Estado, enquanto os batistas podem ser funcionários públicos, prestar serviço militar, possuir cargos políticos;
  • Os anabatistas crêem em um estado de “sono da alma” entre a morte e a ressureição;

Para todos eles a Santa Ceia é puramente simbólica, uma simples recordação da morte de Jesus. Vivem em plena democracia: nada de sacerdotes, nada de intermediários humanos. Cada um dialoga com Deus diretamente. Seus ministros são decididos e exonerados pela igreja local, e cada igreja é independente. Vai aí alguns dos mais conhecidos: Batistas Regulares, Batistas Reformados, Batista dos 6 Princípios, Batistas do 7º dia, Batistas da Comunhão Livre, Batistas da Igreja de Deus…, dentre outros.

Em relação a tolerância e respeito religioso, uns deles são anti-católicos raivosos, outros mais ou menos tolerantes.

1.2.1 Comparação com as Doutrinas da Santa Sé

A doutrina dos Batistas:

1º – O homem é pecador, condenado ao inferno. Ao ouvir a pregação do Evangelho, recebe a Graça, aceita o Cristo como Salvador e passa a pertencer ao grupo dos “salvos”;

A Doutrina CATÓLICA:

1º – O homem é naturalmente bom; criado para conhecer, amar e servir a Deus nessa vida e ser feliz com Ele na Eternidade. É livre, por isso responsável de seus atos, capaz de querer bem ou o mal. Pelo pecado (ou escolha do mal) a natureza humana ficou enfraquecida, mas é reabilitada pela Graça de Deus. Graça é o Deus que se dá gratuitamente ao homem. Se o pecador estiver arrependido de seu malfeito e quiser voltar à amizade com Deus, Deus está sempre pronto a recebê-lo. A Graça não é uma espécie de capa com que Cristo cobre o pecador, mas é a presença de Deus no homem; é viver por Cristo nele e ele em Cristo. “Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1,12).

A doutrina dos Batistas:

2º – Adotaram o batismo por imersão e não aceitam o batismo das crianças. O batismo é apenas uma “ordenação” ou consagração e não um sacramento. A Ceia também é um símbolo e não um sacramento.

A Doutrina CATÓLICA:

2º – O Batismo e a ceia ou Eucaristia não são símbolos e sim sacramentos, isto é, sinais exteriores da Graça interior que se recebe, isto é Deus. O Batismo, pela ação do Espírito Santo, causa, produz a presença de Deus no homem (ou Graça), apaga o pecado o torna filho de Deus e membro de uma sociedade visível que é a Igreja. O Batismo regenera pela ação do Espírito Santo. “Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói templo de Deus, Deus o Destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (1Cor 3,16-17).

Quanto a maneira de batizar, a Igreja Católica derrama a água na cabeça, por ser mais prático, mas nos primórdios da cristandade usava o batismo por imersão.

“O Batismo é, pois, um banho de água no qual ‘a semente incorruptível’ da Palavra de Deus produz seu efeito vivificante. Sto. Agostinho dirá do Batismo: ‘Accedit verbum ad elementum, et fit Sacramentum – Une-se a Palavra ao Elemento, e acontece o Sacramento’. (CIC 1228)

A doutrina dos Batistas:

3º – A Bíblia é o único guia do homem para a verdade religiosa. O homem é justificado somente pela fé.

A Doutrina CATÓLICA:

3º – A Fé é um dom de Deus pelo qual o cristão crê nas verdades reveladas por Deus e ensinadas pela resposta do homem através de uma vida conforme o plano de Deus. “Meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso?… Assim também a fé, se não tiver obras, será morta em seu isolamento… Estais vendo que o homem é justificado pelas obras e não simplesmente pela fé? (Tg 2.14.17 e 24).

A doutrina dos Batistas:

4º – Não existem dogmas, pois cada leitor da Bíblia é competente para formar por si mesmo as suas idéias sobre a verdade.

A Doutrina CATÓLICA:

4º – A Bíblia palavra de Deus é a principal fonte da Verdade. Porém, há outras Verdades ensinadas por Jesus Cristo que não estão contidas na Bíblia e se encontram na vida Igreja vai aprofundando e explicando com certeza. “Há porém, muitas outras coisas que Jesus fez e que o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam” (Jo 21,25). O cristão deve alimentar-se da Palavra de Deus, porém, a interpretação doutrinal dela é a única e é dada por toda a Igreja. A interpretação particular da Bíblia ou de um texto bíblico leva a tantas verdades diferentes, e às vezes contraditórias, quanto são os leitores.

A doutrina dos Batistas:

5º – Adotam absoluta separação entre Igreja e Estado. No setor social são conservadores e não contestam a situação político-social.

A Doutrina CATÓLICA:

5º – A separação entre a Igreja e o Estado deriva da finalidade específica de cada um. Não se pode dizer que a Igreja deve preocupar-se só com o que é espiritual e o Estado só com o que é material. As duas entidades devem procurar a recíproca colaboração, pois as pessoas a que servem são as mesmas, e nas pessoas não há separação entre material e espiritual. A pessoa é tal no seu todo. Por isso a Igreja tem o dever de contestar qualquer situação político-social que prejudique a pessoa me humana através da injustiça, da mentira, do desamor e da tranqüilidade pessoal ou coletiva.

2. Incoerências

Dentre o gigantesco leque de incoerências que aqui poderia ser debatido, depois do rápido conhecimento não apenas de sua origem como também de sua proliferação, ficaremos com uma das maiores divergências doutrinárias, o Batismo.

Para os Batistas o Batismo (em sua maioria o de imersão) não passa de um simples sinal de “agregação” a uma igreja, ao Cristianismo. Defendem apenas o batismo de adultos e por imersão (mergulho), pois segundo a conveniente interpretação da leitura de Marcos 16,15-16, apenas quem é consciente do que faz (crê) pode ser batizado, o que seria impossível para um recém-nascido.

Aí trata-se do Batismo de adultos. Fator primordial é que naquele “alguém” (Cfr. João 3,5) de Jesus também entram as criancinhas pois elas também são “alguém” (Cfr. Mc 10,14). Outra coisa é certa, a prática vigorou desde os primeiros séculos. Orígenes (185-255) declara que o batismo de crianças é de instituição apostólica (Ep. Ad Rom. 1,5-9), diz também que é necessário para lavar as crianças do pecado original (In Lev. 8,3), São Cipriano e o III Concílio de Cartago (253) ensinaram que é necessário batizar o quanto antes os recém-nascidos.

Curiosidade: O Batismo é para todos… Ou tão somente para os habitantes da Amazônia, que podem mergulhar na porta de casa? E os enfermos, hospitalizados que desejassem o batismo na hora da morte? E os que vivem no deserto, aonde a água vale ouro? Os mais castigados seriam os esquimós: dó deles, que para mergulharem teriam de cavar um buraco no gelo.

É necessário entender que no grego clássico a palavra “Batismo” significa “mergulho”, mas que na língua do novo testamento pode indicar ato de lavar, purificação: “O fariseu que convidara Jesus, se surpreendeu que não se tivesse ‘batizado’ antes de comer (Cfr. Lc 11,38 – texto grego).

Para a Santa Igreja Católica não é apenas um simples sinal externo de “agregação” ao Cristianismo, mas nos dá uma nova oportunidade de nascimento: sepultados com Cristo, com Ele ressuscitamos à vida da Graça (Cfr. Rom. 6,4).

Para a Igreja Católica o Batismo é necessário à salvação (Cfr. João 3,5), que também foi ordenado pelo próprio Cristo (Cfr. Mt. 28,19-20; Cfr. DS 1618; LUMEN GENTIUM 14; AG 5) que fosse espalhado por todas as nações.

Para a Igreja Católica pelo Batismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas do pecado (Cfr. DS 1316).

Para Igreja Católica o Batismo nos transforma em Novas Criaturas, o Batismo não só purifica de todos os pecados, mas também faz do neófito “uma criatura nova”, um filho adotivo de Deus que se tornou “participante da natureza Divina”, membro de Cristo e co-herdeiro com Ele, templo do Espírito Santo (Cfr. CIC 1265).

Para a Igreja Católica é um Sinal Espiritual Indelével: incorporados em Cristo pelo Batismo, o batizado é configurado a Cristo […]. Pecado algum apaga esta marca, se bem que possa impedir o Batismo de produzir frutos de salvação. Dada uma vez por todas, o Batismo não pode ser retirado (Cfr. CIC 1272)

Isto meu caro Abelmon, é para evidenciar a confusão causada por uma falta de unidade e de como o desprendimento da Igreja firmada nos Apóstolos(Santa Sé) pode causar sérias conseqüências e distorções da Verdade.

3. “Igrejas” Evangélicas (Protestantes)

Como vimos no breve relato feito sobre a origem da igreja Batista e depois de suas conseqüentes divisões, é visível como as linhas de pensamento se espalharam causando tais desdobramentos doutrinais. Agora imagine isso colocado em amplitude geral. As conseqüentes interpretações pessoais acarretam ainda muito mais divisões e modos de “lidar” com Deus.

3.1 Protestantismo – Um breve Resumo

Surgido com Lutero (1483-1546), que foi frade Agostiniano, tinha sua própria linha doutrinária, o que talvez revelasse o estado sombrio de seu espírito. Para ele:

  • O pecado original estragou completamente o homem, tudo o que o homem faz é pecado mortal. O homem não é livre;
  • Os mandamentos de Deus foram dados para provar ao homem que ele nunca conseguiria observá-los. No desespero da constatação o homem é direcionado a confiar único e exclusivamente na Misericórdia de Deus: só esta fé (confiança) o salvará, é a Fé sem obras;
  • A Fé, porém, é um dom de Deus que Ele dá a quem quer. Consequência: uns serão salvos  outros condenados (Predestinação).
  • Fonte e regra de Fé só a Bíblia, interpretada pessoalmente: Livre Exame. Papa e Concílios são inúteis (Cfr. Histórias das Heresias: Léon Cristiani);
  • O interessante é que, logo após ter rejeitado a autoridade do Papa submeteu a “igreja Reformada” à autoridade dos príncipes: (Cesaropapismo).

“Não é seguidor de Cristo aquele que não é chamado cristão segundo a fé verdadeira e o ensinamento católico” (S. Agostinho, Sobre o Sermão do Senhor na montanha, I,V, 13)

Lutero, com o livre exame, provocou uma explosão em cadeia e cada vestígio deste acontecimento criou uma nova “igreja” e uma nova bomba para explodir. O princípio do “livre exame” colocava (e coloca) o crente acima de qualquer magistério, de modo que se alguém discorda do que a sua comunidade ensina, pode separar-se dela e fundar outra “igreja”.

Logo surgiu uma meia-dúzia de pseudo-igrejas e pessoas que se diziam possuidoras da verdade salvífica. Trinta anos mais tarde , (com a Rainha Isabel I) em seguida a uma forte influência luterana e Calvinista, organizou-se a igreja Anglicana (que aqui já detalhamos). Dessa multiplicaram-se várias outras, dentre essas a principal foi (enquanto fecundidade) a igreja Batista. Daí desse meio também surgiram o Adventismo e bem mais tarde o movimento pentecostal, ambos prolíferos, especialmente o segundo, cada um com seu modo particular de doutrina.

As controvérsias no meio protestante são diversas, e referem-se sempre a criticas existentes nas posições e atitudes do protestantismo e das “igrejas” que adotam esta doutrina em relação a suas ações e ensinamentos, estrutura ou natureza, bem como em suas divergências e interpretações teológicas. Uma vez que existe uma infinidade de igrejas protestantes sem ligações entre si, com diferentes pontos de vista e muitas vezes em certa rivalidade.

“Há homens que se agarram a sua própria opinião, não por ser verdadeira, mas simplesmente por ser sua.” (Santo Agostinho)

E isso parece um regrismo no meio protestante, em meio a tudo isso meu caro amigo fica evidente a carência de uma verdade plena e total que condiciona e direciona-nos a uma unidade de comunidade e espiritual em comunhão com Deus. Mas não pretendemos deixá-lo apenas com as possíveis dúvidas, mas principalmente lhe deixar a possível (digo possível, pois a escolha será sua) solução.

4. A Santa Igreja Católica

Você nos relatou que já foi seguidor da Santa Sé, mas que hoje em dia tenta apenas seguir a Cristo.

Primeiro de tudo, há uma enorme diferença entre seguidor e discípulo, Jesus não escolheu doze seguidores, Ele escolheu doze discípulos e com isso estendeu a todos nós o mesmo convite. Outro fator, os discípulos primeiramente aprenderam e experimentaram o seguimento de Cristo para em posterior conseqüência deste seguimento, vir a amar, defender e anunciar o Reino Divino através dos tempos em sua Igreja, a Igreja Católica… que pelo próprio Cristo foi fundada sobre Pedro e perdura até os dias atuais.

Convidamos você meu amigo a um novo “olhar”, uma nova maneira de sentir e interpretar, de sair do seguimento individual e voltar ao discipulado em comunidade e unidade.

Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja” (S. Clemente de Alexandria -†215, mártir; Paed, 1,6)

Igreja cuja existência abrange os séculos desde os apóstolos, e durará até a segunda vinda de Cristo. Igreja que pode indicar a data de cada heresia e cisma; e não uma só delas, porém, que possa indicar-lhe outra origem, que não seja o dia de Pentecostes.

Igreja que em seu múnus de ensinar tem a missão de reunir todos os homens em Cristo (Cfr. Catequese Renovada, n. 210c).

Igreja que prega “todo” o Evangelho e administra “todos os meios de salvação” como Jesus ordenou (Cfr. Mateus 28,20).

Igreja que em matéria de Fé e Moral é infalível (graças a uma especial assistência Divina), quando se pronuncia em solenidade, como Mestre da Igreja Universal, na pessoa do Papa (ex-cathedra). Para nós católicos, é doutrina de fé, definida no Concílio Vaticano I (1869-1870). Foi o próprio Cristo que garantiu a Pedro (primeiro Papa), juntamente com os apóstolos (Cfr. Mt 18,18), que tudo que ligassem ou desligassem na terra, Ele confirmaria no céu, pois estando Ele na Igreja pelo Espírito Santo não permitiria que a mesma falhasse e assim comprometesse a salvação dos homens, em termos de doutrina apenas. Esta a primazia de nossa unidade na sucessão apostólica, dom que a mais de dois mil anos manteve uma linha ininterrupta de pastores guiando a Igreja Católica com amor e Verdade.

Igreja que nunca mudou seus ensinamentos, que manteve e mantém sua Sagrada Tradição, que nunca modificou o que seus antecessores (Santos Padres) deixaram como doutrina sob inspiração do Espírito Santo.

“A Igreja de Cristo, cuidadosa e cauta guardiã dos dogmas que lhe foram confiados, jamais os altera; em nada os diminui, em nada lhes adiciona; não a priva do que é necessário, nem lhe acrescenta o que é supérfluo; não perde o que é seu, nem se apropria do que pertence aos outros, mas com todo o zelo, recorrendo com fidelidade e sabedoria aos antigos dogmas, tem como único desejo aperfeiçoar e purificar aqueles que antigamente receberam uma primeira forma e esboço, consolidar e reforçar aqueles que já foram evidenciados e desenvolvidos, salvaguardar aqueles que já foram confirmados e definidos.” (São Vicente de Lerins, Commonitorium, XXIII)

Igreja que em mais de dois mil anos nunca revogou um desses dogmas (nossas verdades de fé). A Igreja Católica já realizou 21 Concílios Ecumênicos, um por século na média, – reunião aonde o Papa reúne todos os Bispos do mundo – e nunca, em toda nossa história, foi revogada uma verdade de Fé que o outro tenha solenemente proclamado.

Igreja que está fundamentada na sucessão Apostólica que, através dos tempos, conservou a Sagrada Tradição (oral e escrita) proveniente do Próprio Cristo, seu Fundador: “Sem dúvida, é preciso afirmar que as igrejas receberam dos Apóstolos; os Apóstolos receberam de Cristo, e Cristo recebeu de Deus” (De Praescriptione Haereticorum 21,4).

Igreja que, em Pedro, recebeu as “Chaves do Reino dos Céus” (Cf. Mt 6,19), significando assim a autoridade, faculdades para decidir, e legislar ou para administrar a Igreja de modo geral. Verdade que também foi derramada sobre todos os Apóstolos reunidos: “Em verdade eu vos declaro: tudo o que ligardes na terra será ligado no céu; tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu” (Cf. Mt 18,18). Esta declaração quer dizer que o colegiado dos Apóstolos com Pedro terá as mesmas faculdades que Pedro a sós. O. Culmann e outros autores protestantes reconhecem que Jesus quis confiar a Pedro uma função preeminente; julgam, porém, que era limitada no tempo e intrasmissível. Caso, porém, fosse intrasmissível, dever-se-ia dizer que o edifício da Igreja ficaria sem seu fundamento imediato; acabaria caindo ou, se não caísse, Jesus teria dado a Pedro um encargo de fundamento inútil.

Igreja que antes de qualquer coisa uma comunidade cujos membros estão unidos a Cristo: pelo mesmo culto (Sagrada Liturgia), pela mesma Fé (Doutrina) e pela mesma estrutura (Hierarquia), aonde cada participante desta comunidade tem sua própria tarefa a cumprir, seu próprio carisma a valorizar, seu próprio dom para por a serviço do bem comum.

Igreja que Cristo adquiriu com seu sangue e a dotou com meios atos para uma união visível e social. A Igreja é, portanto, o sacramento (sinal) visível da união entre os homens e dos homens com Deus.

Igreja aonde os batizados são chamados a serem edifício espiritual e sacerdócio santo, de modo que ofereçam, em toda a sua atuação cristã, que os chamou das trevas à sua luz maravilhosa.

Igreja aonde os fiéis têm parte na oblação da Eucaristia, por virtude de seu sacerdote régio, e exercem esse sacerdócio comum na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, pela abnegação e por uma caridade ativa.

Igreja que chama os batizados a serem “profetas”, isto é, responsável pela pregação da Palavra de Deus, pela busca da justiça e da verdade.

Igreja aonde os diáconos compartilham com os bispos e os sacerdotes a Pregação do Evangelho e o serviço junto aos fiéis.

Igreja aonde os sacerdotes (ou padres), em união com os bispos, são encarregados de guiar e acompanhar o povo de Deus no seu peregrinar, dentro da Igreja, até o encontro definitivo com Deus.

Igreja que têm os bispos, como sucessores dos Apóstolos, que possuem o múnus de ensinar (doutrinar), guiar e santificar o Povo de Deus pela administração dos sacramentos da Palavra de Deus.

Igreja que têm o Santo Padre o Papa (elo de união entre todos os bispos), como vigário de Cristo, é o mestre universal da fé e costumes pela assistência especial que recebe do Espírito Santo.

Essas são algumas das maiores Verdades e dons concedidos por Deus à sua Igreja, que ao longo de 20 séculos tem nos mantidos UNOS, SANTOS, CATÓLICOS E APOSTÓLICOS.

Convidamos você meu caro amigo a uma profunda reflexão e acolhimento a tudo que aqui expomos, esperamos que ao menos tenha “atiçado” sua curiosidade acerca do conhecimento mais a fundo da linda história de nossa catolicidade. Pedimos desculpas se em algum momento possa ter aparentado que nosso desejo era menosprezar ou diminuir “A” ou “B”, pois na verdade o que aqui explicitou-se foi unicamente a plenitude e totalidade da Igreja Católica perante aos questionamentos recebidos de nossa parte.

Agradecemos seu contato e nos colocamos a disposição para qualquer dúvida que possa ter ficado.

São João Crisóstomo (350-407), doutor da Igreja; Patriarca de Constantinopla: “Não te afaste da Igreja: Nada é mais forte do que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é  mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece”.

Salve Maria,

Ivanildo Oliveira Maciel Junior – Membro do Apostolado Spiritus Paraclitus

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