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Resposta ao protestante Fernando

Resposta dada ao protestante Fernando que criticou o artigo publicado no espaço Blog Notícias, intitulado: “Convenção Batista traz Projeto Tenda da Esperança, que evangeliza em eventos de devoção à Maria“.

Segue as citações de nosso irmão arrogante:

“Os catolicos além de estarem perdendo fieis, estão perdidos sem uma mensagem contextualizada na palavra. ai se amedrontam com uma evangelização…. Musica de Padre marcelo, Zezinho e Fabio de melo não enchem barriga…e por isto que o povo esta saindo e mudando de religião.Acorda catolicos, o tempo esta próximo.”

“Porque os organizadores também não proíbem os vendedores de “santinhos”, imagens, fitas, e lembranças do convento? Porque isto de certa forma enriquece alguns….Proibir uma manifestação só porque é dos protestantes, me faça o favor né? A liberdade religiosa é isto, pregar o evangelho em todo o lugar, não entrando em confronto mais, o que vemos é uma igreja em cada esquina, e nas praças local privilegiado as igrejas sutuosas catolicas terrenos doados pelo governo com os impostos de todos…”

Os desaforos de nosso irmão estão em vermelho, nossa resposta está em cor azul.

Confesso que mais difícil que responder seus questionamentos, primeiramente foi achar uma linha de raciocínio lógico perante sua falta não só de conhecimento, como também a carência de estrutura organizacional para um foco reflexivo. Mas vamos ajudá-lo, elaboramos alguns tópicos para melhor elucidar seu “tiroteio” em cima de suas dúvidas e afirmações.

Gostaria de iniciar com um pensamento que irá nos ajudar perante todo o percorrer de nosso diálogo.

Lord Acton (1834-1902; Primeiro Barão de Acton e famoso historiador britânico) assim disse:

“Para os protestantes, a intolerância religiosa é como que parte de uma doutrina; a Igreja Católica tem como princípio e ideal a liberdade e só é intolerante quando circunstâncias externas obrigam a defender-se e a defender a verdade.” (The History of Reedom 187)

Lindo não é, mas não vamos nos empolgar muito, a seguir lhe daremos as merecidas iluminações à obscuridade de pensamentos e também de conhecimento de sua parte.

1. Possível proibição a venda de Artigos Religiosos

O conteúdo do artigo publicado no site do apostolado em nada se refere a possíveis distrações exteriores como o exemplo citado por você, até porque a venda dos mesmos em nada contraria o que naquele momento se realizara. Muito menos questiona o modo de que “a” ou “b” usufruem de tais manifestações religiosas para ganhar seu pão de cada dia, desde que é claro isso não interfira no sentido proposto (doutrinal) pelo momento no qual se depara. Vejamos o que a Santa Sé nos ensina referente a Gêneros Artísticos:

“A importância e valor humano da obra de arte deve ser convenientemente reconhecida. Com efeito, a beleza eleva espontaneamente o espírito do que a contempla; por outro lado, qualquer produção artística pode apresentar e significar profundamente a condição humana; permite ao homem o melhor conhecimento de si mesmo; conhecimento que se deve buscar não só no campo das artes e letras mas também no campo moral e religioso.” (Instrução Pastoral, “Communio et Progressio”, Pf. 55)

Mas, no seu caso em específico, o parágrafo 58 do mesmo documento é mais explícito, veja:

“Uma obra de artes pode levantar por vezes problemas de ordem moral, quando os espectadores são incapazes de compreender plenamente determinadas dimensões do mal, em virtude da sua idade, ignorância e formação deficiente.”

Isto deixa claro que a Santa Sé não proíbe tais atividades, mas também delimita seu campo de ação.

2. Suposta Proibição de manifesto pelo fato de ser protestante

Em nenhum momento você lê ou até mesmo em sã consciência pode achar no artigo a palavra “proibição”, até porque isso contraria totalmente o sentido de Ecumenismo que pioneiramente é empregado pela Igreja Católica. O que você alude como palavras de “proibição” significam na verdade a indignação e revolta dos organizadores do evento a “Afronta à liberdade e respeito mútuo” por parte deste insano ato protestante, bem como sua finalidade “evangelizadora” que, como o próprio projeto da Convenção batista descreve tem como objetivo “encaminhar essas pessoas a uma igreja batista para serem acompanhadas em suas novas vidas.”

Protestantes ou não, a Igreja é contra qualquer atividade dessa natureza que desrespeite os princípios éticos e morais que circundam a liberdade em seus variados aspectos. Tenha mais calma ao ler e interpretar meu caro, pois “a verdadeira reflexão (Providência) move-se devagar, mas o demônio está sempre com pressa”, como dizia Jhon Randolph of Roanuke.

Tire suas conclusões apenas depois de uma reflexão adequada, tendo pesado as conseqüências.

3. Liberdade Religiosa

Sua falta de conceito, embasamento e conhecimento sobre tal tema é gritante. Uma afirmação tão superficial restringe e chega até a desfigurar a real essência deste conceito de tal modo que até se iguá-la a tão pequena reflexão que diz que “os fins justificam os meios”.

Temos um aprofundamento muito maior a lhe mostrar:

“A liberdade religiosa consiste no seguinte: todos os homens devem estar livres da coação, quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência , nem impedido de proceder segundo a mesma, em privado e em público, só ou associado com outros, dentro dos devidos limites. Além disso, o direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a Palavra de Deus e a própria razão a dão a conhecer.” (Declaração DIGNITATIS HUMANAE, sobre a Liberdade Religiosa, Pf. 2)

Este contexto geral em que a Santa Sé exprime a essência de tal contexto, aprofunda e evidencia sua falta de curiosidade ou mesmo sua comodidade em buscar conhecer certas verdades defendidas pela Igreja. Conceito esse que vocês (protestantes) têm desrespeitado constantemente com ações como essa levantada pelo artigo ao qual você se refere.

No mesmo documento, no parágrafo 4, há algo específico sobre as incoerentes atitudes praticadas desse tipo de natureza, veja:

“[…] na difusão da fé religiosa e na difusão de novas práticas, deve sempre evitar-se o modo de agir que tenha visos de coação, persuasão desonesta ou simplesmente menos leal, sobretudo quando se trata de gente rude ou sem recursos. Tal modo de agir deve ser considerado como um abuso do próprio direito e lesão do direito alheio.”

Portanto meu caro, você jamais irá encontrar atitudes semelhantes por parte da Santa Igreja que demonstra justamente o contrário e com cuidado e unidade de pastoreio nos direciona desde sempre ao respeito mútuo tanto pregado pelo próprio Cristo, Fundador de nosso Catolicismo.

4. Uma igreja em cada esquina

Gosto particularmente desta expressão usada por você, e agradecemos por nos ter evidenciado uma das principais características do protestantismo. Para lhe ajudar irei trazer um pensamento de seu fundador que a muito tempo, antes da sua aparição na face da terra, também já nutria o mesmo raciocínio que você.

Lutero quando instaurou o “Livre Exame” provocou uma explosão em cadeia e cada estilhaço era uma nova seita e uma nova bomba para explodir. O próprio Lutero amargurado teve de admiti-lo:

“Há tantas seitas e crenças, como cabeças”, disse em 1525, cinco anos apenas após seu desligamento da Igreja Católica.

Uns trinta anos mais tarde, (com a rainha Isabel I) em seguida após uma forte influência luterana e calvinista, organizou-se a igreja anglicana. Dela originou-se logo uma dúzias de seitas: principal entre elas (como fecundidade) a igreja batista. Esta, só na América do Norte, deu a luz umas trinta novas seitas, entre as quais o Adventismo e bem mais tarde, o movimento pentecostal: ambos prolíferos, especialmente o segundo.

E sabe o que é mais interessante, é que vocês continuam dividindo-se até hoje, realmente a expressão usada por você encaixa-se perfeitamente na realidade protestante.

O que na Santa Igreja nunca aconteceu e jamais acontecerá, pois as seitas não têm lugar, quem discorda cai fora. Não é um novo ramo que brota e sim um ramo que seca e se desprende do tronco.

5. Suposto beneficiamento de Terrenos à Igreja Católica

Mais uma vez fica clara aqui a sua carência de conhecimento perante o assunto, sua falta de imparcialidade perante a retirada de conclusões limita e muito o enfoque do que realmente é verdade.

A Igreja Católica, maior Instituição Caritativa do planeta e pioneira nos mais variados ramos sociais e de ensino, sempre esforçou-se por atender com qualidade como conseqüência de seu Amor aos mais necessitados, aqueles que a buscavam e também aos que em sua peregrinação evangelizadora encontrava pelo caminho. Dessa forma, com o passar do tempo e até mesmo muito antes do Protestantismo ter sua primeira aparição na face da terra, o trabalho caritativo já estimulava o auxílio alheio em também ter uma participação ativa no amor ao próximo, fosse como doação material (terras, dízimo, casas e dependências, entre outros) fosse como voluntariado.

Ainda em tempos de contrariedade e tantas dificuldades, como estamos na atualidade perante a este “selvagem mundo globalizado e capitalista”, a Santa Igreja continua com o mesmo ardor no amor total a dignidade humana desde sua concepção até seus mais variados estágios de vida. Para isso, nos tempos atuais a Santa Igreja dispõe de auxílios de diversas áreas da sociedade perante seu múnus de evangelizar.

Como por exemplo, benefícios fiscais amparados por lei, como o acordo assinado entre o Vaticano e o Brasil em novembro de 2008 que regulamentou alguns aspectos jurídicos da Igreja Católica no país sul-americano, bem como deliberações eclesiásticas no âmbito de regime fiscal.

Outro exemplo são as Santas Casas de Misericórdia, organizações da sociedade civil com designação mais consagrada de instituições inspiradas na doutrina da Igreja Católica a qual lhe confere personalidade jurídica e desde sempre apoiadas pelo Estado em complementaridade e cooperação.

O interessante é que foi através da Igreja Católica que outras instituições também vieram a gozar de tais benefícios jurídicos, inclusive o Protestantismo. Por isso, sugiro a você que antes de colocar em dúvida tais fatos procure saber sua profundidade.

6. Suposta perda de Fiéis

Até concordamos com você no que se refere a números, mas discordamos totalmente no que diz respeito à fiéis, pois como bem lembra o sentido da palavra eles continuam e continuarão até o fim dos tempos fiéis à sã doutrina, sem “desviar-se para esquerda ou para direita”.

Quanto à sua incoerência de sentido, enquanto valores, o verdadeiro Cristianismo não é e nunca foi uma “guerra de fiéis”, primeiramente é uma história de amor para com Deus, e essa é uma das essências de nosso Catolicismo.

Enquanto vocês (protestantes e suas variadas ramificações) preocupam-se, em geral, primeiramente com números, nós, Católicos primeiramente, por amor a Deus e a sua Esposa (A Santa Igreja) doamos nossa vida para seu anúncio e conhecimento.

Como nos ensina Bento XVI, “é necessário ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja.”

Para os que se deixam levar por esses pensamentos ideologicamente individuais e convenientes resta a Misericórdia Divina e o duro pesar das conseqüências:

“A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta. Aquele que se separa dela saiba que se junta a uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não os alcança. Aqueles que abandonam a Igreja não esperem que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra.” (S. Cipriano – Bispo de Cartago)

7. Suposta falta de Mensagem contextualizada na Palavra e posterior amedrontamento de uma “evangelização”

Meu caro Fernando confesso que com essa você se superou, falta de mensagem contextualizada na palavra? Perdidos? Amedrontados?

Caríssimo, a Santa Igreja é guia na fé (e provaremos isso oportunamente) só ela está autorizada a me dizer entre quais limites devo crer. A Igreja Católica em sua Sagrada Tradição Apostólica (oral e escrita) transmitiu o Sagrado Evangelho através dos tempos segundo a ordem do Senhor:

“Deus dispôs com suma benigdade que as aquelas coisas que revelara para a salvação de todos os povos permanecessem sempre íntegras e fossem transmitidas a todas as gerações.” (Dei Verbum 7)

A Santa Igreja em bem 5 concílios, a começar pelo de Laodicéia (363), e também em 300 anos de discussões decidiu, à luz do Espírito Santo, os livros que poderiam ou não ser canonizados.

“Eu não acreditaria nem nos Evangelhos – dizia o grande Sto. Agostinho – se não me basea-se na autoridade da Igreja”. Houve dúvidas sim, mas a Igreja resolveu.

Enquanto a sua acusação de falta de contextualização saiba que, antes de Lutero (de 1450 a 1520) a Igreja Católica realizou 188 edições da Bíblia; em latim, hebraico, italiano, francês, boêmio, flamengo, eslavo e russo. (Cf. Falk: Biel em Augange dês Mitterlaters)

Mas veja que interessante, como a acusação de Lutero refere-se ao tempo que a Igreja estava no máximo esplendor (Idade Média), convido entre outros, um protestante a rebater. É Dobschutz quem fala: “Temos de admitir que a Idade Média possui um completo, surpreendente e muito louvável conhecimento da Bíblia, sob muitos aspectos, talvez maior para nossa confusão do que os nossos tempos.” (Deutche Rundskau, 1900, 61).

Indo um pouco mais a fundo, um sábio protestante chamado Bunzen encontrou na tradução de Lutero mais de 3.000 alterações que aparecia especialmente nas passagens que tratavam de fé e obras.

Aos Católicos que lhe chamaram atenção, respondeu simplesmente assim: “O Doutor Lutero assim o quis e diz que um burro e um papista são uma e mesma coisa. Eu assim o quis e determinei que assim fosse. O meu querer: eis a razão.” (Jansem: History of the German people, 419)

Suas “traduções” protestantes daí se derivaram, e hoje ainda continuam a inventar novos modos de inserir seus pensamentos pessoais, bem como de “contextualizá-la” a seus próprios desejos. Lembrando também que o Protestantismo retirou, de acordo com a maneira de calcular, 6 ou 7 livros da Bíblia.

Enquanto a falta de contextualização na Palavra, espero ter elucidado sua arrogância. E tenho certeza que também ficou claro quem realmente está perdido e amedrontado.

8. Comentário contra Sacerdotes da Santa Igreja e seus respectivos trabalhos de Evangelização

Não cremos que seja fome que esteja desviando uma pequena parte da sã doutrina e da verdadeira e única Igreja de Cristo, como o modo a que você se refere à determinada situação. Sua falta de controle emocional demonstra sua miséria de argumentos que, apenas superada por tamanha prepotência, expõe o descrédito por aquilo que você opina, que por acaso são facilmente debatíveis.

Primeiramente a música no universo católico, usada por vários sacerdotes como meio evangelizador, nunca foi para preencher intestino de ninguém. Todas elas, algumas compostas em profundos momentos de adoração ao Santíssimo, são para preenchimento da alma, do espiritual, tendo como objetivo principal o encontro e experiência pessoal com o Deus Vivo.

Em conseqüência deste meio evangelizador, há sim ganhos financeiros, mas que em muitas vezes são destinados a fins de continuidade da própria evangelização. Em outros casos, nem são aceitos; como o exemplo a seguir:

O Padre Marcelo, citado por você, foi contactado a pouco tempo atrás, por uma equipe de eventos que conheço afim de que viesse realizar um show católico na cidade que resido. Ele não aceitou vir. Em posterior diálogo com os organizadores do evento, soube o motivo real de sua decisão, ele viria apenas (de graça sem cachê) se no evento nada fosse cobrado ao público, ou seja, que o evento fosse aberto ao público. Como os organizadores não teriam como custear as despesas sem a cobrança do ingresso não conseguiram trazê-lo.

Que lindo não é mesmo?

Bom meu caro Fernando, sugiro que você reflita profundamente em tudo que aqui foi exposto e, se por um acaso, você ainda vier a discordar, busque alguém para lhe auxiliar nos argumentos, pois dificilmente iremos voltar a responder outra ignorância sem fundamento algum como a sua.

“QUE DEUS GUARDE E ILUMINE SEU CORAÇÃO NA MEDIDA EM QUE SUA ABERTURA TAMBÉM FOR DE MESMA INTENSIDADE.”

 

In Corde Jesu, semper,
Ivanildo de Oliveira
Membro do Apostolado Spiritus Paraclitus


Fontes de Pesquisa:

  • Catecismo da Igreja Católica (CIC);
  • Batendo Papo Com um Crente – Pequeno Dicionário Apologético – Pe. Lino Simonelli, PIME
  • Bento XVI, Um Perfil Biográfico / António Marujo – São Paulo: Paulinas, 2007
  • Dez princípios conservadores / Russel_Kirk – Traducao
  • Eclesiástico.net
  • http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/

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