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Resposta ao questionamento protestante acerca da Maternidade Divina de Maria

LEITOR

Nome: C. G. Machado
Enviada em: 22.05.2011 22:5
MG – Minas Gerais, Brasil

PERGUNTA

Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos. O assunto que eu venho tratar é a respeito da maternidade divina de maria que vocês católicos defendem. De acordo com esse dogma maria é mãe de Deus porque gerou Jesus Cristo. Só que não é bem assim, maria era mãe do Cristo-homem e não do Cristo Deus. Ela gerou apenas a natureza humana de Jesus, pois ele como Deus já existia antes da criação do mundo. João 1;1-3. Tenho lido alguns artigos que vocês escreveram sobre esse assunto, em um deles vocês dizem que nós evangélicos queremos dividir Jesus Cristo em duas pessoas, vocês afirmam que maria era tanto mãe do cristo-homem quanto do Cristo-Deus, ou seja, que ela era mãe das duas pessoas de Jesus. Sem querer ofender a crença de vocês, mas não é isso que a Bíblia ensina, é justamente ela que separa as duas pessoas de Jesus Cristo, tanto a divina quanto a humana. Vejamos:Romanos 1;1-4 Paulo, servo de Jesus Cristo chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus. O qual antes havia prometido pelos seus profetas nas santas escrituras. Acerca de seu filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado filho de Deus em poder segundo o Espirito de santificação pela ressurreição dos mortos- Jesus Cristo Nosso Senhor. como podemos ver a própria palavra de Deus faz essa separação. No verso 3 fica claro que Jesus era da descendência de Davi somente segundo a carne e no versiculo 4 que Jesus é filho de Deus segundo o Espirito. Isto quer dizer que Jesus só era filho de maria segundo a carne, ela não gerou a divindade de Jesus que já existia antes da criação do mundo João 1;1. Vocês dizem que maria é templo do Espirito Santo,que é um ensinamento que eu concordo, pois o corpo dela era realmente Templo do Espirito Santo , porém é só maria que era Templo do Espirito santo, mas todo aquele que passa a crer em Jesus Cristo se torna templo do Espirito Santo .2corintios 6;16. Creiam também em Jesus para que ele também esteja habitando em seus corações . Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com Vocês. Amén.

RESPOSTA

Que a mesma Paz adentre em seu coração meu caro amigo e assíduo leitor, ficamos felizes com seu contato e pedimos desculpas pela demora em responder-lhe, pois a busca por elucidações tem crescido diariamente e Graças a Deus temos conseguido clarear muitas mentes, até então, limitadas. Em primeiro lugar e sem perder tempo gostaria de fazer uma ressalva: ao ler o email enviado por sua parte pude detectar que ao tratar-se à Maria você não usa a letra “M” maiúscula, meu caro, se você não a respeita como “A MÃE DE DEUS” (como logo a seguir provarei que de fato Ela o é) ao menos respeite a Língua Portuguesa que exige o uso de letras maiúsculas no início de todo nome próprio, e Maria é um nome próprio.

Para melhor ajudá-lo no entendimento das necessárias “iluminações” tratarei em tópicos a explicação merecida por sua parte, até para facilitar sua compreensão que, ao que parece, é bastante limitada, seja por conveniência ou por pura ignorância. De antemão mostrarei para você que Jesus não nasceu por pedaços e muito menos dividido, para posteriormente mostrar-lhe que Maria é e sempre foi a MÃE DE DEUS (Theotokos) e para finalizar com chave de ouro lhe trarei à tona o que os seus primeiros “pais” (precursores do protestantismo) pensavam a respeito de tal assunto.

1. VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM

“O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que ele seja o resultado da mescla confusa entre o divino e o humano. Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A Igreja teve de defender e clarificar esta verdade de fé no decurso dos primeiros séculos, diante das heresias que a falsificavam”. (C.I.C. §464)

Como você pode verificar a Igreja não brinca de dizer que é verdade, as afirmações são mediantes a anos de estudos e revelações por meio das Sagradas e Divinas Escrituras e também através da Sagrada Tradição, ainda intensificando tal afirmativa, a Igreja defendeu desde os primeiros séculos tais heresias como a que você acabou de colocar mais uma vez à tona, talvez se você tivesse tido um pouco mais de curiosidade e vontade de ir além de julgamentos pretensiosos tivesse tido tempo de estudar um pouco da história da Igreja Católica e de como ela venceu todas as heresias que contra ela se levantaram, aí talvez você nem tivesse necessitado de tal esclarecimento. Veja como o Catecismo continua a nos ensinar:

“As primeiras heresias, mais do que a divindade de Cristo, negaram sua humanidade verdadeira (docetismo gnóstico). Desde os tempos apostólicos a fé cristã insistiu na verdadeira encarnação do Filho de Deus, “que veio na carne” (Cf. 1Jo 4,2-3; 2Jo 7). Mas desde o século III a Igreja teve de afirmar, contra Paulo de Samósata, em um Concílio reunido em Antioquia, que Jesus Cristo é o filho de Deus por natureza e não por adoção. O primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325, confessou em seu credo que o Filho de Deus é “gerado, não criado, consubstancial (homousios) ao Pai” (Cf. Símbolo Niceno: DS 125) e condenou Ario, que afirmava que o Filho de Deus veio do nada e que Ele seria de uma substância diferente do Pai”. (C.I.C. §465)

Como você demonstrou ser um “exegeta profissional”, com uma “profunda contextualização” da Palavra de Deus, lhe trarei realmente A VERDADE COMPLETA, PLENA E CONTEXTUALIZADA do que diz as Sagradas Escrituras a respeito de Cristo Deus.

Jesus impressionava as multidões por ser Deus, “ensinava como quem tinha autoridade e não como os escribas” (Mt. 7,29).

Ele provou ser Deus; isto é, Senhor de tudo, onipotente, oniciente, onipresente: andou sobre as águas sem afundar (Mt 14,26), multiplicou os pães (Mt 15,36), curou leprosos (Mt 8,3), dominou a tempestade (Mt 8,26), expulsou os demônios (Mt. 8,32), curou os paralíticos (Mt 8,6), ressuscitou a filha de Jairo (Mt 9,25), o filho da viúva de Naim, chamou Lázaro do túmulo, já em estado de putrefação (Jo11, 43-44), transfigurou-se diante de Pedro, Tiago e João, no Monte Tabor (Mt 17,2) e ressuscitou triunfante dos mortos (Mt 28,6)…

Os Evangelhos narram 37 grandes milagres de Jesus, sem contar os que não foram escritos. Provou que era Deus!

Só Deus pode fazer essas obras!  É por isso que São Paulo disse que:

“Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Col 2,9).

“Ele é a imagem do Deus invisível” (Col 1,15).

São Pedro diz, como testemunha:

“Vimos a sua majestade com nossos próprios olhos” (2 Pd 1,16).

E esse meu caro Célio é Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, um todo, completo, sem distinção de partes ou mesclas confusas, como fica bem mais claro a seguir:

“A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, S. Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunido em Éfeso em 431, confessaram que “o Verbo, unido a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem” (Cf. DS 250). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a Pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção”. (C.I.C. §466)

Como o foco não é este, fica então uma curta reflexão para que você entenda a veracidade da Maternidade Divina de Maria, mas acaso você precise de mais informações a respeito, entre em contato conosco novamente e enviaremos mais detalhes referentes à unidade de Cristo.

2. MARIA, A MÃE DE DEUS (THEOTOKOS)

Continuando o parágrafo do Catecismo, citado acima, vai nos dizer assim:

“Por isso o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio: “Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza Divina, mas porque é dela que Ele tem o corpo Sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne”.

O Título de Theotokos, Mãe de Deus, aparece pela primeira vez, na literatura cristã, nos escritos dos Orígenes de Alexandria (†250) e foi solenemente proclamado pelo Concílio de Éfeso (431). A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais freqüente, a esse termo, já entrando no patrimônio de Fé da Igreja.

Compreende-se, por isso, o grande movimento de Protesto, que se manifestou no século IV, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do Título “Mãe de Deus”. Ele, de fato, propenso a considerar Maria somente como mãe do homem Jesus (alguma coisa em comum, em familiar…?), afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão “Mãe de Cristo”. Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da Pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presente n’Ele.

O Concílio de Éfeso, no ano de 431, condenou suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarna-se, assumiu dela a natureza humana. Como diria Santo Agostinho:

“se a Mãe fosse fictícia seria fictícia também a carne… fictícias seriam também as cicatrizes da ressurreição” (Tract. In Ev. Loannis, 8, 6-7)

Mas como realmente Maria pode ser (e de FATO o é) a Mãe de Deus? – Aprecie a resposta:

Toda mãe é mãe de uma pessoa. – Qual a pessoa que nasce de Maria? – A segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que dela assumiu a carne humana, e sendo Jesus “uma pessoa” apenas, é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Com isso Maria não é apenas mãe de carne humana, mas de toda a realidade do seu Filho, que tinha uma só Pessoa (a Divina). Daí a linda afirmativa defendida com amor pela Igreja de que Maria é mãe de Deus, não enquanto Deus sem mais, mas enquanto Deus feito homem. Isto é pura lógica.

Naturalmente isso excede toda a imaginação humana, porém para Deus não cria dificuldade alguma. Uma vez que quis assumir um corpo humano aceitou também de nascer de uma criatura humana. O maior poeta italiano (poeta e teólogo) ficou encantado com tal beleza misteriosa e cantou: “Virgem e mãe, ó filha do teu Filho – Humilde e grande mais que criatura”. (Divina Comédia)

Sem dúvida o Filho de Deus podia se tornar homem nascendo biologicamente de José e Maria, contudo existia grande conveniência de que nascesse sem o concurso do varão. Com efeito, o Filho de Deus se fez homem sem ter pai na terra, pois já tinha Pai no céu, nessa prerrogativa entende-se o porque de chamarmos José de pai adotivo de Jesus (o que não diminui em nada sua importante participação na educação e vida do menino Jesus); como Deus, era Filho do Pai Eterno; como homem, tornou-se Filho de Maria. Maria foi fecundada pela ação direta do próprio Deus, sua geração virginal foi o modo pelo qual o Pai quis exprimir na carne humana a sua Paternidade em relação a Jesus. Este não é um mero homem como os outros homens, mas é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, por isto nasceu como nenhum homem nasceu, dessa forma fica-se evidente que é a própria identidade de Jesus que está em foco, no caso. Aliás toda a figura de Maria – rica de Graça – está essencialmente em função da figura de Jesus, como todo culto a Maria é marcadamente  cristocêntrico. Cancelar a maternidade Divina de Maria seria indiretamente cancelar um dos aspectos principais da identidade de Cristo.

“Quis o Pai da misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser mãe de seu Filho, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida”. (LUMEN GENTIUM 56; Cf. 61)

Querendo ou não meu caro, Maria é mãe Deus. E verdades como essa são tão eternas quanto a eternidade do próprio Deus, isso nos ensina a Igreja Católica, donde provém a plenitude de toda a Revelação:

“O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo, mas o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo.” (C.I.C. §486)

3. O PROTESTANTISMO E MARIA

A problemática entre a atenção e a devoção a Maria Santíssima é mais agudo em nossos dias do que no início da Reforma, principalmente por causa dessas novas denominações do protestantismo (movimentos pentecostais) que são indiferentes ou infensas a Maria. Mas mostrarei agora que essa palhaçada presente, nunca foi adotada pelos precursores do Protestantismo, da Reforma.

Lutero, em 1522, escreveu um belo comentário do Magnificat de Nossa Senhora, onde repetidas vezes a chama de a “doce Mãe de Deus”. E nele Lutero pede à Virgem “que ore por ele”. Entre outras coisas ele disse da Virgem Maria: “Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat… Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amém.” (Comentário do Magnificat).

Como então os protestantes, os seguidores de Lutero, não aceitam a intercessão de Nossa Senhora? É bom recordar também que Lutero implorou a intercessão de Santa Ana, mãe de Nossa Senhora, quando quase foi atingido por um raio.

Lutero disse ainda: “Ela [Maria] nos ensina corno devemos amar e louvar a Deus, com alma despojada e de modo verdadeiramente conveniente, sem procurar nele o nosso interesse… Eis um modo elevado, puro e nobre de louvar: é bem próprio de um espírito alto e nobre corno o da Virgem.” (“Maria Mãe dos homens”, Edições Paulinas, SP, p. 561).

“Maria – escreve Lutero – não se orgulha da sua dignidade nem da sua indignidade, mas unicamente da consideração divina, que é tão superabundante de bondade e de graça que Deus olhou para uma serva assim tão insignificante e quis considerá-la com tanta magnificência e tanta honra… Ela não exaltou nem a vir¬gindade nem a humildade, mas unicamente o olhar divino repleto de graça. (…) De fato não deve ser louvada a sua pequenez, mas o olhar de Deus”. (idem)

Lutero mostra que Nossa Senhora não atrai a nossa atenção sobre Si, mas leva-nos a olhar para Deus: “… Maria não quer ser um ídolo; não é Ela que faz, é Deus que faz todas as coisas. Deve ser invocada para que Deus, por meio da vontade dela, faça aquilo que pedimos; assim devem ser invocados também todos os outros santos, deixando que a obra seja inteiramente de Deus” (idem pp.574-575).

Madre Basiléia, é da Sociedade das Irmãs de Darmtadt, fundada na Alemanha e presente no Brasil, luterana; no entanto, as irmãs dessa Comunidade acrescentam no seu nome de Batismo o de Maria, como acontece em algumas Congregações católicas. M. Basiléia escreveu o livro “Maria – Der Weg der Mutter des Herrn”, sobre o “Caminho de Maria”, publicado em Português, em Curitiba (1982), onde cita algumas coisas que Lutero escreveu da Virgem Maria, que transcrevemos da Revista Pergunte e Responderemos, n. 429, 1998 – Lutero e Maria Santíssima, pp. 81-86).

“O que são as servas, os servos, os senhores, as mulheres, os príncipes, os reis, os monarcas da terra, em comparação com a Virgem Maria, que, além de ter nascido de uma estirpe real, é também Mãe de Deus, a mulher mais importante da Terra? No meio de toda a Cristandade ela é a jóia mais preciosa depois de Cristo, a qual nunca pode ser suficientemente exaltada; a imperatriz e rainha mais digna, elevada acima de toda nobreza, sabedoria e santidade”.

“Por justiça teria sido necessário encomendar-lhe um carro de outro e conduzi-la com 4000 cavalos, tocando a trombeta diante da carruagem, anunciando: “Aqui viaja a mulher bendita entre todas as mulheres, a soberana de todo o gênero humano”. Mas tudo isso foi silenciado; a pobre jovenzinha segue a pé, por um caminho tão longo, e apesar disso, é de fato a Mãe de Deus. Por isso não nos deveríamos admirar, se todos os montes tivessem pulado e dançado de alegria”.

“Esta única palavra “mãe de Deus” contém toda a sua honra. Ninguém pode dizer algo de maior dela ou exaltá-la, dirigindo-se à ela, mesmo que tivessem tantas línguas quantas folhas crescem nas folhagens, quantas graminhas há na terra, quantas estrelas brilham no céu e quantos grãozinhos de areia existem no mar. Para entender o significado do que é ser mãe de Deus, é preciso pesar e avaliar esta palavra no coração”. (Explicação do Magníficat)

Depois de citar essas palavras de Lutero, M. Basiléia ainda escreve: “Ao ler essas palavras de Martinho Lutero, que até o fim de sua vida honrava a mãe de Jesus, que santificava as festas de Maria e diariamente cantava o Magnificat, se percebe quão longe nós geralmente nos distanciamos da correta atitude para com ela, como Martinho Lutero nos ensina, baseando-se na Sagrada Escritura. Quão profundamente todos nós, evangélicos, deixamo-nos envolver por uma mentalidade racionalista, apesar de que em nossos escritos confessionais se lêem sentenças como esta: “Maria é digna de ser honrada e exaltada no mais alto grau” (Art. 21,27 da Apologia de Confissão de Augsburgo).

Em 1537, em seus “Artigos da Doutrina Cristã”, é o próprio Lutero quem diz: “O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o concurso de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem”.

M.Basiléia explica porque escreveu este livro para os evangélicos: “Minha intenção ao escrever este opúsculo sobre o caminho de Maria, segundo o que diz dela a Sagrada Escritura, foi conscientemente reparar esta omissão pela qual me tornei culpada para com o testemunho da Palavra de Deus. Nas últimas décadas o Senhor me concedeu a graça de aprender a amar e honrar cada vez mais a Maria, a mãe de Jesus… Minha sincera intenção ao escrever esse livro, é fazer o que posso para ajudar, a fim de que entre nós, os evangélicos, a mãe de nosso Senhor seja novamente amada e honrada, como lhe compete, segundo as Palavras da Sagrada Escritura e conforme nos recomendou Martinho Lutero, nosso reformador”.

Continua M. Basiléia: “A nossa Igreja Evangélica deixou de lhe prestar honra e louvor; receando com isso reduzir a honra devida a Jesus. Mas o que aconteceu é o seguinte: toda honra autêntica dirigida aos discípulos de Jesus e também à Sua Mãe aumenta a honra do Senhor. Pois foi Ele, só Ele, que os elegeu, os cobriu com sua graça e fez deles Seu vaso de eleição. Por sua fé, seu amor e sua dedicação para com Deus, é Deus colocado no centro das atenções e é glorificado”… “É também intenção nossa – como Imaculada de Maria – contribuir em obediência à Sagrada Escritura, para que nosso Senhor Jesus não seja entristecido por um comportamento nosso destituído de reverência para com Sua mãe ou até de desprezo. Pois ela é Sua mãe que O deu à luz e O criou e educou e a cujo respeito falou o Espírito Santo, por intermédio de Isabel: “Bem-aventurada a que creu”! João Calvino, o reformador protestante de Genebra, aceitou o título de “Mãe de Deus” (Théotokos) definido pelo Concílio de Éfeso, no ano 431, quando foi condenada a heresia de Nestório. Ele sustenta a Virgindade de Maria, afirmando que os irmãos de Jesus citados em Mt 13, 55 não são filhos de Maria, mas parentes do Senhor; professar o contrário, segundo Calvino, significa “ignorância”, “louca sutileza” e “abuso da Sagrada Escritura”. (Revista PR, n. 429, p. 34, 1998)

Calvino disse: “Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus.” (Comm. Sur l’Harm. Evang.,20)

Em 1542, João Calvino publicou o Catecismo da Igreja de Genebra, onde se lê: “O Filho de Deus foi formado no seio da Virgem Maria… Isto aconteceu por ação milagrosa do Espírito Santo sem consórcio de varão”.

“Firmemente creio, segundo as palavras do Evangelho, que Maria, como virgem pura, nos gerou o Filho de Deus e que, tanto no parto quanto após o parto, permaneceu virgem pura e íntegra.” (”Corpus Reformatorum”)

Zwinglio, o reformador protestante de Zurich, conservou três festas marianas (Anunciação, Visitação, Apresentação no Templo) e a recitação da Ave Maria durante o culto sagrado. (PR, idem)

John Wesley, fundador da Igreja metodista na Inglaterra, em 1739, disse: “Creio que [Jesus] foi feito homem, unindo a natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria que, tanto antes como depois de dá-lo à luz, continuou virgem pura e imaculada.”

O Manifesto de Dresden é um texto de um grupo de Teólogos Protestantes Luteranos publicado em Dresden, então Alemanha Oriental na revista Spiritus Domini em Maio de 1982, (nº 05, maio de 1982) em que questionam a “recusa e indiferença” por parte de outras denominações evangélicas à Maria, argumentam que o próprio Martinho Lutero  foi devoto de Maria e dentre outras questões, se demonstram “perplexos” diante da recusa dos Milagres  e aparições de Maria por estes grupos.

O Manifesto de Dresden

“Em Lourdes, em Fátima e em outros santuários marianos, a crítica imparcial se encontra diante de fatos sobrenaturais, que tem relação direta com a Virgem Maria, seja mediante as aparições, seja por causa das causas milagrosas solicitadas por sua intercessão. Estes fatos são tais que desafiam toda a explicação natural.”

Sabemos, ou deveríamos saber, que as curas de Lourdes e Fátima são examinadas com elevado rigor científico por médicos católicos e não-católicos. Conhecemos a praxe da Igreja Católica, que deixa transcorrer vários anos antes de declarar alguma cura milagrosa. Até hoje, 1200 curas ocorridas em Lourdes foram consideradas pelos médicos cientificamente inexplicáveis, todavia a Igreja Católica só declarou milagrosas 44 delas.

Nos últimos 30 anos, 11 mil médicos passaram por Lourdes. E todos eles, qualquer que seja a sua religião ou posição científica, tem livre acesso ao Bureau des Constatatione Medicales. Por conseguinte, uma cura milagrosa é cercada das maiores garantias possíveis. Qual é, pois, o sentido profundo destes milagres no plano de Deus? Bem parece que Deus quer dar uma resposta irrefutável à incredulidade dos nossos dias. Como poderá um incrédulo continuar a viver de boa fé na sua incredulidade diante de tais fatos? E também nós, “cristãos evangélicos”, podemos ainda, em virtude de preconceitos, passar ao lado destes fatos sem nos aplicarmos a um atento exame?

Uma tal atitude não implicaria grave responsabilidade para nós? Por que um cristão evangélico pode ter o direito de ignorar tais realidades pelo fato de se apresentarem na Igreja Católica e não na sua comunidade religiosa? Tais fatos não deveriam, ao contrário, levar-nos a restaurar a figura da Mãe de Deus na Igreja Evangélica? Somente Deus pode permitir que Maria se dirija ao mundo, através de aparições. Não nos arriscamos, talvez a cometer um erro fatal, fechando os olhos diante de tais realidades e não lhes dando atenção alguma?

Cristãos evangélicos da Alemanha, deveremos talvez continuar a opor-lhes recusa e indiferença? Continuaremos a nos comportar de modo que o inimigo de Deus nos mantenha em atitude de intencional cegueira? Não deveremos talvez abrir o nosso coração a esta luz que Deus faz brilhar para a nossa salvação?

Tal problema evidentemente merece exame, não deve ser afastado de antemão, por preconceito, pelo único motivo de que tais curas são apresentadas pela Igreja Católica. Uma tal atitude acarretaria grave dano para nós mesmos e para o mundo inteiro. Grande responsabilidade nos toca. Temos o direito de examinar tais fatos. Não nos é possível passar ao largo e encampar tudo no silêncio. Hoje, em alguns países, está em causa a existência mesmo do Cristianismo. Seria o cúmulo da tolice ignorarmos a voz de Deus, que fala ao mundo pela mediação de Maria, e dar-lhes as costas unicamente porque Ele faz ouvir sua voz através da Igreja Católica. Como quer que seja, não podemos calar por muito tempo sobre tais realidades.

Temos que examiná-las, sem preconceito, pois é iminente uma catástrofe. Poderia acontecer que, rejeitando ou ignorando a mensagem que Deus nos faz chegar através de Maria, estejamos recusando a última graça que Ele nos oferece para a nossa salvação.

É, por isso, um dever muito grave para todos os chefes da Igreja Luterana, e para outras comunidades cristãs, examinar tais fatos e tomar uma posição objetiva. Este dever impõem-se também pelo fato de que a Mãe de Deus não foi esquecida somente depois da Guerra dos 30 anos e na época dos livres pensadores da metade do século XVIII. Sufocando no coração dos evangélicos o culto da Virgem, destruíram os sentimentos mais delicados da piedade cristã.

No seu Magnificat, Maria declara que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada até o fim dos tempos. Todos nós verificamos que esta profecia se cumpre na Igreja Católica e, nestes tempos dolorosos, com intensidade sem precedentes. Na Igreja Evangélica tal profecia caiu em tão grande esquecimento que dificilmente se encontra algum vestígio da mesma.

Lutero honrou Maria até o fim de sua vida; santificava suas festas e cantava diariamente o Magnificat. Perdeu-se na Igreja Evangélica, em tempos posteriores à Reforma, todas as festas a Maria e tudo o que nos trazia sua lembrança. Estamos padecendo as conseqüências dessa herança de receio e temor. Entretanto, Lutero nos diz que nunca poderemos exaltar suficientemente a Mulher que constitui o maior tesouro da Cristandade depois de Cristo.

É, portanto, um profundo desejo de meu coração poder ajudar agora a que, da nossa parte, católicos evangélicos, Maria seja novamente amada e venerada como a Mãe do Nosso Senhor. E isso corresponde ao testemunho da Sagrada Escritura e também ao que o reformador protestante Lutero indicou. O temor de diminuir a glória de Jesus foi a causa de que as Igrejas Evangélicas se negassem à Maria a veneração e os louvores devidos.

Entretanto, temos que afirmar que, através da justa veneração que aos apóstolos e a ela corresponde, multiplica-se a glória e o louvor ao Senhor, porque foi Ele que a elegeu (e a fez) pela Sua Graça um instrumento seu. Jesus espera que veneremos Maria e a amemos. Assim nos diz a Palavra de Deus e esta é, portanto, a Sua Vontade. E só aqueles que guardam a Sua Palavra são os que amam verdadeiramente a Jesus (Jo 14, 23).”

E para finalizar, segue os sete pontos do discurso, que o pastor protestante M. Baumann, fez saudando o bispo de Fátima (Portugal), durante um encontro de orações pela paz do mundo, em Weingarten – Alemanha – (Cf. L’Homme Nouveau – Paris – 4/01/1962). Texto resumido.

1. Com nossos irmãos católicos, oramos para que a paz de Cristo reine sobre toda a terra.

2. Mantemo-nos debaixo da cruz de Cristo, com Maria.

3. Nós cremos naquilo que a Palavra de Deus nos diz sobre Maria.

4. Nós redescobrimos que Maria é Mãe de Deus. Os livros que contém nossa fé evangélica proclamam claramente que Maria é Mãe de Deus.

5. Com “a cheia de graça” nós damos a Deus um “sim” incondicional.

6. Nós reconhecemos Maria como Rainha da Paz.

7. Nós nos unimos a toda a Igreja na sede da Paz. Nestes dias em que nossos irmãos católicos lançam novamente ao mundo a mensagem de Fátima, nós lhe agradecemos sua fidelidade ao Evangelho, testemunhada pela veneração à Maria.

Como se vê os “mestres” da Reforma foram muito mais fiéis à Maria do que seus discípulos, “reformadores da Reforma do século XVI”.

Desejo com isso meu caro Célio que você possa abrir seu coração ao menos para um questionamento mais profundo em relação à Maria em um contexto geral, garanto que você irá descobrir verdades incríveis. Grato por sua atenção e desejoso de que você adentre neste mistério junto com tantos que precisam redescobrir o valor de Maria em toda a realidade cristã.

Salve Maria,
Ivanildo Oliveira Maciel Junior – Membro do Apostolado SPIRITUS PARACLITUS

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