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O Ateísmo é incompreensível até mesmo para os ateus.

José Geraldo Gouvêa

Na verdade os ateus entendem a existência de crentes. O que ocorre é que há muitos ateus por aí que dizem sê-los, mas se comportam exatamente do modo que reprovam nos crentes. Tornam-se sectários, orgulhosos e preconceituosos.

É muito fácil tirar um homem de dentro da igreja, difícil é o homem tirar a igreja de dentro de si. Esses hábitos adquiridos desde a infância são renitentes. Não admira que os crentes façam tanta questão de ensino religioso, escola dominical, etc. “É de pequenino que se torce o pepino.”

É parcialmente sincera a afirmação de muitos crentes, incapazes de entender a existência de ateus. Eles foram criados dentro de um mundo no qual ateísmo não existe, foram doutrinados desde cedo. Para eles o ateísmo é incompreensível.

Na verdade, para a maioria dos próprios ateus o ateísmo é incompreensível. Ateísmo não é filosofia, não é resposta, não é muleta para amparar ninguém.

“Saber” algo sobre o ateísmo é algo impossível, a não ser que você chame de “ateísmo” ao conjunto de comportamentos e teorias desenvolvidos em torno da descrença.

Existe um modelo teórico para isso: os buracos negros (que não podem ser estudados diretamente) são conhecidos através do estudo das alterações que fazem no universo ao seu redor. O estudo do ateísmo seria o estudo do que está ao redor da descrença em si, da mesma forma.

Tudo isso é um tanto sofisticado para a maioria das pessoas. Talvez por isso os ateus mais jovens (ou os menos experientes, independente da idade) recaiam em fórmulas fáceis como “Jesus foi um mito”, “Deus não existe”, etc.

É muito mais fácil recorrer a frases afirmativas. Só que tais frases não dizem nada. Nenhuma frase de efeito diz coisa alguma. O que importa não são as palavras, mas o que elas dizem. Se você não compreende porque diz a frase, dizê-la é como repetir um mantra em sânscrito, como fazem os Hare Krishna.

Existe um problema muito grave com a definição mais usual de “ateísmo”. Inclusive a que aparece nos dicionários. Normalmente o sufixo “a” é usado como uma forma de negação sem oposição. Para memorizar seu sentido, lembre-se das palavras “amoral” (sem moral) e “imoral” (contrário à moral). “Ateísmo” seria a ausência de uma crença (”teísmo”, crença em deus) e não uma oposição a essa crença. Só que “iteísmo” não existe e as pessoas acabam usando a palavra “ateísmo” também para atitudes contrárias à crença.

Estritamente falando, “não crer” em deus(es) já é ateísmo. Não há necessidade de nenhuma postura intelectual ou paradigmática. O problema é que o tema é tão carregado que o debate tende a se polarizar e as pessoas que não creem se veem forçadas a afirmar que o objeto no qual não creem não existe.

Por essa razão o debate se torna cada vez mais complexo. Por isso os crentes ficam confusos sem saber o que exatamente é ateísmo. E por isso a maioria dos ateus acaba se perdendo também. Achando que ser ateu é mais ou menos uma religião ou um partido político.

Fonte: Blog Carmadelio

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