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Quando Cosmovisões Colidem: C.S.Lewis e Freud – I  

Quando Cosmovisões Colidem: C.S.Lewis e Freud   IO seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. A parte dois aparece na The Real Issue de Março de 1998 e aborda a mudança de cosmovisão de Lewis e sua conversão.

As cosmovisões1 de Sigmund Freud e C.S. Lewis, ambas predominantes na nossa cultura hoje, apresentam interpretações inteiramente opostas de quem nós somos, nossa identidade, de onde viemos, de nossa herança cultural e biológica e de nosso destino. Primeiramente vamos estabelecer as bases para nossa discussão fazendo três questionamentos. Quem é Sigmund Freud? Quem é C.S.Lewis? E o que é uma cosmovisão?

Poucos homens influenciaram mais a estrutura moral de nossa civilização do que Sigmund Freud e C.S. Lewis. Freud foi o médico Vienense que desenvolveu a psicanálise. Muitos historiadores comparam suas descobertas às de Plank e Einstein. Suas teorias proveram uma nova compreensão de como nossas mentes funcionam. Suas idéias penetram em diversas disciplinas incluindo a medicina, literatura, sociologia, antropologia, história e o direito. A interpretação do comportamento humano no direito e na crítica literária é fortemente influenciada pela suas teorias. Seus conceitos estão tão presentes na nossa linguagem que nós usamos termos como repressão, complexo, projeção, narcisismo, ato falho e rivalidade fraterna sem sequer nos darmos conta de sua origem.

Devido ao impacto inigualável de seu pensamento sobre nossa cultura, levou alguns estudiosos a referir-se ao século XX como o “século de Freud”. Por que isso? À luz do que sabemos agora, Freud é continuamente criticado, desacreditado, e difamado; ainda assim sua imagem continua a aparecer em capa de revistas e artigos de primeira página em jornais como o The New York Times. As recentes pesquisas históricas intensificaram o interesse nas controvérsias em torno de Freud e seu trabalho. Como parte de seu legado intelectual, Freud defendia fortemente o secularismo, materialismo e filosofia de vida ateísta.

Apesar de C.S.Lewis ter conquistado reconhecimento intelectual muito antes de sua morte em 1963, seus livros acadêmicos e populares continuaram a vender milhões de cópias por ano e sua influência continua a crescer. Durante a Segunda Guerra Mundial, os pronunciamentos de Lewis na rádio fizeram de sua voz a segunda mais popular da rádio BBC perdendo apenas para Churchill. Nos anos que se sucederam, a foto de Lewis apareceu na capa da revista Times e outras revistas importantes.

Hoje, a grande quantidade de livros e artigos biográficos e literários sobre Lewis, o vasto número de sociedades C.S.Lewis, organizadas em centros acadêmicos e universidades, as publicações periódicos sobre C.S.Lewis em revistas, como também o recente filme e peça sobre sua vida confirmam o crescente interesse nesse homem e suas obras. Como um jovem membro da universidade de Oxford, Lewis mudou de uma visão secular e ateísta para uma espiritual; uma cosmovisão que Freud freqüentemente atacava, mas a qual Lewis abraçou e definiu em muitos de seus escritos após a conversão. Tanto Lewis quanto Freud possuíam dons literários extraordinários. Freud ganhou o prêmio Goethe de literatura em 1930. Lewis, que lecionou em Oxford e foi catedrático de Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge, produziu algumas das críticas  mais importantes do mundo literário e possui uma grande quantidade de livros acadêmicos e de ficção amplamente lidos.

Cosmovisões conflitantes.

Agora, sobre a questão da definição de “cosmovisão”. Em 1933, em uma palestra chamada “A questão da Weltanschauung”[A questão da visão de mundo] Freud definiu cosmovisão como “uma construção intelectual que resolve todos os problemas de nossa existência, uniformemente, sobre o fundamento de uma hipótese dominante.”

Todos nós, quer nos apercebamos ou não, abraçamos uma forma de visão de mundo; temos uma filosofia de vida, na tentativa de dar sentido a nossa existência. Ela contém nossas respostas às principais questões que dizem respeito ao sentido de nossas vidas, questões que nos deparamos em algum período de nossas vidas, e que nós freqüentemente pensamos apenas quando acordamos às três da manhã. O resto do tempo que estamos sozinhos nós temos o rádio e a televisão ligados que impedem que fiquemos sozinhos com nós mesmos. Pascal dizia que a única razão de nossa infelicidade é que nós não somos capazes de ficar sozinhos em nosso quarto. Ele alegou que nós não gostamos de confrontar a realidade de nossas vidas, a condição humana é tão basicamente infeliz que nós fazemos de tudo para nos distrair ao invés de pensar nisso.

O grande interesse e influência duradoura das obras de Freud e Lewis se originam nem tanto de seus estilos literários singulares, mas sim do apelo universal que tem as questões que eles abordaram; questões que permanecem extraordinariamente relevantes às nossas vidas pessoais e à nossa crise social e moral contemporânea.

A partir de visões diametralmente opostas, eles falaram sobre questões como, “Há sentido e propósito para a existência?” Freud diria, “Absolutamente não! Não podemos nem, do nosso ponto de vista científico, abordar a questão de se há ou não sentido para a vida.” Mas ele afirmaria que se você observar o comportamento humano, perceberá que o principal propósito da vida parece ser a conquista da felicidade e do prazer. Assim Freud desenvolveu o “principio do desejo” como uma das principais características de nossa existência.

Lewis, por outro lado, disse que o sentido e propósito são encontrados na compreensão do por que estamos aqui em relação ao Criador que nos fez. Nosso propósito primordial é estabelecer um relacionamento com o Criador. Freud e Lewis também discutiram as fontes da moralidade e da consciência. Todos os dias nós nos levantamos e fazemos uma série de decisões que nos sustentam ao longo do dia. Essas decisões são geralmente baseadas no que nós consideramos ser o certo: o que nós valorizamos, nosso código moral. Decidimos estudar com afinco e não usar as idéias de outras pessoas, porque de alguma forma isso é parte de nosso código moral. Agora, Freud disse que nosso código moral vem da experiência humana, como nossas leis de trânsito. Nós fazemos os códigos por que eles são convenientes para nós. Em algumas culturas você dirige na esquerda, em outras você dirige na direita.

Mas Lewis discordaria disso. Ele disse que, embora existam diferenças culturais, há um código moral básico que transcende a cultura e o tempo. Essa lei não é inventada, como as leis de trânsito, mas é descoberta, como as verdades matemáticas. Assim, Freud e Lewis tinham um entendimento completamente diferente da fonte da verdade moral.

Lewis e Freud também falaram a respeito da existência de uma inteligência além do universo; Freud disse “Não”, Lewis disse “Sim”. Suas visões os levaram a discutir o problema dos milagres na era científica. Freud alegou que os milagres contradizem tudo que aprendemos através da observação empírica, eles não ocorrem de fato. Entretanto, Lewis perguntaria; “Como sabemos que eles não ocorrem? Se há alguma evidência, a filosofia que você trás para interpretar a evidência determina como você interpretará.” Então, de acordo com Lewis, nós precisamos entender se nossa filosofia exclui os milagres e, portanto, afeta nossa interpretação da evidência.

Tanto Freud quanto Lewis falaram muito a respeito da sexualidade humana. Freud considerava todo tipo de amor uma forma de sexualidade sublimada, até mesmo o amor entre amigos. Lewis disse que qualquer um que pense que a amizade é baseada em sexualidade nunca teve um amigo realmente.

Eles também discutiram o problema da dor e do sofrimento. Freud era extremamente incomodado por esse problema, e Lewis escreveu alguns maravilhosos livros que ajudam a explicar o problema do sofrimento que todos nós experimentamos. O Problema do Sofrimento [Editora Vida] é uma discussão bastante intelectual da questão. Quando a mulher de Lewis morreu, ele escreveu Anatomia de uma dor [Editora Vida], que eu recomendo enfaticamente. As pessoas da minha área dizem que esse é o melhor trabalho sobre o processo de luto.

E, é claro, ambos discutiram o que Freud chamou de “O enigma da morte”. Mas eu retornarei a este ponto mais tarde. Cada uma das questões que eu abordei são filosóficas por natureza. É importante notar que os trabalhos filosóficos de Freud tiveram mais influência na secularização da cultura do que seus trabalhos científicos. Eu vou discutir dois desses temas.

Deus em Questão

Primeiro, a existência de uma inteligência para além do universo, o que os cientistas modernos chamam de “A questão de Deus”. Norman Ramsay, professor de física de partículas em Harvard, ganhou o Prêmio Nobel de Fìsica em 1989. Ele me disse recentemente que mesmo em seu campo, os cientistas têm se tornados interessados na questão de se há ou não uma inteligência além do universo. Ele disse que é uma área de interesse relativamente recente para eles e que tem sido provocada principalmente pela aceitação da teoria do Big Bang. Eu repliquei dizendo que eu não entendi bem a relação. Ele disse, “Bem, quando se acreditava que o universo não tinha começo era mais fácil, pois ninguém tinha que se preocupar com o que veio antes. Mas desde que alguém aceita a idéia de que o universo teve um inicio num ponto especifico do tempo, tem que pensar também sobre o que ocorreu antes. Então os físicos agora estão pensando sobre questões que somente teólogos e filósofos pensaram no passado.”

Ao olharmos o mundo ao nosso redor, nós fazemos uma das duas premissas básicas: ou vemos o universo como um acidente e nossa existência neste planeta como uma questão de pura chance, ou presumimos alguma inteligência além do universo que não só provê ao universo uma precisão e ordem, mas também provê sentido e propósito à vida. Como vivemos nossas vidas, como terminamos nossas vidas, o que percebemos tudo é formado e influenciado consciente ou inconscientemente por uma dessas duas suposições básicas.

Tendo isso em mente, Freud dividiu todas as pessoas entre “crentes” e “descrentes”[interessante notar que Freud não divide as pessoas em categorias psiquiátricas]. Na categoria de descrentes incluem todos aqueles que se autointitulam materialistas, exploradores, céticos, agnósticos e ateus; Sob o termo crente inclui o resto, cuja crença varia desde um mero assentimento intelectual a algum Ser Sobrenatural e todos aqueles como Agostinho, Tolstoy e Pascal que tiveram uma experiência transformadora depois da qual sua fé se tornou o principal princípio motivador e organizador de suas vidas.

Freud foi de encontro, clara e enfaticamente, à noção de que há “Alguém” além deste mundo. Ele descreve sua cosmovisão como secular e a chamo de “cientifica”, e ele alegou que não há nenhuma outra fonte de conhecimento do universo que não seja “a cautelosa observação, o que chamamos de pesquisa.” Logo, nenhum conhecimento, disse ele, pode ser derivado a partir da revelação ou intuição. Ele afirmou que a noção do universo criado por um ser “parecido com o homem mas exaltado em cada aspecto, um super homem idealizado, reflete a brutal ignorância dos povos primitivos.” Ele afirmou que nenhuma pessoa inteligente pode aceitar os absurdos da cosmovisão religiosa.

Freud descreveu o conceito de Deus como uma simples projeção do desejo infantil de proteção por um pai todo-poderoso. Ele acrescentou que “a religião é uma tentativa de controlar o mundo sensorial, no qual estamos situados, por um mundo que desejamos que é desenvolvido dentro de nós como um resultado de anormalidades biológicas e psicológicas.”

Ele concluiu que a visão religiosa é “tão patética e absurda e… infantil que é humilhante e constrangedor pensar que a maioria das pessoas jamais vai superar isso.” Apenas por um breve período quando era estudante sob a orientação de um brilhante filósofo chamado Franz Brentano, um crente devoto, Freud duvidou de seu ateísmo, mas ele afirmou que continuou descrente pelo resto de sua vida. Um ano antes de sua morte, Freud escreveu para Charles Sanger, “Nem na minha vida privada nem nos meus escritos eu deixei em segredo o fato de ser um completo descrente.”

Quando examinamos o relato cuidadosamente nós descobrimos que Freud talvez não estivesse tão certo de seu ateísmo quanto ele proclamava. Certamente ele se referia a si mesmo freqüentemente como “um Judeu infiel” e ele rejeitou completamente a visão religiosa do universo, especialmente a visão Judaico-Cristã. Ele certamente atacou essa visão com todo seu poderio intelectual e de todas as perspectivas possíveis. Mas ainda assim, por alguma razão ele permaneceu inquieto com estas questões; ele simplesmente não conseguia deixá-las de lado. Ele passou os últimos trinta anos de sua vida escrevendo sobre tais questões.

Em um estudo autobiográfico ele disse que essas questões filosóficas e religiosas o interessaram por toda sua vida desde sua juventude. Um grande número de evidências revela que a cosmovisão de Freud não o deixavam confortável. A fé, de forma alguma, era caso concluído para ele, e ele era extremamente ambivalente em relação a existência de Deus.

Anna Freud, filha e Freud que faleceu há alguns anos atrás, me explicou a única forma de conhecer seu pai: “Não leia suas biografias;” ela instruiu, “leia suas cartas.” Por todas suas cartas, Freud faz afirmações como, “Se algum dia nós nos encontrarmos lá em cima”, “minha única, e secreta oração,” e afirmações sobre a graça de Deus. Durante os últimos trinta anos de sua vida, Freud manteve uma constante troca de centenas de cartas com o teólogo Suíço, Oskar Pfister. É interessante notar que sua correspondência mais longa foi exatamente com este teólogo. Ele admirava Pfister e escreveu, “Você é um verdadeiro servo de Deus… que sente a necessidade de fazer um bem espiritual para todos que você encontra. Você fez isso por mim também.” Ele, posteriormente, disse que Pfister estava, “na honrosa posição de poder levar homens à Deus.”

Será isso apenas formas de expressão? Poderíamos dizer isso de qualquer um, menos de Freud, que alegava que mesmo um ato falho da fala tem um sentido.

Eu tenho estudado os escritos de Freud como também suas cartas por muitos anos e eu concluí que o principal obstáculo que Freud tinha com a idéia de um ser inteligente além do universo era sua incapacidade de conciliar um Deus bom e todo-poderoso com o sofrimento que todos nós experimentamos em certo grau de intensidade. Numa carta para Pfister, em 1928, Freud escreveu, “E por último, deixe-me ser indelicado. Como diabos você concilia tudo que experimentamos e esperamos nesse mundo com sua suposição de um ordem moral mundial?” E depois, numa palestra em 1944, ele disse: “Não parece ser o caso de haver um poder no universo que observa o bem-estar dos indivíduos com cuidado paternal e dirige seus interesses em direção à um final feliz. Pelo contrário, os destinos da raça humana não podem ser harmonizados nem com a hipótese de uma benevolência universal nem com a parcialmente contraditória hipótese de justiça universal. Terremotos, tsunamis, complicações que não fazem nenhum distinção entre os virtuosos e piedosos e os imorais e descrentes. Mesmo quando o que está em questão não é a natureza inanimada, mas quando o destino individual depende de suas relações com outras pessoas, não é de maneira alguma a regra de que a virtude é recompensada e o mal encontra sua punição.Freqüentemente são os espertos e ímpios que usufruem das boas coisas do mundo enquanto o homem piedoso não usufrui de nada. São poderes obscuros, insensíveis e sem amor que determinam nosso destino. Os sistemas de recompensas e punições, que a religião descreve como governo do universo, parece não existir.”

Eu me pergunto quantos de nós pelo menos uma vez não nos sentimos assim. Freud parecia não estar ciente, é claro, de que na cosmovisão Bíblica o governo do universo está temporariamente em mãos inimigas. Antes de Anna Freud falecer, eu lhe perguntei sobre a dificuldade de seu pai com o problema do sofrimento, e ela expressou grande curiosidade em relação a isso. Num determinado momento ela me disse, “Como você explica o sofrimento no mundo? Há alguém lá em cima que diz, ‘Você terá câncer. Você tuberculose’, e distribui adversidades?” Eu disse que não sabia exatamente como responder à pergunta, mas eu sei que ela respeitava Oskar Pfister. Eu disse que pessoas como Pfister descreveriam a presença de um poder maligno no universo que é responsável por parte do sofrimento. Anna pareceu interessada nessa noção e voltou frequentemente a ela na nossa conversa. Devemos lembrar que Freud sofreu consideravelmente em sua vida, emocionalmente como um Judeu crescido na profundamente Católica Viena, e fisicamente com o câncer intratável na boca com o qual ele lutou por dezesseis anos de sua vida. Os procedimentos médicos não eram bem desenvolvidos na época e o causaram uma grande dose de dor física. Então precisamos ter isso em mente quando tentamos entender como ele se sentia. C.S.Lewis, ao longo da primeira metade de sua vida, também se descreveu, como Freud, como um “completo descrente”. Se Freud duvidou de sua descrença quando estava na faculdade, Lewis se regozijava na sua descrença quando estudante em Oxford. Ele expressou um forte cinismo e hostilidade em relação à pessoas que ele chamava de “crentes” e compartilhava do pessimismo de Freud em relação a vida.

Quando tinha trinta e três anos, já um membro popular de Oxford, Lewis experimentou uma profunda e radical mudança em sua vida e em seu pensamento. Ele rejeitou a cosmovisão materialista e ateísta e abraçou uma forte fé em Deus e em Jesus Cristo. Essa conversão de uma cosmovisão para outra começou uma fonte inesgotável de livros acadêmicos e populares que influenciaram milhões de pessoas.

O seguinte artigo foi traduzido e adaptado em algumas partes tendo como base o Livro Deus em Questão na versão portuguesa.

NICHOLI,Armand. Quando Cosmovisões Colidem: C.S.Lewis e Freud – I. [Traduzido e Adaptado por Silva Mendes]. Disponível em: http://www.leaderu.com/real/ri9801/nicholi.html. Acesso em: 18/04/2011

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