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Ciência e Fé são incompatíveis?

Por: Karl Heinz Kienitz

n03-trindadeNosso cotidiano é profundamente influenciado pela ciência. Percebemos isto ao atentar para o copo de água tratada que bebemos ou o telefone celular com o qual nos comunicamos. Mas a fé também tem profundo impacto em nossas vidas. Max Planck, pai da teoria quântica e ganhador do prêmio Nobel de Física de 1919, testemunha que “… desde a infância a fé firme e inabalável no Todo Poderoso e Todo Bondoso tem profundas raízes em mim. De certo seus caminhos não são nossos caminhos; mas a confiança nele nos ajuda a vencer as provações mais difíceis”. 1 A importância da fé também foi reconhecida pelo pintor impressionista Auguste Renoir, que ao comentar certas obras de grandes pintores disse: “Nas obras de antigos mestres jaz uma confiança suave, serena. Ela provém duma conduta despretensiosa, simples, que não existiria sem a fé religiosa como motivo primeiro. O homem moderno, porém, enxotou Deus — e assim perdeu segurança”.

O “enxotar Deus”, como Renoir o expressou, é motivo para propagar um falso conflito entre fé e ciência. Este falso conflito é contundentemente denunciado pelo sociólogo Rodney Stark, que com base em pesquisas sólidas demonstra a inverdade e o forte viés ideológico de afirmações como: “Fé religiosa é uma manifestação primitiva que desaparece com o a difusão da ciência e tecnologia”, “Religião é oriunda de ilusões e neuroses” ou “Religião é, genericamente, instrumento de manipulação”2. Richard Feynman (prêmio Nobel de Física de 1965), embora não-cristão, concorda que “muitos cientistas creem na ciência e em Deus, o Deus da revelação, de uma forma perfeitamente consistente.”

De fato pode-se citar muitos cientistas que consistentemente combina(ra)m uma fé bíblica com uma atividade científica de ponta. Por falta de espaço irei citar apenas mais três.

Primeiro, André Marie Ampère, cujo nome ficou para sempre associado à unidade de corrente elétrica, e que recomenda: “Estude as coisas deste mundo, é tua profissão; mas olha-as apenas com um olho e fita o outro permanentemente na luz eterna… Escreva apenas com uma mão; com a outra te segura na veste de Deus assim como uma criança se segura na veste de seu pai”.

Em segundo lugar, Louis Pasteur, o grande microbiólogo francês do século XIX, entendia a busca pela verdade na ciência e na fé como inter-relacionadas e afirmou: “Proclamo Jesus como filho de Deus em nome da ciência. Meu espírito científico, que dá grande valor à relação entre causa e efeito, comprometeme a reconhecer que, se ele não o fosse, eu não mais saberia quem ele é… Suas palavras são divinas, sua vida é divina, e foi dito com razão que existem equações morais assim como existem equações matemáticas”.

O terceiro seria Arthur L. Schawlow, prêmio Nobel de Física de 1981, que disse: “… eu encontro uma necessidade por Deus no universo e em minha própria vida… Somos afortunados em termos a Bíblia, e especialmente o Novo Testamento, que nos fala sobre Deus em termos humanos muito acessíveis, embora também nos deixe algumas coisas difíceis de entender”.

No Novo Testamento, que nos fala de Deus e de sua manifestação visível em Jesus Cristo, o apóstolo Pedro diz: “Não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade.” (2 Pe 1.16) Esta preocupação com a autenticidade e a verdade é comum a todos os textos da Bíblia e torna sua mensagem compatível com a ciência praticada por cientistas como Ampère, Pasteur e Schawlow.

Notas:

1. As citações usadas neste artigo foram extraídas de J. Gutzwiller – Das Herz, etwas zu wagen, Friedrich Bahn Verlag, 2000 (ISBN 3761593031), exceto a citação de Feynman, que consta de H. Schaefer – Science and Christianity: Conflict or coherence? The Apollos Trust, 2003 (ISBN 097429750X), e a de Schawlow, proveniente de sua própria contribuição em H. Margenau, R.A. Varghese – Cosmos, bios, theos, Open Court, 1992 (ISBN 0812691865).

2. Dois artigos em que Rodney Stark e coautores discutem este assunto são: R. Stark – “False conflict,” The American Enterprise, pp. 27 – 33, outubro/novembro de 2003; R. Stark, L. R. Iannaccone, R. Fink – “Religion, science and rationality,” American Economic Review, vol. 86, número 2, pp. 433-437, maio de 1996.

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