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Tenho uma ideia base de por que temos de nos confessar com o padre (no ato, é Jesus Cristo – evidente), mas gostaria de saber mais detalhadamente tal assunto…

Enviado por L. C.
Religião: Católica
Estado: PR – Paraná

Corpo da mensagem:

Boa Noite!!
Prezados,
Dentre muitas daquelas perguntas clássicas que nos são dirigidas pelos protestantes, gostaria que se possível me esclarecessem uma. Tenho uma ideia base de por que temos de nos confessar com o padre (no ato, é Jesus Cristo – evidente), mas gostaria de saber mais detalhadamente tal assunto… Se puderem me retornar eu agradeceria, obrigado..
Abs.

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RESPOSTA

Pax tecum!

“Deus, em sua infinita misericórdia, preparou dois remédios para os pecados dos homens: o batismo e a penitência. Pelo batismo nascemos para a vida da graça; pela penitência recuperamo-lo, se tivermos a infelicidade de perdê-la. Todo cristão, portanto, deve examinar a sua consciência, não adiando dia a dia a sua conversão. Ninguém espere satisfazer a justiça de Deus na hora da morte.” São Leão Magno (†461)

Firmada sobre uma economia de salvação Sacramental, a Santa Igreja sempre ensinou aos seus filhos a importância da busca pelos conhecimentos da fé, de modo que crendo, compreendam e compreendendo, creiam. O Sacramento da Penitência é de suma importância na vida de um cristão e é assustadora a pouca importância lhe é dado, principalmente ao notarmos as procissões para a comunhão cheias de fiéis e as filas para os confessionários vazias.

Disseste certo, é Deus quem perdoa os pecados e padre, agindo na pessoa de Cristo conforme a autoridade a ele concedida pelo mesmo Cristo, concede a absolvição dos pecados e retorna o fiel à comunhão com a Igreja. (CIC § 1441) É importante notar, por isto, que a reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus, e esta reconciliação não ocorre senão pela confissão total e sincera de todos os pecados mortais, ou – em casos onde não é possível – pelo arrependimento e o pungente desejo de confessar-se.

Este sacramento foi instituído pelo próprio Cristo, como narrado no Evangelho: “Disse-lhes, pois: ‘A Paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim eu também vos envio’. E soprou sobre eles, dizendo: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoastes os pecados, estes lhes serão perdoados. A quem os retiverdes, estes lhes serão retidos.’ ” (Jo 20, 21-23).

Neste mandamento do Senhor, nota-se a autoridade dada aos seus ministros, refutando invenções de muitos inimigos da fé. Cristo concede aos seus discípulos o poder de perdoar e reter os pecados, cabendo aos próprios o discernimento de quais pecados perdoar e quais reter, pela ação do Espírito Santo e pela observação “dos que julgam bem dispostos a recebê-la.” (Catecismo Maior de São Pio X)

Doutrina Católica – Questões Principais

  1. Em que consiste o Sacramento da Reconciliação?

O sacramento da Reconciliação é formado por cinco elementos, igualmente necessários e indispensáveis:

Exame de Consciência – Através de um exame sério e calmo sobre os Mandamentos de Deus, da Igreja, os Pecados Capitais e as faltas dominantes.

  1. Contrição – O arrependimento verdadeiro e sincero sobre todos os pecados graves cometidos, desejando, por amor a Deus e conhecimento de sua infinita bondade, não voltar a ofendê-lo jamais com seus pecados. (Temor de Deus)
  2. Confissão – O próprio ato de se acusar perante o sacerdote de seus pecados, não aumentando nem diminuindo a culpabilidade. Esta confissão deve seguir os seguintes preceitos: Ser humilde, íntegra, sincera, prudente e breve, preceitos estes melhores explicados abaixo.

  3. Absolvição – O próprio perdão dos pecados feito pelo padre, na fórmula da Igreja. A Fórmula comum é esta: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”

  4. Satisfação – O cumprimento de penitência imposta pelo sacerdote para a recuperação da saúde espiritual e/ou expiação de danos feitos a Igreja ou ao próximo. Pode consistir na oração, num donativo, nas obras de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, sacrifícios e, sobretudo, na aceitação paciente da cruz que temos de levar.

  5. A confissão é necessária para a salvação?

Sim, a todo fiel. Aos que são completamente impossibilitados do acesso ao Sacramento por algum motivo, a Igreja recomenda a prática da penitência e a contrição perfeita (Arrependimento e rejeição de todos os pecados, por amor a Deus e a intenção de não voltar a cometê-los, confessando-se imediatamente quando possível).

  1. Posso anotar meus pecados para o confessionário, ou levá-los em meu celular?

Sim. Aos fiéis que tem dificuldade – por nervosismo ou esquecimento – de se recordar de seus pecados, é lícito escrevê-los e levá-los ao confessionário. Recomenda-se, no entanto, a destruição destas informações após a absolvição.

  1. O que é necessário para o bom aproveitamento do sacramento?

Inicialmente, que todos os seus elementos sejam preenchidos integralmente. O fiel deve buscar o conhecimento de seus pecados, arrepender-se verdadeira e completamente de todos eles, detestando-os e propondo não mais cometê-los, confessar-se bem, receber a absolvição e cumprir a penitência.

  1. Alguma recomendação para uma boa confissão?

Antes de confessar-se, deve-se meditar e pedir auxílio do Espírito Santo para a perfeita contrição. A prática de recitação de orações e salmos penitenciais – dos quais o Salmo 51(50) (Miserere) recebe particular destaque – deve acompanhar a preparação para o momento de acusação no “único tribunal onde o réu se declara culpado e é perdoado”.

Antes de entrar no confessionário, é prática de séculos a recitação do “Confiteor”, a oração “Eu, pecador, me confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, (bate-se por três vezes no peito) por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à bem-aventurada Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos e a vós, irmãos, que rogueis a Deus Nosso Senhor por mim.” Ou ainda a versão reduzida desta oração, tal como rezado na Santa Missa.

Após entrar no Confessionário, diz-se: “Abençoe-me, padre, porque pequei”, acomoda-se (conforme costume) e se faz o Sinal da Cruz à benção do Sacerdote. Guardado o momento do Santo Silêncio, comece dizendo quando foi sua última confissão e se a penitência foi cumprida. Após comece a se acusar de seus pecados.

Após a confissão de todos os pecados recordados, recomenda-se lembrar também os não recordados, do futuro e do passado. A fórmula predominante na Igreja é a seguinte: “De todos estes pecados e de todos os que não me lembro, da minha vida presente e passada, perdão a Deus e a vós, padre, penitência e absolvição”.

Reza-se, em seguida, o Ato de Contrição, enquanto o sacerdote recita a fórmula de absolvição. Existem várias fórmulas para esta oração, podendo-se, inclusive, criar a própria. As fórmulas mais comuns seguintes:

Em latim:

“Deus meus, ex toto corde paenitet me omnium meorum peccatorum, eaque detestor, quia peccando, non solum poenas a Te iuste statutas promeritus sum, sed praesertim quia offendi Te, summum bonum, ac dignum qui super omnia diligaris. Ideo firmiter propono, adiuvante gratia Tua, de cetero me non peccaturum peccandique occasiones proximas fugiturum. Amen.”

Tradução portuguesa da fórmula em latim, igualmente venerável:

“Meu Deus, tenho extremo pesar em vos haver ofendido, não apenas por merecer a tua justa punição, mas por seres infinitamente bom e merecedor de todo o amor, e por  ter vos desagradado ao pecar. Faço o firme propósito, auxiliado por vossa santa Graça, de jamais voltar a vos ofender, fazer penitência e esforçar-me para evitar as próximas ocasiões de pecado. Amém”

Fórmula menor, muito comum em várias paróquias:

“Meu bom Jesus, crucificado por minha culpa, estou muito arrependido por ter pecado, pois ofendi a vós tão bom. Perdoai-me, Senhor, não quero mais pecar. Meu Jesus, misericórdia! Amém.”

Após a confissão, o sacerdote normalmente aplica uma penitência, que deve ser cumprida imediatamente. Junto a ela, que se louve e agradeça o Senhor por tão magnífica dádiva. Que se façam orações de ação de graças, com salmos (e.g. 30(29), 103(102), 116(114-115) e principalmente o Salmo 32(31)) e – se possível – que se participe de uma Celebração Eucarística, aliada a obras de piedade e – muito importante – mudança de vida!

  1. Mas como, exatamente, confessar os pecados? Alguma recomendação ou ajuda?

Uma prática que, particularmente, ajuda nas minhas confissões é o seguimento da seguinte ordem:

Mandamentos da Lei de Deus

  1. Orações, comprometimento com as coisas Santas, idolatrias e paixões

  2. Blasfêmias, juramentos, murmurações, dúvidas voluntarias contra a fé

  3. Domingo e dias santos: Missa, dedicação, trabalho desnecessário

  4. Pais, superiores

  5. Prejudicado a si mesmo ou ao próximo

  6. Pureza, castidade

  7. Roubo, privações

  8. Mentira, omissões

  9. Resistência a tentações, desejos impuros

  10. Desapego das coisas materiais, aceitar os planos de Deus para minha vida.

Talvez seja oportuno confessar também o desconhecimento dos mandamentos caso se sinta necessidade lendo a lista acima.

Mandamentos da Igreja

  1. Ver terceiro mandamento da Lei de Deus.

  2. Confissões anteriores e as confissões anuais. Se bem feitas, se verdadeiras, se definitivas, avaliar a disposição a renunciar o pecado ao longo do crescimento espiritual.

  3. Comunhão dos Santos Dons, reconhecimento do Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor. Se comungou indignamente, se profanou o sacramento, se não prestou respeito devido, etc.

  4. Jejum, abstenção de carne e penitências.

  5. Práticas de piedade, ajuda espiritual e financeira – na medida do possível – à Igreja e aos necessitados.

Pecados Capitais

  1. Orgulho – Desprezo, tristeza ou alegria exacerbada, vaidade, falta de humildade

  2. Avareza – Apego ao material e temporal, em detrimento do eterno.

  3. Luxúria – Veja 6º  e 9º  mandamento.

  4. Inveja – Inveja de talentos e bens do próximo. Prazer na tristeza e tristeza na alegria do outro. Difamações, maledicência, etc.

  5. Gula – Temperança no comer, no beber, no dormir. Em geral, na satisfação das necessidades do corpo.

  6. Cólera – Despeito, impaciência, rancor, falta de reconciliação.

  7. Preguiça – Ao levantar, para o trabalho, para as orações, exercícios de piedade, freqüentação dos sacramentos, estudo sobre a fé. Deveres familiares, de estado, etc.

  1. Devo confessar os pecados veniais?

Os pecados veniais são os pecados de culpabilidade menor. Que não fazem o fiel perder a Graça Santificante e, por conseqüência, a comunhão perfeita com a Igreja, apenas machucando a alma e a tornando mais vulnerável aos pecados graves.

Se a condição for oportuna, é recomendável confessar também os pecados veniais, principalmente os de maior freqüência.

  1. Morrer sem confissão implica em condenação eterna?

Não necessariamente. Uma contrição perfeita obtém o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental. Caso o fiel venha a morrer antes de conseguir, a Igreja recomenda sua alma à Misericórdia Divina. (CIC § 1452)

  1. O padre pode revelar meus pecados a outrem?

Não, definitivamente. Penas severíssimas seriam aplicadas caso algum padre ousasse fazê-lo.

  1. O padre pode se negar a me dar a absolvição?

Sim, e tem obrigação moral de fazê-lo caso o penitente não esteja bem preparado ou disposto a rejeitar o pecado.

  1. Existe algum problema em esconder algum pecado na confissão?

Sim, um grande problema! A confissão não é válida – mesmo que o padre dê absolvição – e se acumula outro pecado: Profanação do Sacramento da Confissão.

  1. Existe algum problema em esquecer algum pecado na confissão?

Não. Caso o penitente confesse tudo o que lembrar, sem esconder nenhum voluntariamente, todos os pecados estão perdoados, mesmo os esquecidos. A Igreja recomenda que, caso se esqueça um pecado e depois volte a se lembrar, que seja recordado na próxima confissão.

  1. Existe algum pecado que um sacerdote comum não possa absolver?

Sim, existem pecados que o padre pode não ter permissão de absolver, cabendo isto ao bispo e, em alguns casos, apenas à Santa Sé. Alguns exemplos: Aborto – provocado ou aconselhado; Apostasia; Profanação com a Eucaristia; Violência física com o Pontífice; Heresia; Cisma, etc.

Contra o falso catolicismo modernista – Inverdades refutadas

  1. Os pecados mortais são perdoados na Missa ou em exercícios de piedade.

Não, não são. Apenas pecados veniais são perdoados sem confissão sacramental – ou sem as condições explicitadas na questão 02 acima.

  1. Não há necessidade de se confessar sempre, apenas uma vez ao ano como manda a Igreja

Não, deve-se confessar sempre que se cometer um pecado mortal. É bom recordar sempre as palavras do Papa Leão Magno: “Ninguém espere satisfazer a justiça de Deus na hora da morte. É um perigo para fracos e ignorantes adiar a sua conversão para os últimos dias de sua vida.”

  1. Confissões comunitárias têm o mesmo valor de confissões privadas, inclusive são a prática da igreja primitiva.Não, não tem e não, não são. As confissões comunitárias tal como feitas atualmente não tem nenhuma relação com a confissão pública da Igreja nos tempos apostólicos. Além disso, a confissão comunitária só tem validade em risco de morte iminente e amplo, como acidentes de avião, naufrágios e atentados.
  1. A estrutura do confessionário é ultrapassada. A confissão deve ser um diálogo

Não. Faz parte da Tradição Católica e salutarmente, em sua encíclica Misericordia Dei, o Papa João Paulo II determinou se voltassem os confessionários romanos às igrejas. A confissão como diálogo – o padre e o penitente sentados um de frente ao outro – deve ser evitada, por expor o fiel e o padre à vergonha dos pecados e para evitar casos de escândalos. O modelo tradicional, com uma tela separando o confessor do penitente é fruto de um desenvolvimento orgânico de séculos e jamais deverá ser substituído ou esquecido na tradição latina.

  1. A contrição perfeita substitui a confissão sacramental

Não, não substitui. Em casos em que a confissão sacramental é simplesmente impossível, a contrição perfeita unida ao profundo desejo de se confessar o quanto antes pode ser um meio de salvação. Mas a confissão sacramental nunca poderá ser substituída.

  1. Diante de qualquer impossibilidade temporal, pode-se participar dos sacramentos com contrição perfeita

Não, isso seria uma profanação do sacramento. A impossibilidade tem que ser absoluta. Não pode haver nenhuma culpa ou possibilidade não atendida do penitente. Atraso, falta de tempo, vergonha, falta de paz de espírito, falta de sacerdotes disponíveis, etc. não são motivos aceitáveis para participar dos sacramentos estando em pecado mortal, exceto em perigo de morte e sob as condições já descritas.

  1. Pecados que são continuamente cometidos, “pecados de estimação”, não são culpáveis, uma vez que o penitente não consegue se livrar deles.

A reincidência freqüente de pecados exige grande cuidado. Deve-se aconselhar com um bom orientador espiritual, preferencialmente o padre confessor a respeito de providências quanto aquele pecado. A principal arma do demônio é vencer o cristão pela desistência.

  1. Homossexuais praticantes, casais amigados e pecadores públicos estão aptos a receber os sacramentos.

Não, não estão. Exceto se renegarem suas atitudes condenadas pela Igreja e realizarem o propósito de não mais fazê-las. Mesmo um casal que se ama muito está em situação de não-comunhão com a Igreja caso viva conjugalmente, não podendo receber nenhum sacramento – nem o da reconciliação – caso não seja tomada a decisão de abandonar o pecado.

  1. A confissão freqüente é desnecessária e inútil

Não, não é. Exceto se feita por puro capricho e vaidade, a confissão freqüente é um caminho seguro recomendado por muitos santos para atingir a libertação de pecados persistentes e/ou buscar a santidade.

  1. Posso me confessar por carta, email e telefone. Tenho o número do padre.

Não, não pode. A confissão, por ser sacramento, exige contato pessoal entre o ministro e o fiel.

  1. Dizer “Depois eu me confesso” antes de cometer um pecado é moralmente aceitável

Não, não é. Isto caracteriza a profanação do sacramento, um pecado gravíssimo. O católico que o faz não é digno da confissão até se arrepender verdadeiramente de ter ofendido a Deus.

Defesa da Fé – Acusações Frequentes de Protestantes

  1. Porque eu devo me confessar com um homem pecador igual a mim? Confesso meus pecados a Deus, é ele quem me perdoa.

É Deus quem perdoa, mas usando-se de instrumentos sensíveis. Antes de Cristo, os pecados eram perdoados através de sacrifícios e expiações. Cristo aboliu definitivamente, dando a remissão eterna dos pecados. O homem, no entanto, não abandonou definitivamente o pecado e se voltou a Cristo. Antes, perdeu por sua própria culpa a comunhão com a Igreja e a Graça Santificante.

Vivemos ainda na “nossa morada terrena”, sujeita ao sofrimento à doença e à morte. A vida nova de filhos de Deus pode ser enfraquecida e até perdida pelo pecado. O Senhor Jesus Cristo, médico das nossas almas e dos nossos corpos, que perdoou os pecados ao paralítico e lhe restituiu a saúde do corpo quis que a sua Igreja continuasse, com a força do Espírito Santo, a sua obra de cura e de salvação, mesmo para com os seus próprios membros. É esta a finalidade dos dois sacramentos de cura: o sacramente da Penitência e o da Unção dos enfermos. (CIC § 1420-1)

O Senhor, conhecendo a fraqueza humana, estabeleceu um modo de redimir o pecador através da conversão sincera, do abandono do pecado e da dor por ter ofendido a Deus, tão imensamente bom e digno de todo o amor. Este sacrifício de expiação não ocorre mais por sacrifícios, oblações nem holocaustos, mas pelo coração sincero e contrito – tal como no Salmo 51(50), David professa que é sacrifício agradável a Deus. Este é o sacrifício pessoal, do vencimento do orgulho e da vergonha e da acusação no tribunal sem condenações – mas com o perdão.

O homem que lhe absolve os pecados é pecador como você, mas é dotado de uma realidade sublime, foi consagrado ao Senhor na linha de sucessão estabelecida por ele, recebendo como os onze o poder de perdoar os pecados e os reter (cf Jo 20, 21s) Este homem, portanto, não por seus próprios méritos, mas pela Graça e pela instrução do Senhor, é servidor do perdão de Deus. Não um dono do perdão, não perdoando por si próprio, mas pela autoridade a ele dada pelo Senhor Jesus Cristo.

Deus perdoa uma confissão pessoal? Se existe a contrição perfeita, sim. Mas a irregularidade com a Igreja – o Corpo Místico de Cristo – com o próximo e com a sua própria alma não é alterada. O pecado é perdoado, mas não remisso.

  1. Então quer dizer que basta falar os pecados a um homem e estou perdoado de tudo? Fácil assim?

Não, não é fácil. A confissão exige uma imensidão de renúncias interiores – vergonha, orgulho, vaidade e paixões – exige um estudo profundo e uma contrição perfeita, um abandono do pecado. Sem estes passos, não tem validade.

  1. A confissão dos pecados é anti-bíblica. Somente Cristo é o mediador entre Deus e os homens.

Não existe frase que seja mais doce em boca de protestante. Infelizmente, por não entender, muitos se perdem. Cristo instituiu todos os sacramentos, tal como professado pela Igreja em toda a sua história. As tradições no Ocidente e no Oriente, em particular da igreja Nestoriana – a primeira a se separar da Igreja Católica, no século V –  confirmam este ensinamento.

Nas Sagradas Escrituras, encontramos citações diretas à confissão, ainda que não estritamente na forma atual, que se desenvolveu pelos anos, embora sempre o sentido sacramental fosse o mesmo – o perdão dos pecados através da contrição e confissão, pela autoridade conferida a um apóstolo.

Em João 20, 21-23 temos a ordem de Cristo para que se perdoassem os pecados e se retivesse. Aqui entra um pouco de raciocínio – o que não deveria ser tão difícil. Cristo não deu o poder aos apóstolos de ler mentes, como saberiam que pecados perdoar ou reter? A forma é simples, e vemos em vários pontos: A confissão dos pecados. Outra argumentação frequente é que isto se destinava apenas aos apóstolos, e para os que usam deste argumento, pergunto se a igreja acabou em João.

Em II Coríntios, 5 vemos os seguintes versículos (18ss)

“Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério desta reconciliação. Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus! “

Em Tiago 5, 14-16 lemos:

“Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.
A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia. “

Em Atos, 19, 18s

“Muitos dos que haviam acreditado vinham confessar e declarar as suas obras. Muitos também, que tinham exercido artes mágicas, ajuntaram os seus livros e queimaram-nos diante de todos. Calculou-se o seu valor, e achou-se que montava a cinqüenta mil moedas de prata. “

Encontramos também referencia à confissão no primeiro escrito cristão extra-bíblico, o Didaquê – A doutrina dos doze Apóstolos, escrito ainda no século I:

“Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.” (Cap 4, 14)

  1. Quando Cristo disse “Ide e perdoai os pecados” ele disse a todos os seus discípulos.

Não, não disse. Disse aos doze – tirando Judas que já havia se afastado, e Tomé, que não estava presente. Cf Jo 20, 24s

‘Os Apóstolos receberam, pois, o Espírito Santo para desligar os pecadores da cadeia dos seus pecados. Deus fê-los participantes do seu direito de julgar; e eles julgam em Seu Nome e em Seu lugar. Ora, como os bispos são os sucessores dos Apóstolos têm o mesmo direito’. ‘O pecador, ao confessar sincera e contritamente os seus pecados, é como Lázaro: já vive, mas está ainda ligado com as ataduras de seus pecados. Precisa de que o Sacerdote lhas corte; e corte-lhas absolvendo-o’.

Para qualquer outra questão, conte sempre conosco.

Pax!

Ut in omnibus glorificetur Deus

Nilson Neto – Membro do Apostolado Paraclitus

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