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A confissão dos pecados

“Se na Igreja não existisse a remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma perspectiva de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Rendamos graças a Deus que deu à Sua Igreja um tal dom.”

 S. Agostinho – (354 – 430), bispo e doutor da Igreja.

confissao01É a manifestação dos pecados ao sacerdote autorizado, para receber o poder de Deus. Nisso consiste o ato central do Sacramento da reconciliação, instituído por Jesus Cristo. Um osso duro de roer para os protestantes, já que para eles a Confissão não passa de uma invenção da Igreja Católica. Segundo os “alucinados” teria sido o Papa Inocêncio III, em 1215, no IV Concílio Lateranense a iventá-la. Para os protestantes em geral somente Deus teria o poder de perdoar os pecados, e como todo “bom protestante” valida-se da Bíblia para que isso posso ser evidenciado, feito que o homem também é pecador e, como então o mesmo poderia perdoar os pecados? É verdade que somente Deus pode perdoar os pecados (Cf. Mc 2,5-7) e a Igreja Católica jamais manisfestou-se contrariamente. Mas, se um belo dia o bom Deus e Pai tivesse tido a brilhante idéia de aplicar tal poder valendo-se de “pobres homens pecadores” (sendo que para os mesmos homens entregou o próprio Evangelho), os protestantes, ou quaisquer outros, poderiam ter algo contra?  E, de fato, foi o que realmente Deus fez. Está claríssimo no Santo Evangelho que Jesus prometeu aos apóstolos as chaves do Reino, com o poder de ligar e desligar, que, quais que sejam as sutilezas do original grego, indica o poder de perdoar (Cf. 16, 19 e 18, 18).

Na noite do domingo de Páscoa (Cf. João 20, 21-23) Jesus apareceu ressuscitado aos apóstolos e, num rito breve mas solene, disse: “Assim como o Pai me enviou a mim, também eu vos envio a vós”. Tendo dito estas palavras, assoprou sobre eles e disse-lhes: “[…] aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e aqueles a quem os retiverdes, serão retidos” (as pequenas variações em diferentes textos gregos não alteram o sentido). Aqui não se pode confundir com o perdão “comum”, de homem para homem, pois no perdão ao próximo não existe a faculdade de “perdoar” ou de “não perdoar”: a ordem de Jesus é de perdoar sempre, até aos que nos odeiam, estejam ou não arrependidos (Cf. Mt 5, 43-44 e 18, 21-22). Aqui se trata de aplicar o perdão de Deus: um perdão do qual o sacerdote (como sucessor dos apóstolos) não é dono e sim “administrador”. Ora, o administrador deve respeitar as ordens do dono: exigir as condições que ele exige. E quais são as condições que Deus requer para perdoar? São duas: que o pecador esteja arrependido e reconheça seus pecados. Agora, como o sacerdote poderia evidenciar a existência das duas condições sem entrar em diálogo com o pecador? É este diálogo que chamamos de Confissão ou ainda Sacramento da Reconciliação. E, para provar que esta prática dada pelo próprio Deus já vinha bem antes do Papa Inocêncio III, com base na história, trazemos algumas sinceras testemunhas da Igreja Antiga, dentre mais de vinte.

1a.) – São Cesário de Arles (470-542), escreveu: “Se quereis escapar à eterna condenação, confessai-vos sinceramente do mais íntimo dos vossos corações e cumpri a penitência que o sacerdote vos impuser” (Serm.251);

2a.) – São Praciano de Barcelona (390) explica que, sim, quem perdoa os pecados é Deus, mas o que Deus faz por meio dos Sacerdotes, o faz por Seu próprio poder. (Epist. Ad Symp. 1,6);

3ª.) – Santo Ambrósio (340-397) declara que os sacerdotes perdoam todos os pecados, não em seu próprio nome, mas como ministros e instrumentos de Deus (De paen. 1,2); Como pode-se perceber a prática da Confissão já existia bem antes do Papa Inocêncio III, ele só a disciplinou. Quem a “inventou” foi Jesus Cristo!

Sob a Luz do Sagrado Magistério

Nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

1441. Só Deus perdoa os pecados. Jesus, porque é Filho de Deus, diz de Si próprio: «O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados» (Mc 2, 10) e exerce este poder divino: «Os teus pecados são-te perdoados!» (Mc 2, 5) (35). Mais ainda: em virtude da sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome.

1442. Cristo quis que a sua Igreja fosse, toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua atividade, sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu pelo preço do seu sangue. Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico. É este que está encarregado do «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18). O apóstolo é enviado «em nome de Cristo» e «é o próprio Deus» que, através dele, exorta e suplica: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20).

E ainda nos exorta o Código de Direito Canônico:

Cân. 959: No sacramento da penitência, os fiéis que confessam seus pecados ao ministro legítimo, arrependidos e com o propósito de se emendarem, alcançam de Deus, mediante a absolvição dada pelo ministro, o perdão dos pecados cometidos após o batismo, e ao mesmo tempo se reconciliam com a Igreja, à qual ofenderam pelo pecado.

Fica claro desta forma que todos os ataques sem fundamentos algum por parte do protestantismo e outras ideologias errôneas perante o que a Santa Sé com retidão nos ensina através dos séculos não podem e não devem nos infiltrar quaisquer tipo de dúvida, visto que o próprio Cristo confiou à Sua Igreja o Penhor da infabilidade e da Verdade.

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