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Orações da Missa

missa02O termo Missa é derivado do latim “missio”, e tem o sentido de despedida e de envio. Jesus na Última Ceia reforça o seu sacrifício que terá que sofrer na cruz. Antes de oferecer a vida como sinal do maior amor, reparando os pecados do mundo e dando plena glória a Deus, Jesus deixou-nos a maneira mais viva de nos associarmos ao seu gesto sacrifical único e de valor infinito. Para isso, na Última Ceia, instituiu com a força de sacramento o sacrifício eucarístico e o sacerdócio ministerial, dando aos Apóstolos o poder e a ordem de repetirem em sua memória os gestos e as palavras de consagração do pão e do vinho no seu Corpo e Sangue, hoje no estado glorioso.

A sagrada liturgia é riquíssima para a nossa participação na Santa Missa e para a nossa salvação. Mas será se entendemos bem as orações? Será se sabemos quais orações são devidas a assembléia e ao presidente da celebração?

A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (CIC 1324). É assim desde sempre. São Paulo na sua primeira carta aos coríntios no capitulo 11 já nos mostrava que era celebrada o memorial da sacrifical de Cristo e de seu corpo.

Durante os séculos a sagrada liturgia foi tomando forma até chegar o que vemos hoje. São Justino Mártir por volta do ano de 155 já nos dava um testemunho maravilhoso tanto da celebração da Sagrada Eucaristia como também do corpo da liturgia de toda a missa ao explicar ao imperador Antonio Pio (138-161) o que os cristãos faziam:

“No dia do ‘Sol’, como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades, quer dos campos. Lêem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos Apóstolos, ora os escritos dos Profetas. Depois, quando o leitor terminou, o que preside toma a palavra para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. A seguir, pomo-nos todos de pé e elevamos nossas preces por nós mesmos (…) e por todos os outros, onde quer que estejam, a fim de sermos de fato justos por nossa vida e por nossas ações, e fiéis aos mandamentos, para assim obtermos a salvação eterna. Quando as orações terminaram, saudamo-nos uns aos outros com um ósculo. Em seguida, leva-se àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados. Ele os toma e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, no nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharístia), que significa ‘ação de graças’ longamente pelo fato de termos sido julgados dignos destes dons. Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água ‘eucaristizados’ e levam (também) aos ausentes”.

A Instrução Geral do Missal Romano nos ensina quais orações pertencem à assembléia e quais pertencem ao sacerdote ou presidente. Conforme no capítulo II diz:

30. Entre as partes da Missa que pertencem ao sacerdote, está em primeiro lugar a Oração eucarística, ponto culminante de toda a celebração. Vêm a seguir as orações: a oração coleta, a oração sobre as oferendas e a oração depois da comunhão. O sacerdote, que preside à assembléia fazendo às vezes de Cristo, dirige estas orações a Deus em nome de todo o povo santo e de todos os presentes. Por isso se chamam “orações presidenciais”.

Como vimos acima, às orações devidas ao sacerdote competem somente a ele. Cabe aos fiéis escutá-las com atenção e zelo. Não se deve fazer nenhum tipo de oração enquanto ele as profere nem mesmo algum cântico e até mesmo o som dos instrumentos musicais.

O presidente da celebração está celebrando in persona Christi, dirigindo as nossas súplicas a Deus que abençoa o seu povo. Assim como Moisés subia ao monte para orar pelo povo escolhido, assim, também o sacerdote o faz na pessoa de Cristo na Santa Missa.

É bom também ressaltar a importância da participação da assembléia na Santa Missa. O povo de Deus também é convidado a participar ativamente com orações, aclamações e respostas. Por sua natureza, a celebração é comunitária, e a comunhão entre o sacerdote e o povo deve ser estimulada e estreita.

Das outras partes que competem aos fiéis que contribuem e favorecem a participação, destaca-se: o ato penitencial, a profissão de fé, a oração universal e a oração dominical (IGMR n. 36).

Conforme a Instrução Geral destaca-se também as restantes formulas como: 

    1. umas constituem um rito ou ato por si mesmas, como o hino Glória, o salmo responsorial, o Aleluia e o versículo antes do Evangelho, o Santo, a aclamação da anamnese e o cântico depois da Comunhão;
    2. outras destinam-se a acompanhar um rito, como o cântico de entrada, do ofertório, da fração Cordeiro de Deus) e da Comunhão.

A participação atenta as orações devidas, tanto ao sacerdote, quanto aos fiéis, estimula a todos a entrar em comunhão com Deus e principalmente a participação ativa do mistério pascal que se atualiza a cada celebração.

Acontece de muitas vezes o presidente da celebração convidar ao povo a orar junto nas orações que competem somente a ele. As orações presidenciais devem ser proferidas somente pelo sacerdote, mantendo a sua autenticidade e autoridade dada pelo próprio senhor.

É importante também o seguimento correto por todos quanto aos nos cantos litúrgicos, os gestos e atitudes corporais, a forma de proferir os textos sagrados e demais textos e o silêncio.

Saber rezar a missa não é simplesmente respeitar um rito ou simplesmente uma doutrina. Mas aprendemos a entrar em comunhão com toda a Igreja no mundo, com todos os fiéis católicos, com Cristo ressuscitado na Santa Eucaristia e vivermos um pedaço do céu aqui na terra na construção do seu reino até a Sua vinda definitiva e gloriosa no fim dos tempos.

Referências: 

  1. Catecismo da Igreja Católica, Edições Típica Vaticana, Editora Loyola.
  2. Concilio Vaticano II: Sacramentum Concilium
  3. Instrução Geral do Missal Romano
  4. Prof. Felipe Aquino, Para entender e viver a Liturgia
  5. São Justino, Apologias I e II
  6. Bíblia Jerusalem

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