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ATEÍSMO OU IDOLATRIA?  

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Em síntese: Há quem diga que o mundo de hoje não conhece o ateísmo propriamente dito, mas a idolatria ou o culto exagerado de certos bens materiais como se fossem portadores da resposta cabal às inspira­ções do homem. O consumismo, o despudor, a sexomania… seriam mo­dalidades dessa idolatria. O artigo que se segue apresenta diversos tópi­cos de um panfleto que, com boa autoridade, analisa a temática.

*   *   *

A Editora “Mundo e Missão” publicou um panfleto que analisa as tendências de pessoas que não se dizem religiosas, mas transferem sua religiosidade para bens materiais como se estes pudessem satisfazer às grandes aspirações do ser humano. Vamos, a seguir, pôr em destaque alguns dos tópicos desse panfleto:

1. Ateísmo ou religiosidade idolátrica?

Por duas vezes é expressa a tese do panfleto:

  1.  “Não é verdade que na nossa sociedade o sagrado desapareceu, mas é verdade que passou para outras coisas (ídolos)”.
  2.  “A diferença não é mais entre pessoas religiosas e pessoas ateias, mas entre idólatras e não idólatras” (Enzo Bianchi, monge).

2. Vícios capitais

 Umberto Galimberti enumera sete novos pecados capitais, mais pujantes ainda do que os clássicos pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça), porque não são apenas pecados pes­soais, mas são tendências coletivas, às quais o indivíduo não pode opor resistência eficaz sem sofrer a exclusão por parte da sociedade. Tais se­riam consumismo, conformismo, despudor, sexomania, sociopatia, denegação, vazio. Ver a obra do autor intitulada “Os vícios capitais e os novos vícios”, São Paulo, ed. Paulus 2004.

 Desses novos vícios, os quatro primeiros são um convite à idolatria ou à adoração coletiva de algo imposto pela sociedade ou pela mentalida­de do mundo contemporâneo. Veja-se:

a) consumismo: cria uma mentalidade niilista que leva o indivíduo a acreditar que somente o consumo de objetos lhe pode garantir um status na sociedade e o bem-estar.

b)  conformismo: é a conformação da consciência individual a uma onda coletiva, que sufoca a liberdade pessoal. Exige do indivíduo colabo­ração com certas tendências cegas e passageiras ou ilusórias da socie­dade.

c)  despudor: é a “ex-posição” do privado e a mercantilização do corpo. Algumas pessoas têm a impressão de que só podem existir propri­amente se se colocam à mostra como mercadoria.

d)  sexomania: é a saturação das manifestações sexuais em busca do prazer através da pornografia em revistas, no cinema, na televisão, na internet e na solidão onanista.

Tais vícios, em vez de promoverem a plena realização do indivíduo, tiram-lhe a liberdade e o escravizam. Quem adora um dos ídolos moder­nos paga um preço muito alto, que é a renúncia à própria liberdade.

3. Generalização da idolatria

 Na modernidade, a divindade perdeu espaço. O coração humano substituiu o divino pelo humano, o anseio da eternidade pelo desejo de perpetuação na terra, a satisfação dos sentidos e as necessidades do ter, do poder e do prazer. Os ídolos se colocam na dimensão do “ter”; Deus na do “ser”. São vários os tipos de “ter” com que o homem se ilude realizar-se, construir sua personalidade: os bens econômicos, o poder, o possuir uma mulher (ou um homem), o saber, o pertencer a determinada religião, o ter alcan­çado alto nível moral, etc. São roupagens que podem esconder a sublime nudez que constitui a pessoa na sua dignidade essencial, ou disfarçar uma falta profunda do ser. É essa armadilha mentirosa da sociedade de consumo, que promete às pessoas fazê-las realizadas e felizes com os bens que lhes oferece, mas as devora por dentro, deixando-as como ma­nequins sem coração. (Eles, os excluídos, de Costanzo Donegana, Cidade Nova, São Paulo, 1995).

4. Os pecados capitais e Satanismo

 É notório que o culto a Satã se tem propagado de maneira surpre­endente. Aqueles que cultuam o demônio – e não são poucos alegam freqüentemente que ele não é um adversário de Deus, mas uma força oculta na natureza. Tais pessoas estimulam os pecados capitais pois “são virtudes que levam a consumação dos nossos desejos”. Os respectivos rituais consistem em uma grosseira terapia psicológica misturada com altares, gongos, velas, e nudez; estes são acessórios necessários, pois o ser humano precisa de cerimônias e ritos, fantasias e encantamento que as religiões forneciam no passado”. Ver a obra de Carlos Nogueira “O Diabo no Imaginário cristão”. Edusc, 2000, p. 112).

5. A vaidade em números

 O cultivo do corpo ligado à sexomania foi objeto de inquérito do Instituto de Pesquisas Ipsos, que entrevistou 43.734 pessoas, de ambos os sexos, em nove capitais brasileiras, entre abril de 2005 a março de 2006 sobre a relação da população com a aparência pessoal. Chegou aos seguintes resultados:

–    78% da população preocupa-se muito com a aparência pessoal.

–    31% dos homens e 34% das mulheres gostam que sua aparên­cia seja impecável.

–    38% dos adolescentes entre 13 e 17 anos se preocupam demais com ela, por se tratar de uma fase de crescimento e aceitação no grupo.

–    A maior preocupação é dos cariocas (37%), seguidos pelos baianos (36%) e paulistas (33%).

6. O Papa e os jovens

 Perante as seduções da moderna idolatria, o Papa Bento XVI dizia aos jovens em Colônia (2005):

 “Jovens, não cedam às falsas ilusões e modas efêmeras que comumente deixam um trágico vazio espiritual! Rejeitem as seduções do dinheiro, do consumismo e da violência que por vezes praticam os meios de comunicação. […] Pelo contrário, façam escolhas corajosas, se neces­sário heróicas, para seguir Cristo rumo á santidade, porque a Igreja preci­sa de testemunhas do amor contemplado em Cristo, que saibam mostrá-Lo a quem ainda O troca por coisas insignificantes” (Bento XVI, Mensa­gem para o 20- Dia Mundial da Juventude, Colônia, na Alemanha, de 16 a 21 de agosto de 2005).

Fonte: PERGUNTE E RESPONDEREMOS 555/Setembro 2008

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