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CONFLITOS X FRUSTRAÇÕES Freud X Frankl Contornar ou resolver a Tensão?  

RESUMO

O desafio contagiante de poder adentrar ao mistério inesgotável que é o ser-humano leva a reflexões sempre inovadoras e audaciosas, o presente artigo suscita desta forma, a busca por melhor compreender dois aspectos relativos a acontecimentos independentes da vontade ou desejo do ser humano de passar ou não por tais situações. A partir desta ótica pretende-se colocar sob as análises contemporâneas das teorias Freudianas e Franklianas afim de que se possa lançar luz e objetividade à solução permanente pelo enfrentamento destas tensões cotidianas do homem.

Palavras-chave: Psicanálise. Logoterapia. Sentido.

INTRODUÇÃO

Os conflitos e as frustrações do homem sempre estiveram presentes em meio à humanidade, de vezes mais visíveis de outras nem tanto. O que foi, e é praticamente comum a todos é a questão do enfrentamento destas tensões internas, donde se resultam diversas consequências sejam elas positivas ou negativas. Os acidentes da vida, ou seja, aquilo que não temos controle traz um desafio consigo de colocar o ser humano frente ao seu próprio “eu” por diversas vezes e de diversas formas, fatidicamente essas situações se contrapõem ao equilíbrio almejado, seja ele mental, físico ou espiritual, esta situação por sua vez se caracteriza em algumas manifestações comportamentais sejam elas ativas ou passivas, donde por consequência se evidenciam as diferenças de resultados proeminentes das atitudes tomadas perante a problemática. Potencializadas ou não as resultantes destas tensões constroem muitas vezes “castelos” indestrutíveis sob aspecto de proteções de ordem psíquica e comportamentais que deterioram a pessoa afetada às vezes de forma irreversível.

1. OS CONFLITOS

Os conflitos tem existência universal, pois são inerentes as atividades humanas em geral, sejam elas as mais simples ou as mais complexas. Geralmente surge quando há a necessidade de escolhas entre situações que podem ser consideradas incompatíveis, são auto excludentes, não se pode ter as duas opções, ou você escolhe uma ou a outra. Kurt Lewin define o conflito no indivíduo como:

“a convergência de forças de sentidos opostos e igual intensidade, que surge quando existe atração por duas valências positivas, mas opostas (desejo de assistir a uma peça de teatro e a um filme exibidos no mesmo horário e em locais diferentes); ou duas valências negativas (enfrentar uma operação ou ter o estado de saúde agravado); ou uma positiva e outra negativa, ambas na mesma direção (desejo de pedir aumento salarial e medo de ser demitido por isso). (Kurt Lewin, 1890)”

Nesta ótica pode-se elencar vários exemplos de conflitos: de pensamentos, de interesses, de idéias, de sentimentos e emoções, decisões, teorias e ideiais. A isto chocam-se etnias, religiões, políticas e leis. Ainda se pode elencar alguns mais abrangentes: conflitos territoriais, de fronteiras de propriedade, os raciais e culturais, os de costumes, os de língua, os filosóficos e os científicos, os de processos, de métodos e técnicas, os psíquicos, os de gerações e os de sexos, enfim, é provavelmente um campo de análise longe de ser totalmente explorado.

É fato que a sociedade de hoje vive sob esta constante tensão de conflitos generalizados, muito disso difundido por ideologias materialistas e de consumo deliberado, ambos em detrimento do forte sob o mais fraco. A grande questão talvez esteja nas condições miseráveis que se encontram os valores humanos atuais, sejam eles para consigo mesmo sejam eles para com os outros, hoje se tornaram, em sua maioria, visões distorcidas e totalmente alienadas da verdade
ontológica do homem. Como se pode perceber o campo de atuação é bastante abrangente, aqui será focada a dimensão pessoal resultante deste aspecto.

2. FRUSTRAÇÃO

Por sua vez, a frustração, é uma pouco mais geral, pois engloba várias situações específicas que em relação a este sentimento se agrupam causando este como o sentimento resultante. É o sentimento que resulta do insucesso de se obter algo pretendido, por tanto uma consequência da impossibilidade de alcançar um objetivo. A nível mais específico e pessoal pode ser entendido como o resultado do impedimento da extinção do motivo.

Geralmente as possíveis fontes da frustração se encontram divididas entre dois grupos: as causas internas e as causas externas. As fontes internas da frustração envolvem deficiências pessoais como falta de confiança ou medo de situações sociais que impedem uma pessoa de alcançar uma meta; causas externas da frustração, por outro lado, envolvem condições fora do controle da pessoa, tais como uma estrada bloqueada ou falta de dinheiro, por exemplo.

2.1 Barreira

Para ente artigo barreira será entendida como qualquer coisa que impede a obtenção de algo desejado. É a causa da frustração na consecução do objetivo, ou ainda, aquilo que impede a satisfação da necessidade. A nível mais específico pode ser analisado como a obstrução da extinção do objetivo. Além disso, o conceito de barreira se estende ante a sua existência materializada, por assim dizer, pois basta a mesma ser imaginada ou presumida para que já funcione como tal.

2.2 Ajustamento ou Equilíbrio

Todo o comportamento humano caminha para o ajustamento ou sua busca por equilíbrio, a sua busca por felicidade. Fato é que as possibilidades são várias, sendo limitadas e crivadas pelos valores que o sistema assumido pelo indivíduo determina. Não obstante essa busca pode causar choque de interesses.

Situação de Ajustamento ou Equilíbrio

Necessidade > Motivo/Sentido > Comportamento > Objetivo > Ajustamento ou Equilíbrio(Extinção do Motivo – satisfação)

Como se pode notar inicia com uma necessidade (ex: Beber água), que dará consequência a um motivo/sentido (eliminar a sede de água), que por sua vez dará vez ao comportamento (bebo ou não bebo água; vou ou não vou atrás de conquistar um copo d’água; fico com sede ou vou saciar-me), posterior a isto chega-se ao objetivo que, nada mais é do que a satisfação e extinção do motivo/sentido que fora alcançado. Quando nada de errado acontece e todo este fluxo flui harmoniosamente se alcança o Ajustamento ou Equilíbrio, que é a obtenção, a conquista do objetivo outrora almejado.

Situação de Desajustamento ou Desequilíbrio

Necessidade > Motivo > Comportamento > BARREIRA > DESAJUSTAMENTO ou DESEQUILÍBRIO (autopunição, desvios de conduta, somatizações, síndromes, neuroses, depressões… possíveis consequências)

O que diferencia esta 2a situação da primeira é especificamente a “Barreira”, que neste caso funciona como um impedimento da obtenção do objetivo e por consequência na não satisfação da necessidade e extinção do motivo. Lembrando do exemplo acima em relação ao copo d’água, seria especificamente a não satisfação da necessidade que, no caso, seria “saciar a sede de beber água” e em consequência disso a não extinção do motivo/sentido que, no caso, seria a da “necessidade do corpo humano de se ter água”.

As possíveis consequências em situações como essa podem ser desastrosas, se levar em consideração a dimensão geral em que as circunstâncias da vida podem se dar: o término de um relacionamento cheio de amor e carinho; a perda de um ente querido; uma enfermidade grave; a traição; desemprego; problemas financeiros; etc. Simplesmente pessoas entram em depressão profunda, não conseguem se levantar mediante um possível fracasso de uma tentativa frustrada, não conseguem ter óticas de superação, de seguir em frente. Sobre isto agora decorrerá a dupla análise no início deste artigo mencionado.

3. O MECANICISMO DA PSICANÁLISE FREUDIANA

A estas situações de desajuste ou desequilíbrio a psicanálise freudiana propõe um contorno de enfrentamento através de seus chamados “mecanismos de defesa”. Na teoria psicanalítica em particular são as ações psicológicas que têm por finalidade reduzir qualquer manifestação que pode colocar em perigo a integridade do ego, onde o indivíduo não consiga lidar com situações que por algum motivo considere ameaçadoras. Segundo Freud são processos subconscientes ou mesmo inconscientes que permitem à mente encontrar uma solução para conflitos não resolvidos no nível da consciência. As bases dos mecanismos de defesa são as angústias. Quanto mais angustiados estivermos, mais fortes os mecanismos de defesa ficam ativados.

3.1 A Racionalização

É uma espécie de desculpa um exemplo clássico muito conhecido é a fábula (Cf. LaFontaine, 1621), na qual uma raposa, depois de muitas tentativas frustradas de apanhar uvas em alta parreira, retorna seu caminho dizendo: “Ah, estão verdes!”.

3.2 A Projeção

A culpa é lançada sobre outrem, como neste exemplo do menino que, diante do leão no zoológico, diz ao pai: “Papai, vamos embora porque você está com medo!”

3.3 A Sublimação

Um impulso julgado não admissível, porque moralmente condenável, é transformado em comportamento meritório.

3.4 A Formação Reativa

É exercitado um comportamento exagerado, em tudo oposto as pulsões internas, não aceitáveis. Por exemplo, alguém que combate veementemente a corrupção pode, na verdade, sentir-se atraído por ela. Quando o mecanismo é o devaneio (fantasia) , há uma espécie de refúgio em “sonhar acordado”, muito comum na adolescência.

3.5 A Regressão

Há retorno para alguma forma de comportamento típico de idade anterior. Por exemplo, a
criança volta a precisar de fralda.

3.6 A Compensação

Algo considerado indesejado serve de forte motivo para a busca de destaque em outra área. Como exemplo: um homem baixinho tornar-se um grande jogador de basquete.

É importante deixar claro que estes “mecanismos de defesa” tem finalidade específica e, eventualmente, todas as pessoas o usam. Entretanto, tornam-se indesejáveis quando, em vez de exceção, passam a ser regra do comportamento.

Vale ressaltar também que toda teoria Freudiana gira em torno desta construção mecanizada do ser humano:

  • O id representa os processos primitivos do pensamento e constitui, segundo Freud, o reservatório das pulsões, dessa forma toda energia envolvida na atividade humana seria advinda do Id. Inicialmente, considerou que todas essas pulsões seriam ou de origem sexual, ou que atuariam no sentido de auto-preservação. Posteriormente, introduziu o conceito das pulsões de morte, que atuariam no sentido contrário ao das pulsões de agregação e preservação da vida. O Id é responsável pelas demandas mais primitivas e perversas.
  •  O Ego permanece entre ambos, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. É a instância na que se inclui a consciência. Um eu saudável proporciona a habilidade para adaptar-se à realidade e interagir com o mundo exterior de uma maneira que seja cômoda para o id e o superego.
  • O Superego, a parte que contra-age ao id, representa os pensamentos morais e éticos internalizados.

Freud estava especialmente interessado na dinâmica destas três partes da mente. Argumentou que essa relação é influenciada por fatores ou energias inatas, que chamou de pulsões. Descreveu duas pulsões antagónicas: Eros, uma pulsão sexual com tendência à preservação da vida, e Tânato, a pulsão da morte, que levaria à segregação de tudo o que é vivo, à destruição. Ambas as pulsões não agem de forma isolada, estão sempre trabalhando em conjunto. Como no exemplo de se alimentar, embora haja pulsão de vida presente, afinal a finalidade de se alimentar é a manutenção da vida, existe também a pulsão de morte presente, pois é necessário que se destrua o alimento antes de ingeri-lo, e aí está presente um elemento agressivo, de segregação.

Resumindo, todos os comportamentos humanos seriam reações padronizadas e mecanicistas sempre oriundas destas perspectivas imanentes, deterministas e desconstrutivas do ser humano como um todo.

4. A LOGOTERAPIA, VIKTOR FRANKL

Sob os mesmo aspectos relativos ao ser-humano neste artigo apresentado, ao contrário de Freud, Frankl entra em uma análise mais profunda e completa do homem, parte das premissas: da liberdade (o ser humano é essencialmente aberto, dinâmico, não está determinado); da Autotranscedência (dirigir-se para algo ou alguém além dele mesmo, exemplo o olho); da Responsabilidade (é capaz de escolher sua atitude, de dar sua resposta pessoal); da Vontade de
Sentido (Potência da alma que dá forças à busca dum determinado objetivo); Consciência (capacidade de refletir sobre si mesmo, capacidade de se perguntar pelo sentido). Aluno de Freud e pai da Logoterapia (conhecida também como Terceira Escola Vienense), Viktor Frankl, foi sua própria teoria e prática, o que ele denomina como experimentum crucis:

Não se trata, portanto, de um relato de fatos e sucessos, e sim de experiências pessoais, experiências de milhões de seres humanos que também a sofreram. É a história íntima de um campo de concentração, contada por um de seus sobreviventes. (Frankl, 1982(a): 13)

Conhecido como o “psicólogo mártir”, o prisioneiro 119.104 Viktor Frankl, foi um dos poucos sobreviventes dos campos de concentrações nazistas. Mas foi diante destas circunstâncias extremas que ele observou em detalhes nítidos a capacidade do homem de se entregar e de também superar as adversidades mediante o exercimento ou não de suas liberdades últimas:

Em um último e violento protesto contra o inexorável de minha morte iminente, senti como se o meu espírito transpassara a melancolia que nos envolvia; senti-me transcender aquele mundo desesperado, insensato, e de alguma parte escutei um vitorioso “sim” como contestação à minha pergunta sobre a existência de uma intencionalidade última. E naquele momento, em uma franja longínqua ascendeu uma luz, que ficou ali, fixa no horizonte, como se alguém a houvera pintado, em meio do gris miserável daquele amanhecer na Baviera. […] Foram poucos em números, mas ofereciam prova suficiente de que ao homem se pode arrebatar tudo, salvo uma coisa: a última das liberdades humanas – a eleição da atividade pessoal ante um conjunto de circunstâncias – para decidir seu próprio caminho. (Frankl,1982(a):48-69)

Estava ali, diante de seus próprios olhos e na sua própria vida, a prova cabal que mostrava que o homem é mais do que uma imanência limitada ou um ser meramente biológico ou fisiológico, mas que detinha acima de tudo isso a capacidade de ultrapassar os limites de sua transitoriedade pela autotranscedência conquistada pela ultima das liberdades e usufruída nos sentidos cabíveis a cada descoberta.

A vida humana contém em si uma missão, uma vocação, um apelo, um chamado para realizar as possibilidades únicas e os sentidos únicos, de sua existência. As possibilidades interiores de seu ser. E como se faz isso? Pela ação! Na tentativa de cumprir o dever de cada dia, o homem se conhece. Decifra no seu “ser” (no que é) a direção de seu “dever-ser” (no que deve se tornar).

4.1 A superação de meus Conflitos e Frutrações

[…] se você não pode mudar a situação você ainda pode se situar dentro dela com liberdade. O ser humano sempre conserva a mais importante das liberdades que é a capacidade de transformar sua atitude frente a uma situação inevitável. […] Quando alguém aprende a elevar-se acima de si mesmo, passa a oferecer o testeunho de uma capacidade que é única e própria do ser humano. Neste momento a pessoa consegue transformar uma situação pessoal que era trágica em um triunfo. (Frankl, 1984(a): 26 Revista Manchete)

O sentido da vida é um problema caracteristicamente humano e uma indagação que todo homem faz a si mesmo. Para assumir um compromisso com vida, é preciso descobrir-lhe o sentido. Em sua experiência nos campos de concentrações nazistas Frankl afirmava que os prisioneiros que perdiam a fé no futuro estavam condenados a definhar, confirmando a estreita relação existente entre o ânimo de uma pessoa e seu valor e suas esperanças. A resposta ao sentido da vida é mobilizadora de forças vitais, e em contrapartida a problemática do sentido, ou seja, a ausência de sentido na vida, é capaz de causar diversas enfermidades. Contrapondo Freud que afirmava que “a busca pelo sentido caracterizava uma patologia” (Cf. Freud apud Frankl, 1973: 56) Frankl afirma:

Contudo, na vida não se trata de uma atribuição de sentido, senão um achado de sentido, o que faz, não dar um sentido, mas encontra-lo: encontrar, diremos, e não inventar, já que o sentido da vida não pode ser inventado, antes tem que ser descoberto. (Frankl. 1973:77)

Portanto, a primeira conduta a ser tomada ou, na verdade, ser retomada é o controle sobre suas atitudes que é o exercimento desta liberdade última mencionada por Frankl, para que com isso apesar de toda eventual circunstância da vida a busca pelo sentido da vida não cesse e para que o foco de tudo o mais não se limite a mim mesmo mas, pelo contrário, ultrapasse e transcenda minhas estruturas visíveis na conservação duma fé madura que se manifesta numa contínua esperança de continuidade, de busca, de superação, de conquista.

4.2 O Sentido do Sofrimento

Falei aos meus camaradas (que jaziam imóveis, se bem que de vez em quando se ouvia algum suspiro) que a vida humana não cessa de ter sentido sob nenhuma circunstância, e que este infinito significado da vida compreende também o sofrimento e a agonia, as privações e a morte. […] E finalmente, lhes falei sobre nosso sacrifício, que em cada caso tinha um significado. Na natureza deste sacrifício estava o que parecia insensato para a vida normal, para o mundo aonde imperava o êxito material. Porém, o nosso sacrifício tinha um sentido. Os que professavam uma fé religiosa, disse com franqueza, não teriam dificuldades para entendê-lo. Falei-lhes de um camarada que ao chegar ao campo havia querido fazer um pacto com o céu para que seu sacrifício e sua morte libertassem o ser que amava de uma dor final. Para ele, tanto o sofrimento como a morte, e especialmente aquele sacrifício, eram significativos. (Frankl, 1982(a):83-4)

Segundo Frankl a fórmula é simples e bastante objetiva:

DESESPERO = SOFRIMENTO – SENTIDO

SOFRIMENTO + SENTIDO = SACRIFÍCIO

Fica bastante fácil de entender tal lógica levando em consideração dada pelo próprio Frankl acima, fica ainda mais evidente como se é possível não apenas contornar certas situações, mas de fato, dando sentido e significado superá-las, transcender, solucionar.

A busca pelo sentido só se plenifica pela realização de valores. Os valores tem como característica básica a transcendentalidade, ou seja, o valor atrai o ser humano para além dele mesmo, leva o ser humano a autotranscender, sair de si em busca de algo maior e mais profundo que suas dependências limitadas de si mesmo. Diante da riqueza do mundo dos valores e dos sentidos, o ser humano se sente apelado, atraído e assim pode responder.

Os valores se devem descobrir pessoalmente e não ser impostos por uma autoridade, moral ou física. Ainda mais, os valores não se podem ensinar, se devem viver porque só na encarnação pessoal dos valores se poderá  testemunhar seu efetivo valor.(Fizzotti, 1977:197)

Em primeiro lugar os valores são descobertos e, em segundo lugar, devem ser vividos. Para Frankl fenomenologicamente, o homem pode descobrir o sentido da vida através de três caminhos fundamentais:

  • Quando experimenta que é capaz de dar algo ao mundo, realiza valores de criação;
  • Quando descobre que além de dar, pode receber algo, vive valores de experiência;
  • Quando é forçado pelas circunstâncias a limitações de ordem biológica, psicológica, ou sociológica e está impossibilitado de realizar os valores acima, resta-lhe assumir uma atitude frente a situação. Nesse caso temos os valores de atitude;

Para realizar valores criativos, necessito de alguns talentos; mas não preciso buscá-los, basta utilizá-los, se os tenho. Para realizar valores vivenciais, também necessito de algo de que já disponho, quer dizer, os órgãos respectivos – ouvidos para escutar uma sinfonia, olhos para contemplar uma árvore, e assim por diante. Mas para realizar valores de atitude não basta ter uma faculdade criadora ou uma simples faculdade vivencial, é preciso, além disso, ter capacidade de sofrer, o que não se recebe de presente, requer ser conquistado através do próprio sofrimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todas as pessoas em um dado momento da vida se questionam sobre o sentido de tudo, de tudo que aconteceu e também de tudo que aconteceu. As situações apresentadas devem levar a uma profunda reflexão a respeito das atitudes tomadas mediante as inquietudes geradas por aquelas em que algo não sai como se esperava. As abordagens aqui apresentadas dão uma realce contextualizado sobre como se situar perante tais adversidades de conflitos e frustrações, seja em que dimensão isto aparecer.

Uma coisa dentre tudo exposto fica bastante visível: o único agente que diretamente pode mudar tudo que for necessário é, primeiramente, o mesmo agente que passa por tais circunstâncias, de modo que, nem a vida, nem a morte tenham falta de significado, valores e sentido. “Com efeito, ir ou chegar junto a ti não é senão um ato de querer ir, mas como se situar perante tais adversidades de conflitos e frustrações, seja em que dimensão isto aparecer.

Uma coisa dentre tudo exposto fica bastante visível: o único agente que diretamente pode mudar tudo que for necessário é, primeiramente, o mesmo agente que passa por tais circunstâncias, de modo que, nem a vida, nem a morte tenham falta de significado, valores e sentido.

“Com efeito, ir ou chegar junto a ti não é senão um ato de querer ir, mas com vontade forte e plena, e não titubeante e ferida, numa luta contra a parte que se ergue contra a parte que fraqueja.”Santo Agostinho LIVRO VIII, Confissões Cap. 8, §19

REFERÊNCIAS

Viktor E. Fundamentos antropológicas da psicoterapia. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.
Viktor E. Psicoterapia e sentido da vida. São Paulo: Quadrante, 2010.
ViktorE. Em busca de sentido. Petrópolis: Vozes, 2008
FRANKL, Viktor E. A vontade de sentido. São Paulo: Paulus, 2011.

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