Indicações Bíblicas sobre a Função de Maria

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virgem_maria_icone_jesus_meninoExiste uma palavra aramaica, Gebirah, que significa “Rainha Mãe. Tradicionalmente, ao lado do trono do Rei, existe um segundo trono. Muitos afirmariam que o segundo trono pertenceu à esposa do Rei, mas em Israel ele pertencia à mãe do Rei. A Gebirah era uma posição oficial e que era conhecida por todos (inclusive por Jesus e seus discípulos). Sua função era ser advogada do povo; qualquer pessoa que tinha um pedido ou solicitava uma audiência com o Rei fazia-o através dela. Ela era uma intercessora, apresentando os desejos e interesses do povo para o Rei. Isto não significa que o Rei era inacessível, ou que o povo tinha medo ou era incapaz de falar com ele. Isso meramente significava que o Rei honrava sua mãe e tratava os pedidos dela com especial consideração. Da parte das pessoas do povo, elas se sentiam muito próximos à ela, como se fossem também seus filhos.

Tal função é mencionada em:

1Reis 15,13:
             “Até Maaca, sua avó, depôs da dignidade de rainha-mãe”.

2Reis 10,13:
             “Somos irmãos de Acazias, e descemos a saudar os filhos do rei e os filhos da rainha-mãe”.

Jeremias 13,18:
              “Dize ao rei e à rainha-mãe: humilhai-vos, e assentai-vos no chão”.

Seu lugar específico de honra e intercessão é dramaticamente ilustrado em 1Reis 2,13-21:

       “Então veio Adonias, filho de Hagite, a Bate-Seba, mãe de Salomão. Perguntou ela: ‘De paz é a tua vinda?’. Respondeu ele: ‘É de paz’. E acrescentou: ‘Uma palavra tenho que dizer-te’. Disse ela: ‘Fala’. Disse ele: ‘Bem sabes que o reino era meu, e todo o Israel tinha posto a vista em mim para que eu viesse a reinar, ainda que o reino se transferiu e veio a ser de meu irmão; pois foi feito seu pelo Senhor. Agora um só pedido te faço; não mo rejeites’. Ela lhe disse: ‘Fala’. Ele disse: ‘Peço-te que fales ao rei Salomão (pois não to recusará), que me dê por mulher a Abisague, a sunamita’. Respondeu Bate-Seba: ‘Muito bem, eu falarei por ti ao rei’. Quando Bate-Seba foi ter com o rei Salomão, para falar-lhe por Adonias, o rei se levantou a encontrar-se com ela, inclinou-se diante dela, e se assentou no seu trono. Mandou que pusessem um trono para a mãe do rei, e ela se assentou à sua mão direita. Disse ela: ‘Só um pequeno pedido te faço, não mo rejeites’. E o rei lhe disse: ‘Pede, minha mãe, porque não to recusarei’. Disse ela: ‘Dê-se Abisague, a sunamita, por mulher a Adonias, teu irmão’”.

De particular importância são as seguintes observações:

  1. Adonias supunha que a rainha-mãe poderia defender seu interesse perante o Rei; ou seja, ele confiava nela.
  2. A reação do Rei é notável: ele se levantou para vir ao encontro de sua mãe e prestou-lhe o seu respeito.
  3. Um trono foi providenciado para ela; ela se sentou à direita do Rei.
  4. Seu poder de intercessão é enfatizado pela repetição da ideia de que o rei “não a recuse”.

   O mesmo fazemos hoje com Maria. Nós acreditamos que ela se aproximará do Rei para defender os nossos interesses. Porém, neste instante, muitos protestantes dirão: “Não podemos chegar até Ele por meio de ninguém; podemos tratar diretamente com Deus”. Sim, podemos e devemos fazê-lo. Porém, duvido que o mesmo protestante que usou esse argumento JAMAIS pediu a um amigo seu para que orasse por ele ou com ele. Pedimos a nossos amigos para que orem conosco ou por nós, não porque achamos que é impossível se aproximar diretamente de Deus, mas porque formamos uma família em Cristo e porque é agradável. Nós nos preocupamos com os outros e pedimos sempre a Deus para que conceda os interesses daqueles que amamos. Por que limitar esse cuidado e assistência somente àqueles que estão vivos hoje na terra? São Paulo nos diz que somos rodeados por uma nuvem de testemunhas – será que essas testemunhas não demonstram um mínimo de preocupação para conosco?

   O Apocalipse no nos diz que as preces dos santos elevam-se como incenso perante Deus (Ap 8,4). Por quem estariam orando? Em Tobias, lemos: “Quando tu e Sara fazíeis oração, era eu (arcanjo Rafael) quem apresentava as vossas súplicas diante da glória do Senhor e as lia” (Tobias 12,12).

   Se pedimos para nossos irmãos vivos para orarem por nós, poderíamos deixar de fazer o mesmo para aqueles que já se encontram presentes diante de Deus? E se pedimos para aqueles que estão diante de Deus, como poderíamos deixar de pedir a intercessão daquela que é a mãe do Rei? A Tradição (aquela mesma Tradição – lembre-se disso – que nos deu a Bíblia) nos diz que quando Jesus estava agonizando na cruz, disse certas palavras a seu discípulo [João] que são aplicadas a cada um de nós; tais palavras são: “Eis aí a tua Mãe…”

b) Maria como a Arca da Nova Aliança

   Este ponto nos dirige diretamente para o dogma da Imaculada Conceição de Maria; entretanto, tratarei mais detalhadamente sobre esse assunto (bem como suas objeções) um pouco mais abaixo.

   A Arca da Antiga Aliança abrigava os Dez Mandamentos, que eram a Palavra de Deus. Na Bíblia, São João chama também Jesus de Palavra (=Verbo) de Deus e Maria, por carregá-lo em seu ventre, tornou-se a Arca da Nova Aliança. A Arca da Aliança é santa e pura. Se Maria tivesse o pecado original, ela não poderia ser pura e, consequentemente, também não poderia ser a Arca da Nova Aliança. Este conceito é apresentado na Bíblia quando comparamos o Antigo Testamento com o Novo Testamento. Observe estas semelhanças:

   Antigo Testamento: quando a Arca da Aliança foi trazida perante o rei Davi – “Temeu Davi ao Senhor naquele disse, e disse: ‘Como virá a mim a Arca do Senhor?’” (2Samuel 6,9).

  Novo Testamento: quando Maria foi visitar sua parente Isabel, que estava grávida de João Batista – “De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1,43).

  Antigo Testamento: quando o rei Davi dançou de júbilo porque ele estava na presença da Arca, que continha a Palavra de Deus – “Quando a Arca do Senhor entrava na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela. E vendo ao rei Davi, que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração” (2Samuel 6,16).

  Novo Testamento: quando o profeta João Batista saltou de júbilo no ventre de sua mãe, Isabel. Ele fez isto quando ouviu a voz de Maria, que estava grávida de Jesus, o qual também é chamado de Palavra (=Verbo) de Deus – “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lucas 1,41).

  Antigo Testamento: os israelitas encheram-se de grande júbilo porque estavam muito próximos da Arca que continha a Palavra de Deus – “Assim Davi e toda a casa de Israel subiam, trazendo a Arca do Senhor com júbilo e ao som de trombetas” (2Samuel 6,15).
Novo Testamento: mostra como Isabel e João Batista se encheram de júbilo por estarem na presença de Maria, que carregava a Palavra de Deus – “Exclamou ela [Isabel] em alta voz: ‘Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. Ao chegar-me aos ouvidos a voz da tua saudação a criancinha saltou de alegria no meu ventre’ (Lucas 1,42.44).

  Se tudo isto é verdade, que Maria é a Arca da Nova Aliança, então ela deve ter sido pura e não poderia haver qualquer tipo de pecado em sua alma. O fato de que Maria tenha nascido sem pecado original tem sido um ensinamento muito claro não apenas da Igreja Católica como também dos fundadores do Protestantismo. Apenas recentemente algumas denominações protestantes se afastaram desta doutrina tradicional do Cristianismo.

“É uma doce e piedosa crença esta de que a alma de Maria não possuía o pecado original; assim, sua alma estava completamente purificada do pecado original e embelezada com os dons de Deus, por ter recebido de Deus uma alma pura. Portanto, desde o primeiro momento de sua vida, ela estava livre de todo o pecado” (Martinho Lutero, “Sermão sobre o Dia da Conceição da Mãe de Deus”, 1527).

   Não há outro “símbolo” que eu gostaria de discutir antes de falar de Maria no Novo Testamento e tal símbolo é o de Maria como “portão de entrada”. A melhor explicação que vi sobre esse assunto foi postado em uma lista de discussão – embora não me lembre qual, nem o nome de seu autor. Apresento essa explicação logo abaixo, com um mínimo de edição da minha parte, e peço desculpas de não poder dar o devido crédito ao autor, pelo motivo exposto.

  Quando Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém, ele montava um jumentinho, o qual ainda não havia sido montado por ninguém (Mc 11,2-10). Ele também foi encerrado em uma sepultura nova, a qual também não havia sido usada antes (Jo 19,41). Estas coisas não eram necessárias, mas assim aconteceu – tanto com o jumentinho quanto para a sepultura usados por Cristo, mas jamais usados por qualquer outra pessoa – simplesmente para indicar o quanto especial era Jesus.

  No Antigo Testamento também existem símbolos que prefiguram pessoas ou eventos do Novo Testamento. A pessoa ou evento do Novo Testamento que é prefigurada no Antigo é chamada de arquétipo. O arquétipo no Novo Testamento é sempre importante. Adão, por exemplo, é símbolo de Cristo, cf. Rm 5,14.

O profeta Ezequiel refere-se a uma porta que é o símbolo de Maria:

Ezequiel 44,1-3:

“Então me fez voltar para o caminho da porta do santuário exterior, que olha para o oriente, a qual estava fechada. Disse-me o Senhor: ‘Esta porta estará fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela. Porque o Senhor Deus de Israel entrou por ela, estará fechada. Quanto ao príncipe, ele ali se assentará como príncipe, para comer o pão diante do Senhor; pelo caminho do vestíbulo da porta entrará, e por esse mesmo caminho sairá”.
Ezequiel 46,8.12:

“Quando entrar o príncipe, entrará pelo caminho do vestíbulo da porta… Quando for o príncipe […], a porta oriental lhe será aberta, […] então ele sairá e a porta será fechada assim que ele sair”.

  O príncipe é o símbolo de Cristo. E a porta prefigura Maria, já que através de seu ventre que Jesus veio ao mundo. Tal passagem demonstrava que a porta estava reservada para o príncipe, prefigurando que o ventre de Maria estava reservado apenas para Jesus. Como no caso do jumentinho e da nova sepultura, como vimos acima, era adequado e oportuno que a graça de Deus guiou Maria a aceitar uma vida de virgindade consagrada, de maneira que sua Virgindade Perpétua é sinal que aponta para a extraordinariedade de Jesus Cristo.

c) Maria como Intercessora

Ainda que todos os cristãos tenham o poder de interceder uns pelos outros, a pureza e santidade do intercessor aumentam o poder da súplica. A Bíblia está repleta de exemplos do Senhor “escutando” as preces dos justos. Eis alguns casos:

Provérbios 15,8:
“O sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o seu contentamento”.

Provérbios 15,29:
“O Senhor está longe dos ímpios, mas escuta a oração dos justos”.

Tiago 5,16-18:
“A oração de um justo é poderosa e eficaz. Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra”.

Provérbios 28,9:
“O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominada”.

1Pedro 3,12:
“Pois os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos à sua súplica, mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal”

Salmo 32,6:
“Pelo que todo aquele que é santo orará a ti, a tempo de te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas a ele não chegarão”.

Daniel 9,21-23:
    “Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio voando rapidamente, e tocou-me à hora do sacrifício da tarde. Ele me instruiu, e me disse: ‘Daniel, agora vim para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para declará-la a ti, porque és muito amado…’”.

2 Crônicas 6,29-30:

“Toda oração e súplica que qualquer homem ou todo o teu povo Israel fizer, conhecendo cada um a sua praga e a sua dor, e estendendo as mãos para esta casa, ouve tu dos céus, do assento da tua habitação. Perdoa, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, segundo vires o seu coração (pois só tu conheces o coração dos filhos dos homens)”.

   Agora, uma vez que a Bíblia demonstra tão claramente que aqueles que são justos ou corretos são ouvidos pelo Senhor, e já que também sabemos que aqueles que se encontram no céu não são impuros nem injustos (caso contrário não teriam como resistir à presença de Deus), então nós podemos afirmar que as preces dos santos têm um poder e eficácia muito maiores do que às daqueles que ainda se encontram sobre esta terra, que ainda caminham na imperfeição.

   De acordo com isto, percebemos que as orações intercessórias de Maria, que é a Mãe de Deus e mais pura que qualquer outra pessoa humana, têm um poder ainda mais especial.

(Fonte: UMA DEFESA BÍBLICA DE MARIA. Portal Agnus Dei. Escrito por Marissa retirado do Ssite “The Bible Defends Catholic Church!” e traduzido por Carlos Martins Nabeto)