Carta aberta ao estimado Pe. Zezinho

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As canções mais conhecidas do Padre Zezinho, SCJ fazem parte das minhas boas recordações de infância. Justamente por causa desse vínculo, de certa forma afetivo, com a figura do Pe. Zezinho, tenho dificuldade em fazer uma análise mais imparcial de suas palavras em um post publicado em seu Facebook.

Fosse outra pessoa, provavelmente eu diria que está mal intencionado, que está sendo tão mentiroso e cínico quanto qualquer outro lulista que, após a condenação em 2a instância do Lula e apesar de ter sido seguido rigorosamente o devido processo legal, com todas as garantias e o total respeito ao amplo direito de defesa, ainda insiste em defender sua inocência.

Em se tratando do Pe. Zezinho, a minha tendência é ser parcial e imaginar que o padre está sendo ingênuo. Que se deixou enganar pelo discurso da esquerda e ainda acredita piamente que Lula foi um bom presidente, que realmente ajudou a parcela mais desfavorecida da população brasileira a melhorar de vida etc. E crê sinceramente que Lula é inocente, mas foi perseguido politicamente, o que resultou em sua condenação nas duas instâncias. Por isso dirijo, respeitosamente, ao Pe. Zezinho as palavras que seguem.

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Pe. Zezinho, lamento dizer que o senhor está mal informado. Nem Lula foi um bom presidente (e Dilma muito menos) e nem ajudou a parcela mais desfavorecida do povo brasileiro, a não ser a mantê-los na pobreza para continuarem sendo massa de manobra em suas mãos, o seu curral eleitoral.

Lula é o chefe da organização criminosa que montou o maior esquema de corrupção jamais visto na história deste país e que quase tornou o Brasil uma versão menos pior da Venezuela. Lula não é e nunca foi um perseguido político (nem mesmo nos tempos da ditadura militar, pois nessa época ele era informante do DOPS – ou seja, delatava os “companheiros” para os militares). E Lula foi julgado em 1a instância por um juiz imparcial, o Dr. Sérgio Moro, e teve a sua sentença condenatória confirmada na 2a instância após um julgamento colegiado realizado por juízes imparciais. Em ambas as instâncias Lula teve garantido o seu direito ao devido processo legal, teve amplo direito de defesa e teve dois julgamentos eminentemente técnicos. Trata-se de crime comum, Lula é um cidadão como qualquer outro (um ex-presidente não está acima da lei) e como tal foi julgado e condenado.

Como disse o Desembargador Victor Laus durante o seu voto, não há mais que falar em inocência. A matéria de fato foi apreciada pelo Poder Judiciário nas duas instâncias e Lula foi considerado culpado em ambas e por isso foi condenado. Os recursos que ainda lhe restam nos Tribunais Superiores (STF e STJ) só poderão versar sobre matéria de direito; quanto à culpabilidade de Lula, não existe mais discussão. Lula é um criminoso condenado, culpado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. E ainda é réu em outros processos, aguardando julgamento, com acusações semelhantes e incluindo obstrução da justiça.

O Brasil, Pe. Zezinho, não precisa de “salvadores da pátria” (e Lula está longe de ser um), mas precisa de instituições fortes. E precisa de cidadãos conscientes da necessidade de exerceram sua cidadania, sem ficar esperando um “herói do povo brasileiro” que não existe e não existirá jamais. Se queremos um Brasil melhor, temos de fazê-lo nós. Enquanto dependermos de “salvadores” e “heróis”, sempre veremos notícias de corrupção e impunidade.

Não precisamos, também, de pastores de almas que acreditem em outro salvador que não seja o único Salvador, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor e que naquele falso salvador acabem depositando suas esperanças.

Pe. Zezinho, deixe o Lula de lado. Nem o senhor e muito menos a Igreja de Cristo precisam dele e de suas promessas carcomidas (e falsas). Parafraseando uma de suas canções (de que eu gosto muito), deixe esse barco de ilusões esquecido na praia. Entregue seu leme a Jesus e deixe que Ele o conduza pelas águas mais profundas que desejar, para que o senhor continue sendo esse grande pastor de almas que eu aprendi a admirar quando criança.

Que Deus o abençoe sempre!

(texto de autoria de Daniela Gonzalez Macedo, originalmente publicado aqui e adaptado com exclusividade para o Portal Paraclitus)