Pastoral da Juventude confirma: não é uma pastoral católica!

220

pastora_juventudeAtravés de um texto publicado em seu portal (acesse aqui), a Pastoral da Juventude (PJ) tentou afirmar que é, sim, uma pastoral católica.

Mas, ao invés de mostrar e reafirmar a identidade católica da PJ, tudo o que o referido artigo conseguiu fazer foi demonstrar exatamente o contrário.

O texto começa falando em “ataques violentos” sofridos pela PJ – possivelmente referindo-se ao artigo publicado no Portal Paraclitus sobre o 12º ENPJ (acesse aqui) e questionando a catolicidade do encontro e da PJ como um todo. Não se trata de “ataques”, mas de questionamentos legítimos. Todo e qualquer fiel católico pode fazer questionamentos sobre pastorais e movimentos que afirmam estar vinculados à Igreja, 

desde que o faça com respeito, como foi feito no artigo de Paraclitus já mencionado. Se alguém eventualmente sentir-se incomodado pelo fato do questionamento ter sido feito de forma pública, respondemos que o 12º ENPJ foi um evento tornado público através do Facebook da PJ Nacional.

Através do artigo publicado em seu portal, a PJ afirma sofrer perseguição violenta. Ora, que perseguição? Se entre os 500 participantes do encontro (segundo o artigo da PJ), havia representantes da hierarquia (padres e bispos), então não há perseguição. Críticas e questionamentos não constituem perseguição. Alegar isso, como faz a PJ, é vitimismo.

A estratégia do artigo da PJ, depois de fazer a vitimização, é rotular todos aqueles que não aprovam sua metodologia como “oportunistas em busca de poder”. Ora, essa é uma leitura ideológica da Igreja Católica. Como dizia com muita sabedoria Blaise Pascal, “no Reino dos Céus, reinar é servir”. Quem é verdadeiramente católico, busca servir a Deus e aos irmãos e não olha a Igreja como se fosse uma instância de poder. Esse é um viés ideológico totalmente descabido quando se fala da Igreja fundada por Jesus Cristo e de todos aqueles que buscam ser discípulos do Senhor.

O texto pejoteiro usa a palavra “conservador” como se fosse uma ofensa. Mas esquece que a Igreja Católica é conservadora em sua essência – conservadora dos valores que constituem a norma de vida para os cristãos católicos; conservadora do tesouro da Verdade que lhe foi entregue por Jesus Cristo, seu Senhor; conservadora das graças de salvação que deve levar a todos os homens. Portanto, ser católico e ser conservador não são coisas diferentes. Chamar um verdadeiro católico de conservador, longe de ser uma ofensa, é um elogio, pois indica o quanto está ele sendo fiel a Jesus Cristo e à Sua Igreja.

Fica mais do que claro no artigo da PJ que o viés ideológico (de esquerda, marxista) distorce a sua compreensão do Evangelho. Pois quando cita o texto de Lucas (citando Isaías, em referência à missão de Jesus), acaba reduzindo seu sentido ao meramente terreno – político, econômico, social. Mas esquece que Jesus proclamou abertamente, diante de Pilatos, que o seu Reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36). O Catecismo da Igreja Católica diz explicitamente que a libertação que Cristo veio nos trazer é a libertação do demônio e do pecado (cf. números 1237, 1741, 1964). E compara o reducionismo da libertação aos âmbitos econômico e social a uma espécie de ateísmo (cf. número 2124) – o que, aliás, não é de surpreender, uma vez que a PJ está claramente vinculada à ideologia marxista, materialista por natureza. Basta ver as expressões usadas no artigo e todas as fotos e vídeo do 12º ENPJ.

O anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo não exclui ninguém. Absolutamente todos são chamados a fazer parte do Reino de Deus. Prova disso é que Jesus não apenas foi ao encontro de pobres, prostitutas e publicanos, como também buscou fariseus, escribas, romanos e ricos. Entre os seus discípulos havia pessoas de todo tipo, pertencentes a todas as classes da sociedade da época. Mas os destinatários da boa nova da PJ, segundo o artigo, são aqueles por eles denominados excluídos – nomeadamente, negros, indígenas e mulheres. E as demais pessoas humanas? Cabe a pergunta: a salvação não é para todos? Nosso Senhor morreu por todos, porque “todos pecaram e estão privados da graça de Deus” (Rm 3,23). Pode algum grupo, movimento ou pastoral ligada a Igreja Católica excluir alguém do anúncio da Boa Nova?
Quando a PJ fala em “resignificação da masculinidade” e “profetismo das mulheres” não está assumindo bandeiras tipicamente feministas? E o que tem o feminismo (este, o atual, que pede a legalização do aborto e prega o ódio aos homens) a ver com a fé católica?

E quando o artigo menciona “diálogo com outras expressões de fé”, esqueceu de mencionar que diálogo e ecumenismo, para a Igreja Católica, são coisas diferentes. Não há ecumenismo com religiões não cristãs. Há diálogo, sim, naquilo que podemos ter em comum, que são, por exemplo, as preocupações sociais. Mas não podemos ter com as religiões de matiz africana, como a umbanda e o candomblé, uma espiritualidade comum. E o motivo é bastante simples: nós, católicos, cremos em só Deus, Uno e Trino, e em Jesus Cristo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que se fez homem, padeceu e morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. E que fundou a Sua Igreja, a Igreja Católica, para a qual Ele, Jesus, confiou o encargo de anunciar a Boa Nova e levar a todos os homens a salvação que Ele nos deu. Não cremos em orixás ou outros tipos de divindades. Portanto, não temos nenhuma fé em comum com a umbanda, para nos permitirmos uma celebração “ecumênica” com uma líder umbandista. E nem podemos permitir que uma representante da umbanda relativize a nossa fé, a partir do momento em que coloca Oxalá como equivalente a Deus, ao afirmar que Oxalá é o criador.

Todas essas coisas já foram mencionadas, com mais ou menos detalhes, em nosso artigo anterior. E estão colocadas abertamente no Facebook da PJ Nacional, particularmente nos posts relacionados com o 12º ENPJ. Resta dizer que ninguém teve qualquer intenção de fazer ameaça à Pastoral da Juventude (lá vem o vitimismo, de novo, no último parágrafo do texto publicado no portal da PJ). Pelo contrário, fizemos críticas, e bastante fundamentadas em nossa fé católica. De modo que, se a PJ está aberta, como diz, a críticas construtivas, pode tomar o nosso texto anterior exatamente desta forma e utilizá-lo para as necessárias reformas em sua metodologia (incluindo a eliminação do viés ideológico de que está tomada), para que se torne aquilo que deve ser, que nasceu para ser: uma verdadeira pastoral CATÓLICA da juventude!