“Eis que hoje ponho diante de vós bênção e maldição…”

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Breve reflexão sobre Dt 10,12-11,9.26-28

O Senhor Deus coloca diante de nós duas possibilidades: bênção e maldição. A condição para a escolha é o agir prático: obedecer ou não aos Mandamentos que o Senhor prescreve. E há um detalhe interessante: Deus vincula a desobediência ao pecado gravíssimo da idolatria.

Deus está pronto a derramar copiosamente as Suas bênçãos sobre o povo hebreu. Prova disso é que toda iniciativa foi dEle. Não foram os hebreus, durante o tempo da escravidão no Egito, que procuraram a Deus pedindo a libertação, mas o Senhor foi quem, na sarça ardente, revelou-Se a Moisés e enviou-o a um povo que já até estava meio esquecido dEle, Deus.

E se retrocedermos a José do Egito, a Jacó, a Isaac e a Abraão, o grande pai do povo hebreu, vemos que as iniciativas são sempre de Deus.

O Senhor, porém, não obriga – chama, convoca, pede conversão e propõe aliança, com base nos Seus Mandamentos. Aquele que é chamado (o antigo povo de Israel e nós, hoje) é livre para aceitar ou não. A todo aquele que atender ao chamado e aceitar a proposta/aliança com Deus, este promete-lhe a bênção.

Aqueles que se recusarem, para seguir caminhos que não são de Deus – seus caprichos, suas vaidades, seu egoísmo, sua incapacidade de reconhecer o outro como irão e de buscar o bem do próximo – estes serão deixados à própria sorte e não contarão, em suas vidas, com aquilo que recusaram, as bênçãos divinas. O Senhor continuará enviando-lhes as graças suficientes e necessárias para a sua conversão; nada mais.

Mas por que a recusa da bênção e a desobediência a Deus são idolatria?

Porque toda pessoa humana que não adora a Deus, precisará colocar algo no lugar que pertence a Deus em seu coração, para adorar como falso deus. Então, aquele que se recusa a dobrar os joelhos diante do Deus único e verdadeiro, esse dobrará os joelhos diante de si mesmo, de algum modo. Adorará ao próprio corpo, aos seus negócios, ao seu dinheiro, às relações egoístas e doentias que estabelecerá com os demais. E terminará escravo de tudo isto.

Mas, como o ser humano não pode, por sua própria natureza, ser autônomo na ordem da criação, a espiral descendente não vai parar aí: aquele que se recusa a servir a Deus, terminará servindo ao diabo, consciente ou inconscientemente.

Compreendamos, pois, que do Senhor só nos pode vir a bênção, ainda que Seus Mandamentos sejam, por vezes, difíceis de cumprir (devido à debilidade que o pecado original causou em nossas almas) e ainda que a cruz deva fazer parte da vida de todo aquele que quer ser discípulo de Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor.

Só existe felicidade, só há bênção para aqueles que amam o Senhor e trilham Seus caminhos (cf. Sl 127,1).